Benoit Tessier/Reuters
Benoit Tessier/Reuters

A quem o júri de Jane Campion vai outorgar a Palma de Ouro no Festival de Cannes?

Marion Cotillard e Steve Carell são fortes candidatos aos prêmios de melhor atriz e ator

Luiz Carlos Merten, Enviado Especial a Cannes - O Estado de S. Paulo

23 de maio de 2014 | 20h11

E o 67.º festival começou a outorgar seus prêmios nesta sexta-feira, 23. Na mostra Un Certain Regard, o júri presidido por Pablo Trapero destacou o filme White God, uma espécie de Planeta dos Cães, em que eles se rebelam contra a violência dos homens. O júri também deu seu prêmio especial a O Sal da Terra, de Wim Wenders e Juliano Ribeiro Salgado, sobre o pai do segundo, o grande fotógrafo Sebastião Salgado. A crítica deu seu prêmio da competição para o turco Nuri Bilge Ceylan, de Winter Sleep. Na mostra Un Certain Regard, venceu o argentino Jauja, de Lisandro Alonso.

Na cabeça de todo o mundo, está a pergunta que não quer calar – a quem o júri presidido pela cineasta neozelandesa Jane Campion vai outorgar, no sábado à noite, a Palma de Ouro?

Em quase 70 anos de histórias do maior evento de cinema do mundo, Jane permanece a única mulher a vencer o prêmio. Embora a crítica esteja dividida – a estrangeira gostou mais do filme que a francesa –, o longa da japonesa Naomi Kawase, Still the Water, é uma aposta a ser considerada. Naomi é mulher, seu filme é belíssimo, e busca a transcendência ao falar de temas como vida e morte. A maioria da imprensa local, porém, prefere jogar suas fichas no enfant terrible Xavier Dolan, do Canadá. Jornais locais, como se tivessem combinado, estamparam nas capas a foto dele com a frase ‘Yes you Cannes’.

Mommy, que poderá fazer de Dolan o mais jovem vencedor da Palma – aos 25 anos –, é sobre a complicada relação da mãe de um garoto que sofre de TDAH, a síndrome da falta de atenção, com ele e uma vizinha que também não deixa de possuir uma deficiência. É gaga. O filme é extremamente audacioso – falado em québécois, usa a tela no formato quadrado e só abre o quadro em dois breves (e essenciais) momentos. Se nenhum dos dois – Kawase nem Dolan – ganhar o prêmio, não faltarão candidatos. O turco Nuri Bilge Ceylan, de Winter Sleep, fez um filme no limite da filosofia, e belamente realizado, com uma iluminação que deixa o cinéfilo siderado. O africano Abderrahmane Sissako, com Timbuktu, é outro que tem estado nas considerações da imprensa.

E, claro, existem sempre os Dardennes, que já ganharam duas vezes a Palma e poderiam levar a terceira, com Dois Dias e Uma Noite. Marion Cotillard é uma unanimidade no voto para melhor atriz. Steve Carell é outra unanimidade como melhor ator, por Foxcatcher, de Bennett Miller. Os cinéfilos talvez gostem de saber que a cultuada revista Cahiers du Cinéma outorgou apenas duas Palmas em seu guia de cotações, e elas foram para Foxcatcher e Maps of the Stars, o novo David Cronenberg, no qual Julianne Moore está genial – e você já pode apostar na indicação dela para o Oscar de coadjuvante em 2015.

Os dois últimos filmes da competição foram o do russo Andrei Sviaguintsev, Leviathan, brilhantemente realizado e que apresenta um retrato terrível do choque do indivíduo com o Estado. A Rússia de Putin é algo próximo do inferno, mas ao mesmo tempo que critica os homens, e os sistemas, Sviaguintsev abre e fecha o filme com suntuosas paisagens, externando sua crença de que o país sobreviverá a mais esse tsunami, após os czares e o comunismo. E houve Sils Maria, de Olivier Assayas, não tão bom quanto Carlos ou Depois de Maio, mas no qual Juliette Binoche está, mais uma vez, admirável.

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