"A Queda" retrata últimos dias de Hitler

Por causa de Adolf Hitler e do fracasso do nacional-socialismo, pesa sobre o povo alemão uma pecha inafiançável. A de que também teriam sido responsáveis pelos horrores cometidos em nome do nazismo. A Queda - Os Últimos Dias de Adolf Hitler, de Oliver Hirschbiegel, que chega aos cinemas hoje e reconstitui como foram os últimos dias do Führer no bunker de onde comandou o Terceiro Reich, no fim da Segunda Guerra Mundial, coloca a tese da conivência popular sob uma perspectiva pouco ou nada explorada, a dos próprios alemães. É um filme poderoso, não apenas por retratar de forma convincente Hitler, na interpretação forte e aterradora de Bruno Ganz. Mas também por mostrar como esse personagem histórico, a um só tempo humano e monstruoso, cativava e influenciava seu estado-maior, seus colaboradores civis e a população em geral. A relação com a amante Eva Braun, o arquiteto Albert Speers, o ministro da propaganda Goebbels e sua mulher e a secretária particular Traudl Junge são exploradas para detalhar como isso supostamente processava. Embora seja o Hitler de Ganz que tome a tela de assalto, é a figura da ingênua Traudl, na interpretação de Alexandra Maria Lara, quem se sobressai. A jovem de Munique que foi escolhida para secretariar o führer e sobreviveu à guerra foi biografada pela jornalista alemã Melissa Müller antes de morrer, em 2002. O livro sobre sua vida serviu de base para o filme junto com No Bunker de Hitler: Os Últimos Dias do Terceiro Reich, do escritor Joachim Fest. Traudl abre o filme como personagem e o encerra em pessoa, com imagens tiradas do documentário Eu Fui a Secretária de Hitler (2002), de André Heller e Othmar Schmiderer. Em suas falas, nesses dois trechos em especial, ela resume o que filme quer mostrar. Ou seja, por mais que se invoque a isenção do povo alemão, não há como alegar ignorância, ingenuidade ou inexperiência para se livrar do peso da responsabilidade.

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