Nadja Klier/Amazon via AP
Nadja Klier/Amazon via AP

A potência de Michael B. Jordan alcança novos patamares em 'Sem Remorso'

Ator de 34 anos expõe o seu ponto de vista sobre os protestos nos Estados Unidos, poder e seu mais novo filme de ação

Jake Coyle, AP

29 de abril de 2021 | 15h00

NOVA YORK - O poder de Michael B. Jordan na tela tem sido mostrado de várias formas. Sua força de peso pesado em Creed: Nascido Para Lutar. Sua capacidade de inspirar mudanças como Bryan Stevenson em Luta Por Justiça. Sua fúria escancarada em Pantera Negra.



Mas a potência de Jordan alcança novos patamares em Sem Remorso, uma adaptação de Tom Clancy que transforma Jordan em uma estrela mundial de ação. O filme (que estreia na sexta-feira no Amazon Prime Video) é uma história de origem atualizada do integrante da força especial da Marinha dos Estados Unidos (Navy SEALs) John Clark, o personagem mais conhecido de Clancy depois de Jack Ryan. Jordan espera que o filme se torne parte de uma franquia.

O projeto estava na mira de Hollywood há décadas. Keanu Reeves e Tom Hardy estão entre aqueles que já flertaram com ele. Mas Jordan viu a possibilidade não apenas de fazer um thriller de ação de grande orçamento e realizar muitas de suas próprias acrobacias, mas também de adaptar o filme aos dias de hoje. Ele é o produtor do filme por meio de sua empresa, Outlier Society Productions, um esforço importante em tornar Hollywood mais inclusiva.

Jordan passou grande parte do ano passado em quarentena com sua família e amigos, um período que ele diz ter sido de reflexão.

“Nos últimos anos, fui abençoado por ter um trabalho atrás do outro”, disse Jordan, falando por telefone de Los Angeles. "Eu meio que tive um momento para olhar para mim e minha família, passar um tempo com meu sobrinho - coisas que provavelmente não teria tanto tempo para fazer se estivesse correndo de uma produção para outra.''

Mas depois que a pandemia fez com que uma das maiores estrelas do cinema realizasse uma pequena pausa, Jordan está ansioso para embarcar em um novo capítulo. Recentemente, ele filmou A Journal for Jordan, de Denzel Washington. E ele está preparando sua estreia na direção com Creed III.

 


O ator de 34 anos falou com a Associated Press no dia seguinte ao veredicto do julgamento de Derek Chauvin. Os comentários foram editados por questões de concisão e clareza.


 

No verão passado, em protestos após o assassinato de George Floyd, você desafiou Hollywood a se comprometer com a contratação de negros. Percebeu algum avanço nessa questão?

Nos projetos em que estive envolvido, vi uma resposta a isso. Não estou por dentro de todas as produções em Hollywood, mas acho que houve uma resposta importante ou significativa da indústria em certos níveis para se levar em consideração. Mas há muito trabalho a ser feito. Não estamos satisfeitos com o que temos ou com as coisas que vemos no momento.


 

Alguma coisa em relação ao ano passado mudou suas prioridades?

Passei por uma montanha-russa de emoções. A pandemia, os protestos, esse aumento constante da brutalidade policial e dos assassinatos - tem sido difícil, cara. Você tem um momento em que as coisas acontecem a nosso favor como ontem e, horas depois, vê o oposto. No ano passado, vi muito disso. Recarregar minhas baterias era algo que eu não sabia que precisava tanto. Depois dessa pausa, sinto-me mais fortalecido e preparado para o trabalho que está por vir - e isso em todas as áreas. Quando se trata de estar presente para minha comunidade, minha cultura, para meu trabalho; na frente da câmera, atrás da câmera; nas ruas, em minha casa. Isso tem me dado a oportunidade de ser uma versão melhor de mim mesmo no futuro. Estou motivado. Estou recarregado. Estou pronto para todas as próximas tarefas.


 

Em 'Fruitvale Station: A Última Parada', interpretando Oscar Grant, você representou uma versão de uma cena que continua se repetindo.

Quando você é negro, é algo que pode se tornar realidade a qualquer dia. Sim, eu tive a oportunidade de mostrar a história de um jovem que teve sua vida tirada pelas mãos de policiais. Quando filmamos aquele filme, acho que isso não estava sendo visto tanto quanto agora. A quantidade de casos como o que foi relatado no filme aumentou, é parte da conversa das pessoas. E muito. Acho que a solidariedade entre nossa comunidade e cultura está no ponto mais alto que já experimentei. Isso está nos aproximando. E as pessoas unidas são uma coisa poderosa.


 

Você já achou difícil equilibrar qualquer responsabilidade que sente e seus próprios interesses? Você às vezes quer apenas fazer um filme sem se preocupar com questões maiores?

Acabei de fazer um! Sem Remorso e Journal for Jordan. Gosto de todos os tipos de filmes. De thrillers de ação a filmes com um propósito. Tem outro Creed a caminho. Fui abençoado por ter um equilíbrio saudável. Isso me permite ter aquele equilíbrio confortável entre entretenimento e ativismo. É a vida, certo? Tentar encontrar um equilíbrio. Você tem momentos em sua vida em que tem que fazer coisas por si mesmo, tem que fazer coisas que alimentam sua alma. E você tem que fazer coisas que alimentem sua comunidade, para que reconheça a pessoa que está olhando para você no espelho pela manhã. Se possível, encontrar uma maneira de equilibrar todas essas coisas, ter sucesso e causar um impacto - e fazer do mundo um lugar melhor.  Acho que fazer as pessoas pensarem é o poder do cinema.


 

'Sem Remorso' nunca foi para frente durante anos. O que lhe atraiu nele?

Eu sou um gamer. Amo jogar videogame. Eu cresci jogando (adaptações de Tom Clancy) Rainbow Six e Ghost Recon antes mesmo de ser apresentado aos filmes. Cara, eu tive a oportunidade de interpretar um personagem que eu costumava me imaginar ser, com o qual ficava horas e horas (risos) no meu quarto jogando. Ser capaz de entrar no universo de Tom Clancy e fazer um filme de ação onde faço minhas próprias acrobacias. Eu era uma criança na loja de doces!


 

Você falou sobre se jogar em um papel como um cavalo de Tróia. Havia algo em especial que você queria trazer para 'Sem Remorso'?

Foi uma grande colaboração entre o estúdio, os produtores e o diretor para criar uma história de origem. Foi legal ver um personagem que simplesmente é. Não há nenhuma justificativa "Este personagem é negro por causa disso e daquilo." É um filme sobre um cara, sabe o que quero dizer?


 

Como em outro filme que você participa a ser lançado, um novo 'Thomas Crown - A Arte do Crime', seu personagem não foi originalmente escrito como negro e antes havia sido interpretado por atores brancos (Willem Dafoe e Liev Schreiber). Você dá alguma importância para isso?

Também há um negócio por trás disso. Muitas pessoas não entendem as nuances de como os filmes são feitos - qual (propriedade intelectual) está em qual estúdio, qual propriedade intelectual está disponível, o valor de uma nova versão versus fazer algo sem esse título. Há muitos fatores diferentes a serem considerados quando você refaz um filme ou faz um filme. As pessoas ficariam surpresas com o fato de que raça é algo muito pequeno no meio de tudo quando se trata de tomar algumas dessas decisões.

Muitas pessoas especulam a respeito dessas escolhas nos filmes, mas o que me chama a atenção é: eu realmente gosto do filme. O personagem é interessante. É agradável e vou me divertir fazendo isso. E a representatividade é importante. Alguém como eu interpretando um personagem como aquele em um mundo como aquele também é muito inovador e agradável. É uma decisão sutil fazer parte de filmes como esse. Às vezes não é tão simples. Outras vezes, também não é tão complicado.


TRADUÇÃO DE ROMINA CÁCIA

 

Tudo o que sabemos sobre:
Michael B. Jordancinema

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.