A polêmica devoção de Mel Gibson

O próximo filme de Mel Gibson nem chegou aos cinemas e já está causando polêmica. Enquanto patrocina a construção de uma igreja para católicos tradicionalistas em Malibu, na Califórnia, o ator, ele próprio católico fervoroso, finaliza uma produção que contará as 12 últimas horas da vida de Jesus Cristo. Um amigo de Gibson revelou no fim de semana que o filme vai atribuir a culpa pela morte de Cristo "possivelmente de maneira inédita no cinema". Gary Giuffre, colaborador muito próximo de Gibson, e ele também católico tradicionalista, insinuou que os culpados seriam as autoridades judaicas da época. A produção, ainda sem título, será falada em duas línguas mortas: o latim e o aramaico. Mel Gibson, além de atuar e dirigir, foi quem financiou o projeto.Ontem, o jornalista Christopher Noxon, que passou os últimos meses entrevistando o ator, familiares e amigos dele, publicou um artigo na revista do The New York Times. Muito antes de sua publicação, Mel Gibson já havia se pronunciado contra o repórter. Em entrevista ao ultraconservador apresentador de TV Bill O´Reilly, da Foxnews, o ator acusou o jornalista de investigar suas contas bancárias e ameaçar sua família com perguntas "impertinentes".No artigo da The New York Times Magazine, Noxon escreve que o pai do ator, Hutton Gibson, teria dito que o Concílio Vaticano II foi "uma conspiração maçônica patrocinada pelos judeus". Hutton é um antigo adversário do Vaticano e um dos porta-vozes mais ferrenhos do tradicionalismo católico. Há poucos anos, ele publicou um livro intitulado "Is the Pope Catholic?" (Será o Papa Católico?).Um porta-voz do ator preferiu não comentar a notícia, afirmando que Mel Gibson não leu o artigo. Pessoas ligadas à família Gibson, no entanto, dizem que as crenças religiosas de todos os seus membros são conhecidas, mas advertiram que Mel e seu pai têm algumas "poucas divergências". Na entrevista a O´Reilly, quando perguntado se a versão para a morte de Cristo de seu filme poderia incomodar os judeus, o ator respondeu: "Pode ser que sim, mas a intenção não é essa. A intenção é uma só: contar a verdade."

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