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Alberto Pizzoli/AFP
Alberto Pizzoli/AFP

A piada (de gosto duvidoso) de Leos Carax

Em 'Holy Motors', a narrativa desenrola-se na superfície e nos subterrâneos da capital francesa

Luiz Carlos Merten , O Estado de S.Paulo

23 de maio de 2012 | 21h00

O que é novo no cinema? Leos Carax parece querer reinventar a mídia em seu novo filme, Holy Motors, em que um homem - vivido por seu ator fetiche, Denis Lavant - percorre Paris numa limusine branca. Ele entra nela como um certo Oscar, empresário de sucesso, e se metamorfoseia em nada menos de dez outros personagens, incluindo uma mendiga. 

A narrativa desenrola-se na superfície e nos subterrâneos da capital francesa. Carax quer falar sobre arte, vida e morte, sobre a arte da representação. Mas esperem: não é isso que faz Alain Resnais, com tanta graça, em Vous n’Avez pas Encore Rien Vu? Carax foi vaiado no fim da sessão de imprensa, mas também foi aplaudido. Holy Motors, apesar da pretensão, não passa de uma piada, e de gosto duvidoso. Termina com carros dialogando entre si. Num festival que tem se pautado por cenas de homens nus, Lavant sustenta a ereção mais demorada - ou aquilo, Deus nos livre, será uma prótese?

Bernardo Bertolucci, um dos maiores diretores do mundo, vencedor de uma Palma de Ouro honorária em 2011, veio de cadeira de rodas para a coletiva de Io e Te. Uma rampa foi construída para facilitar seu acesso à sala de coletivas. Paralítico após operação mal sucedida na coluna, ele próprio ironiza - após tantos travelings em seu cinema, virou o homem/traveling. O cinema lhe permite se reinventar, evitar a amargura.

Io e Te é sobre dois meios-irmãos. Ele se esconde, ela se droga. Jacopo Olmo Antinmorti pode ser nome longo (e complicado) demais para um jovem ator, mas o garoto é bom. Tea Falco, que faz a irmã, é deslumbrante - tanto quanto outra jovem descoberta de Bertolucci, a Liv Tyler de Beleza Roubada. Como Walter Salles, Bertolucci fez Io e Te num estado de ‘improvisação permanente’, permitindo aos atores recriarem o diálogo que escreveu com mais três colaboradores, incluindo o autor do livro em que se baseia, Niccolò Ammaniti. Filho de poeta, ele admite que lhe interessa, cada vez mais, em fazer poesia com a câmera. Io e Te é a prova de que isso é possível.

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