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'A Pequena Morte' põe' em cena 5 casais com gostos sexuais bizarros

Comédia romântica é temperada com um pouco de erotismo

Luiz Zanin Oricchio, O Estado de S.Paulo

26 de dezembro de 2015 | 03h00

Os franceses usam a saborosa expressão “petite morte” (pequena morte) para designar o orgasmo. Partindo desse ponto, o australiano Josh Lawson usa a expressão como título para seu filme. O que é esse filme? A Pequena Morte é uma espécie de Pequeno Dicionário Amoroso (de Sandra Werneck), um tanto mais apimentado. Ou seja, uma comédia romântica temperada com um erotismo que os moralistas chamariam de desviante, mas que não choca o espectador médio.

Na história, Lawson põe em cena cinco casais jovens, moradores de Sydney, todos com gostos sexuais um tanto bizarros. É perceptível que o diretor (e também roteirista e intérprete) busca sair do lugar-comum do fetichismo, e assim evita o clássico sadomasoquismo.

Traz personagens que ficam excitados com taras mais originais, como atração por pessoas dormindo, ou por quem chora. Não se sabe bem se estas “perversões” estão capituladas pela psiquiatria ou se fazem parte da irônica imaginação do autor.

O próprio Lawson interpreta um dos personagens, Paul, casado com Maeve (Bojana Navakovic). Um casal feliz, até que ela resolve confessar que anda um tanto insatisfeita por conta de um desejo não atendido. Qual? Aqui o filme trabalha como um pequeno e intraduzível jogo de palavras. Maeve diz que deseja que ele a estupre (“rape me”).

Em resposta, Paul diz que ela não se inquiete. Em sua opinião, ela é simplesmente uma “mulher nota 10”. Paul entendeu que Maeve desejava ser avaliada por ele (“rate me”) e não estuprada.

Desfeito o equívoco, Paul, que ama de fato sua mulher, resolve providenciar um estupro. Mas, para ser um estupro para valer, o ato deve ser contra a vontade da mulher, e não para satisfazer sua fantasia. Daí a impossibilidade da violação sob encomenda. Desse impasse lógico nasce a (relativa) graça da história e de seu desfecho.

Outros episódios tomarão rumo semelhante e não vale a pena perder tempo em descrevê-los mais a fundo. Apenas para dar ideia da coisa: um casal, Dan e Elvie, é aconselhado por um terapeuta sexual a interpretar personagens em um jogo erótico-teatral. Assim, por exemplo, um poderá ser um médico que dá uma notícia terrível de doença à sua paciente. Ou um bombeiro que a salva de algum acidente.

Outro casal, Rowena e Richard, deseja ter filhos, mas a vida sexual anda meio morna. Como uma coisa depende da outra, o filho não vem. Até que a mulher nota que fica estranhamente excitada ao ver o marido chorar porque recebeu a notícia da morte do pai. Encontra aí inspiração para religar o desejo apagado.

A tônica é sempre a mesma. Casais jovens, de classe média, cheios de dúvidas quanto à própria sexualidade e dispostos a malabarismos para satisfazê-la.

O filme ainda ajunta um elemento de estranheza às tramas. Um homem mais velho, que se mudou há pouco para a vizinhança, vai de casa em casa se apresentando aos casais e levando-lhes um presente.

A todos, ele repete que é legalmente obrigado a advertir que já foi condenado por crime sexual no passado. Ninguém parece dar a menor bola para essa informação. Há um sabor de leve surrealismo nesses momentos.

O tom geral do filme lembra o de Pequeno Dicionário Amoroso, mas é menos engenhoso que este. A cada apresentação da “perversão sexual”, esta aparece na tela como um verbete de enciclopédia para informar ao espectador do que se trata. Soa um tanto artificial.

Sexo é sempre tema de interesse e supostos desvios da norma, neste campo, podem soar engraçados. Algumas soluções são de fato criativas. No todo, ri-se um pouco, mas não mais do que isso.

 

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