"A Paixão de Cristo" chega antes aos camelôs

Ainda falta uma semana para o polêmico filme de Mel Gibson, A Paixão de Cristo, chegar às telas no Brasil. Mas ele já está em cartaz no Centro da cidade, onde dezenas de camelôs vendem livremente o DVD do filme desde terça-feira. A reportagem do JT foi conferir como andavam as vendas na tarde de ontem. Logo na primeira parada, na Rua 24 de maio, o vendedor disse que só tinha mais uma cópia do filme. Ele contou que já havia vendido todos os outros 10 DVDs que tinha reservado para comercializar ontem.O longa, que mostra como foram as últimas 12 horas de vida de Jesus Cristo, é vendido por R$ 10. Os camelôs garantem a qualidade da imagem e até entregam um cartão de visita com contato para troca do produto em caso de defeito. As imagens, porém, não têm a mesma definição que aquelas exibidas por um DVD original. Mas a qualidade também não deixa a desejar, embora as cópias venham com duas legendas ao mesmo tempo: em inglês e português, pois o filme é todo falado em aramaico. E o DVD tem até propaganda do produtor pirata na parte inferior da tela.Em La Paz, capital da Bolívia, o filme já estreou clandestinamente nos bairros pobres da cidade com ingresso a R$ 0,70, que inclui um salgadinho de milho de brinde. Por causa da pirataria, a estréia do filme teve que ser antecipada para 25 de março, e não 1º de abril. No Brasil, o filme estréia na próxima sexta, com censura para menores de 14 anos. No entanto, no México, a censura é de 18 anos, o que vem causando protestos dos distribuidores, alegando que esta decisão incentiva a pirataria.Protestos - A polêmica em torno de A Paixão de Cristo também já estreou no Brasil. Ontem, a Confederação Israelita do Brasil e a Federação Israelita do Estado de São Paulo divulgaram nota oficial protestando contra o filme. Para o presidente da federação, Jayme Blay, a A Paixão contém "inverdades históricas" e alimenta o preconceito e a animosidade contra os judeus. "No filme, os romanos, que representavam um império tirano e sanguinário, são retratados de forma até simpática. Enquanto isso, os judeus, que aparecem como responsáveis pela crucificação de Jesus, ostentam um poder que jamais tiveram, o de condená-lo à crucificação", afirmou Blay.

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