A obstinação do prazer em "Livre para Voar"

Com direção de Paul Greengrass, Livre para Voar, conta a história do pintor frustado Richard (Kenneth Branagh), condenado a prestar serviços comunitários por pular do teto de um banco londrino apoiado em uma pipa gigante. É nesse cenário de abnegação e altruísmo que ele conhece Jane (Helena Bonham Carter), portadora de ´doença motor neurone´ (MND). A doença não tem cura e ataca os nervos responsáveis pelo controle muscular, impossibilitando Jane de andar, falar e se alimentar. Mas deixa o cérebro e os sentidos intactos, e eles, numa garota de 25 anos, estão à flor da pele. Presa a uma cadeira-de-rodas, Jane vê em Richard o amigo ideal que poderia ajudá-la a concretizar o seu mais obstinado projeto: conhecer o sexo. Mas explica que não precisaria ser exatamente com ele.Richard nega-se a ajudá-la por acreditar que a iniciativa poderia prejudicá-la ainda mais. Mas Jane é perseverante e convence-o a levá-la aos bordéis londrinos. O diretor aproveita as cenas comuns do cenário urbano da capital inglesa para mostrar as maneiras escolhidas por pessoas na mesma situação de Jane. Enquanto Jane quer perder sua virgindade, Richard, apesar do tombo, permanece obcecado com a idéia de voar e constrói um ?pseudo-avião? com sucatas de um ferro velho. Ao longo do filme os dois tornam-se confidentes e buscam, cada um a seu modo, a liberdade. Preparação - Além de visitar entidades que cuidam desse tipo de paciente, para interpretar o papel, Helena Carter colocou placas de metal na boca com o objetivo de dificultar a fala, recursos que contribuíram consideravelmente para dar mais realismo ao personagem. O drama ainda ganha com as boas atuações de Helena e Branagh.

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