Joana Mariani/Divulgação
Joana Mariani/Divulgação

'A Montanha' e seus aliados internacionais

As filmagens de A Montanha começam em meados de fevereiro e devem durar seis semanas. Ao grupo de ‘soldados’ brasileiros, irá se juntar o ‘soldado’ italiano Sergio Rubini e o alemão Richard Sammel, de Bastardos Inglórios. O papel do jornalista de guerra, ainda que seja um jornalista brasileiro, é do ator português Ivo Canelas. “Estou tendo de fazer aulas com uma fonoaudióloga para aprender o sotaque brasileiro. E isso porque eu já sei um pouco de tanto ver novela brasileira”, brincou Canelas, que também comemorava seu aniversário e ‘a formatura do curso’.

Flavia Guerra, O Estado de S. Paulo

04 de janeiro de 2011 | 14h41

O elenco internacional se justifica diante de uma realidade que está se tornando comum no cinema brasileiro: a coprodução. Orçado em R$ 9 milhões, A Montanha será co-produzido por Matias Mariani  e Isabel Martinez (respectivamente das brasileiras Primo Filmes e Três Mundos Produções), o italiano Grabiele Mazzoca (da Verdeoro) e o português Leonel Vieria (da Stopline). “Essa é a melhor maneira de viabilizar um projeto como este. O Brasil entra com 80% da produção, a Itália, com 20% e Portugal entrou com ações junto ao fundo Ibermedia, ao edital luso-brasileiro de coprodução e, claro, o ator português”, explica a produtora Joana Mariani.  Para ela, que também fez o treinamento e é assistente de direção do filme, é mais do que natural que um tema como este resulte em uma coprodução.

O curioso, no entanto, é que os produtores encontraram dificuldade para encontrar investidores brasileiros para o filme. “Há filmes que as empresas praticamente pedem para entrar. Já A Montanha, cujo tema é tão pungente, não empolgou a algumas empresas. Talvez porque achem que o Brasil não sabe fazer filme de guerra. Talvez porque não tenhamos tradição no tema. E é uma ousadia e tanto do Vicente se aventurar neste campo minado.”

Filme de guerra, aliás, não é exatamente o melhor rótulo para A Montanha. “Ainda que exista várias cenas de batalha, este não é um filme sobre a História, mas sobre as histórias das pessoas comuns que fizeram História. Nunca fui particularmente apaixonado por filmes de guerra, mas ao conhecer a História da Segunda Guerra, fui pesquisar mais sobre a ação do Brasil. Achava que a FEB tinha feito praticamente figuração. Minha opinião estava impregnada de ideologia e ignorância. E só fui entender a dimensão de tudo quando li o relato dos Pracinhas, pois muitos escreveram livros de memórias. Saber mais das histórias dos jovens brasileiros, humildes, despreparados, que enfrentaram o medo e o frio com muita coragem, fez com que eu visse o melhor do brasileiro naquela experiência toda. É isso que A Montanha vai mostrar.”

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