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A menos de um mês do Oscar, maioria dos filmes está nos cinemas

'Birdman' e 'Boyhood' são os principais destaques; confira

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

06 de fevereiro de 2015 | 03h00

Grande parte dos filmes indicados para o Oscar - ao menos, nas principais categorias - já pode ser vista nos cinemas - com exceção de Sniper Americano, que estreia no dia 19, e Para Sempre Alice, previsto só para 12 de março. E também em DVD, casos de Garota Exemplar e O Grande Hotel Budapeste. E se o melhor filme do Oscar 2015 não for o provável vencedor na madrugada do dia 23 (horário do Brasil, nos EUA ainda será 22), Birdman, de Alejandro González-Iñárritu, nem O Grande Hotel Budapeste, de Wes Anderson? Birdman ganhou o prêmio do sindicato dos produtores e, nos últimos 24 anos, só sete vencedores do Producer’s Guild não receberam a estatueta da Academia. 

Mesmo contando que O Grande Hotel e Boyhood - Da Infância à Juventude, de Richard Linklater, receberam os Globos de Ouro de comédia e drama, há um filme melhor que os três, e é O Jogo da Imitação, de Morten Tyldum, que entrou ontem nos cinemas brasileiros, com Selma, de Ava DuVernay, outro finalista para melhor filme. Pelos indicadores, Eddie Redmayne, que venceu o Globo de Ouro de drama e o prêmio do sindicato dos atores, parece imbatível na disputa pela melhor interpretação masculina, mas, acredite, você vai vacilar depois de ver O Jogo da Imitação. Benedict Cumberbatch é genial como Alan Turing, o matemático inglês que inventou... o computador.


São duas biopics, a de James Marsh sobre o astrofísico Stephen Hawking e a de Tildum sobre Turing. Aparentemente, o filme de Tildum é sobre o esforço de um grupo liderado por um cara genial para quebrar o código de comunicação dos nazistas. Um letreiro no final do filme informa que a quebra do código abreviou o fim da 2.ª Guerra em dois anos e poupou cerca de 12 milhões de vidas. Embora tudo isso seja verdade e esteja em O Jogo da Imitação, o filme de Tildum é sobre o direito à diferença. Foi por ser diferente que Turing chegou à conclusão de que as pessoas pensam diferente, e se isso ocorre é porque seu cérebro age diferente. Delirando em cima desse princípio, ele criou uma máquina para pensar rápido, e destruir o código. O problema é que era um homossexual enrustido e a Inglaterra, até os anos 1960, tinha leis muito rígidas sobre o assunto. 


Faltam pouco mais de duas semanas para a premiação da Academia. Até lá, as bolsas de apostas vão permitir uma apreciação mais serena (racional?) das chances de todos os candidatos, embora sempre exista o fator surpresa que faz com que muita barbada vire zebra. Todos eles estão em circuito comercial. O Grande Hotel, de volta aos cinemas (Bela Artes), já saiu até em DVD. Dos oito indicados falta somente o Clint Eastwood, American Sniper. Clint, que já venceu duas vezes o prêmio de direção - por Os Imperdoáveis e Menina de Ouro -, desta vez sequer foi indicado. Morten Tyldum foi, e é a estreia do diretor norueguês em Hollywood. Seu passaporte foi Headhunters, filme que tem muito a ver com O Jogo da Imitação, sobre um recrutador de talentos que vive acima de suas posses e vira ladrão de arte. O personagem de Tyldum sempre esconde sua natureza, seus dons.


Curioso esse Oscar. Embora tenha oito indicados para melhor filme, são apenas cinco diretores que concorrem ao prêmio da categoria. Um deles é Bennett Miller, que cravou uma indicação para melhor roteirista, mas não melhor diretor, por Foxcatcher - Uma História Que Chocou o Mundo. Se você é do time que não aprecia muito Foxcatcher - muita gente não gosta -, preste atenção no que diz o Cahiers du Cinéma, bíblia do cinema autoral. Segundo a publicação, Foxcatcher é ‘um filme majestoso e de amplidão considerável’. É muito mais que Cahiers escreveu sobre os demais finalistas. Dos cinco indicados para filme estrangeiro, quatro estão em cartaz. O provável vencedor, o russo Leviatã, o polonês Ida, o argentino Relatos Selvagens e o africano Timbuktu. Falta o representante da Estônia, Tangerines, mas nada indica que será o vitorioso.

Como sempre, e a despeito do que dizem os críticos, o prêmio da Academia segue sendo o troféu mais disputado do mundo. O caso de filme estrangeiro, que a Argentina já ganhou duas vezes - por A História Oficial, de Luis Puenzo, e O Segredo de Seus Olhos, de Juan José Campanella -, contra nenhuma do Brasil, representa um grito entalado na garganta dos brasileiros, que vivem uma eterna disputa (esportiva?) com os vizinhos do Prata. Desta vez, malgrado as surpresas, é difícil que os argentinos consigam fazer 3 a 0.

Prêmios de interpretação garantem o glamour da festa

É sempre a parte mais glamourosa do Oscar - os prêmios de interpretação. Este ano, está havendo uma grita generalizada na ‘América’. Os afro-americanos sentem-se discriminados. As mulheres, também. Entre 20 indicados para os prêmios de interpretação - melhor ator e atriz, melhores coadjuvantes -, não há um só negro. É a terceira vez, desde 1988, que isso ocorre. Entre os roteiristas e diretores finalistas, não há uma mulher. A hashtag #OscarsSoWhite tem deitado e rolado.

Em Cannes, no ano passado, o repórter já antecipava que Steve Carell iria para o Oscar por seu papel em Foxcatcher - Uma História Que Chocou o Mundo, de Bennett Miller. Não deu outra. Mas ele não leva - os indicadores e as bolsas estão referendando Eddie Redmayne, por sua admirável criação como Stephen Hawking em A Teoria de Tudo, de James Marsh. Ele merece e tudo indica que leva - confira nos cinemas -, mas sempre se poderá dizer que houve injustiça, porque Benedict Cumberbatch consegue ser tão bom e talvez até melhor como o matemático Alan Turing em O Jogo da Imitação, de Morten Tyldum.

Também em Cannes, 2013, o repórter disse a Marion Cotillard que ela tinha uma interpretação de Oscar em Dois Dias, Uma Noite, dos irmãos Dardenne, que estreia nesta sexta. Ela não foi a melhor atriz do festival, mas está entre as finalistas para o prêmio da Academia, que já ganhou por sua Piaf. Julianne Moore é favorita por Still Alice, Para Sempre Alice, com estreia prevista no Brasil em 12/3, como uma mulher que sofre de Alzheimer. O Globo de Ouro, o Sindicato dos Atores, todos se curvaram perante Julianne. Ela já foi indicada outras vezes, e não levou. Agora, tudo indica que leva - a menos que seja atropelada por Marion. A francesa, afinal, é queridinha da Academia, e se Julianne ganhou nos outros foros é porque ela não concorria.

Tem gente que se pergunta o que Laura Dern faz entre as candidatas a melhor coadjuvante, por Livre? Quem assim pensa se engana, porque ela é ótima como a mãe de Reese Whiterspoon no filme de Jean-Marc Vallée. Meryl Streep, a bruxa cantora de Caminhos da Floresta, de Rob Marshall, está lá pro forma, para fazer valer seu imenso prestígio, mas tudo indica que Patricia Arquette vai bisar seu Globo de Ouro de coadjuvante por Boyhood - Da Infância à Juventude, de Richard Linklater. Melhor ator coadjuvante? Sorry, mas não tem para ninguém. J.K. Simmons é a grande aposta, por Whiplash - Em Busca da Perfeição, de Damien Chazelle.

Já que se trata de um prêmio da indústria, mas também porque se trata de uma fotografia admirável, a de Invencível, de Angelina Jolie, deveria ganhar.

O ano passado registrou uma queda de 5,2% no box-office dos Estados Unidos, mas dezembro, paradoxalmente, registrou uma melhora em relação a 2013. Mais gente, cerca de 7%, foi aos cinemas no fim do ano. Principalmente, para ver o filme de Angelina e O Hobbit 3, de Peter Jackson, que são (muito) bons.

Em cartaz

Birdman

Boyhood: da Infância à Juventude

O Grande Hotel Budapeste

O Jogo da Imitação

Selma

A Teoria de Tudo

Whiplash

Dois Dias, Uma Noite Livre

Caminhos da Floresta

Ida

Leviatã

Timbuktu

Relatos Selvagens

Foxcatcher

Operação Big Hero

Em DVD

Garota Exemplar

O Grande Hotel Budapeste

Como Treinar o Seu Dragão 2

Os Boxtrolls

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