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A memória do esporte olímpico brasileiro é tema de mostra na Cinemateca

Serão exibidos filmes de Cacá Diegues, Laís Bodansky, Ugo Giorgetti, entre outros diretores

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

04 Agosto 2016 | 11h36

Embora a ideia de sediar os Jogos Olímpicos no Brasil nunca tenha sido uma unanimidade - e as críticas tenham se acirrado, em função da crise, nos últimos tempos -, o tão esperado momento chegou. A cerimônia de abertura ainda será nesta sexta, 5, às 19 horas, e quem assistiu ao ensaio geral garante que os cineastas Fernando Meirelles e Daniela Thomas e a coreógrafa Deborah Colker montaram um espetáculo para ficar na história. O País vive em tempo de Olimpíada e o cinema integra-se ao mo(vi)mento.

A Sala Cinemateca, passado o imbróglio que afastou e reconduziu Olga Futemma ao cargo de coordenadora-geral, sedia, a partir de quinta, 4, o projeto Memória do Esporte Olímpico Brasileiro. Desde 2011, uma comissão formada pela produtora Elisa Tolomelli, a diretora Lina Chamie, o roteirista Heber Moura e o crítico Newton Cannitto avaliou 600 projetos e selecionou 47. São obras que resgatam e documentam a memória do esporte olímpico brasileiro, centradas na trajetória dos esportistas. Quando o Barão de Coubertin resolveu resgatar, na era moderna, o ideal do espírito olímpico grego, sua ideia era justamente celebrar o esforço humano e, quem sabe, promover o conceito de uma Terra sem fronteiras, unida pelo esporte. O esforço humano celebra-se em cada disputa. Já a universalidade...

Na época da Guerra Fria, EUA e URSS (quando ainda existia) transformavam a disputa pelo ouro em ideologia. Em 1936, Adolf Hitler quis fazer da Olimpíada de Berlim a celebração do super-homem ariano, no centro de seu projeto racista para erigir o Reich que duraria mil anos, mas não contava que um corredor negro norte-americano fosse estragar sua festa. Jesse Owens fez história e até a cineasta Leni Riefenstahl, que fazia o documerntário oficial do evento, rendeu-se à beleza do atleta (e do seu feito) em Olympia. O mundo mudou, mas a busca pelo ouro segue sendo mais que esporte. Envolve dinheiro, prestígio, tecnologia.Permanece o básico. São sempre homens e mulheres no pódio. Quantos brasileiros conquistarão o ouro, a prata, o bronze em 2016? Quantas vezes iremos estufar o peito e nos perfilar ao ouvir o hino, o 'Ouviram do Ipiranga...'?

Os 47 documentários podem ser vistos em plataforma online - www.memoriadoesporte.org.br/documentários -, mas também estarão, até 14, em sessões diárias na Cinemateca, para ser vistos na tela grande. A quinta edição somou sete documentários ao acervo do projeto, que já inclui obras de diretores como Cacá Diegues (No Meio do Caminho Tinha Um Obstáculo, sobre a ligação do cavaleiro Rodrigo Pessoa com seu cavalo Baloubet du Rouet), Murilo Salles (Reinaldo Conrad - A Origem do Iatismo Vencedor), Ugo Giorgetti (México 1968 - A Última Olimpíada Livre) e Laís Bodansky (Mulheres Olímpicas). Os sete novos são - A Luta de Um Homem Só, sobre as batalhas de Diogo Silva dentro e fora dos tatames; A Praia em Atlanta, sobre o protagonismo de quatro atletas na Olimpíada dos EUA; Buck - O Monstro da Lagoa, sobre o lendário treinador do Flamengo, Guilherme Eirado Silva; 800M, sobre a amizade de atletas míticos como Joaquim Cruz, Zequinha Barbosa e Agberto Guimarães; João Gonçalves - Forte em Poderoso, sobre o multi-atleta; Piedade! Piedade!, sobre a nadadora Piedade Coutinho, a mais bem colocada do Brasil em Olimpíadas; e Sarah - Menina de Ouro, sobre a primeira campeã olímpica brasileira de judô.

 

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