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'A Melhor Escolha', de Richard Linklater, está entre as estreias da semana

Longa narra a história de três amigos que se reúnem para buscar o corpo do filho de um deles, morto no Iraque; veja o que chega às telonas

Luiz Zanin Oricchio e Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

22 Março 2018 | 06h00

A Melhor Escolha - BOM 

Muitos anos depois de terem lutado no Vietnã, três amigos voltam a se reencontrar. A circunstância não é festiva - o filho de um deles foi morto no Iraque. Larry ‘Doc’ Shepherd (Steve Carell) pede que seus antigos companheiros, Sal Nealon (Bryan Cranston) e Laurence Fishburne (Richard Mueller) o acompanhem para receber o corpo do rapaz e enterrá-lo. A Melhor Escolha (Last Flag Flying), de Richard Linklater, faz desse enredo uma confluência de temas. O reencontro de velhos amigos não se limita à esfera pessoal envolvida nesse tipo de situação. É também comentário da implacável passagem do tempo e de como tudo muda para que, às vezes, tudo permaneça igual. “Cada geração tem sua guerra”, diz um personagem a outro. Antes deles, fora a Coreia; com eles, o Vietnã. Em 2003, o Iraque, que leva o filho de outro deles. O que será amanhã? Não se sabe.

O certo é que haverá outra guerra e mais outra, envolvendo gerações sucessivas. O aspecto humano amplifica a dimensão política do drama. São três destinos muito diferentes. ‘Doc’, o pai enlutado pela morte do filho, passou algum tempo na prisão depois de dar baixa. Sal é dono de um bar, cínico e desbocado, mas também consciência crítica do trio. Mueller tornou-se pastor evangélico depois de lutar com seus fantasmas e limitações. Como todo filme de Linklater (Boyhood) este é falado e cheio de arestas. É antibélico, mas não de maneira ingênua. O sentimento dos três ex-combatentes em relação à Marinha é ambivalente. A expectativa de uns em relação a outros também é ambígua. Há o desconforto em reencontrar o amigo e nele ver o espelho do seu próprio envelhecimento. Mas, numa sequência hilária, esse processo da decadência é devidamente ironizado e colocado em perspectiva. Numa história que tem lá suas inconsistências, sobressai o trio de atores. E, entre eles, Bryan Cranston, num papel difícil e pleno de nuances. Só por ele, o filme já valeria. Mas A Melhor Escolha tem muito mais a oferecer ao espectador. / LUIZ ZANIN ORICCHIO

Círculo de Fogo - A Revolta/ Pacific Rim - Uprising - REGULAR

Scott, filho de Clint Eastwood, e John Boyega, da nova Star Wars, estão à frente do elenco da sequência de Círculo de Fogo - A Revolta. Os monstros estão de volta e o portal corre o risco de ser reaberto no Pacífico. Os monstros são robôs gigantescos, e do lado do bem são operados por humanos. Do lado de lá o funcionamento é outro. Já virou lugar-comum comparar Círculo de Fogo a Transformers. Nada a ver, exceto nas cenas de luta. Por maior e mais barulhento que seja o filme, o ponto de vista é humano. Conflitos afetivos, familiares. E a gosma cósmica que domina a mente do vilão. Sem a direção de Guillermo del Toro, a franquia cai, mas ainda diverte. / LUIZ CARLOS MERTEN

Por Trás dos Seus Olhos - REGULAR

Em 1994, Madeleine Stowe protagonizou o thriller Blink - Num Piscar de Olhos. Cega, ela recuperava a visão e, numa fase de transição, ainda sem enxergar direito, testemunhava um assassinato. O diretor Fred Schepisi criava um suspense infernal. Agora, quem recupera a visão é Blake Lively. Em Por Trás de Seus Olhos, de Marc Forster, ela faz dona de casa cega que, após cirurgia, retoma as rédeas de sua vida. Deixa de ser dependente. O marido, sem ser vilão, torna-se estranho. O filme expressa o mal-estar para questionar identidade. Como estudo psicológico, tem méritos. E propõe algumas surpresas fortes. / LUIZ CARLOS MERTEN

Soldados do Araguaia - BOM

Em Soldados do Araguaia, o diretor Belisário Franca encontra ponto de vista inusitado para falar sobre a guerra suja travada entre as Forças Armadas e a esquerda em armas no tempo da ditadura. Debruçando-se sobre o episódio da Guerrilha do Araguaia, Belisário ouve um grupo de homens forçados a integrar o Exército para “combater o comunismo”. Sem treinamento ou preparo formal, habitantes locais foram alistados à força para lutar contra uma ideologia que desconheciam, um ‘inimigo’ que ignoravam e, no fim dos combates, viram-se entregues à própria sorte. Soldados do Araguaia mostra quanto o período da ditadura é ainda cheio de pontos obscuros. / LUIZ ZANIN ORICCHIO

A Odisseia/L’Odyssée - BOM

Décadas atrás, Jacques-Yves Cousteau (1910-1997) tornou-se personalidade mundial por suas aventuras no navio Calypso, o amor pelo mar e a defesa da ecologia. Em A Odisseia, o diretor Jérôme Salle busca recriar a saga do Comandante e sua família. Cousteau (Lambert Wilson) é visto a princípio como um idealista que se aventura pelos oceanos com esposa (Audrey Tautou) e os filhos a bordo. Não é tratado como santo. O filme expõe as tensas relações familiares do Comandante com a mulher e filhos, e, apesar do tom crítico, não deixa escapar a redenção final, sempre bem-vinda pelos produtores de obras do gênero. / LUIZ ZANIN ORICCHIO

A Livraria/The Bookshop - REGULAR

A Livraria, de Isabel Coixet, ganhou o Goya, o “Oscar” espanhol. Vendo-se o filme, não se entende bem a razão desse reconhecimento. Embora dirigida por uma espanhola, a história tem DNA britânico. Passa-se na Grã-Bretanha, é falada em inglês e interpretada por ingleses. A autora do romance, Penelope Fitzgerald, nasceu e morreu no Reino Unido. Embora bem-intencionada, a trama é cheia de inconsistências. Florence (Emily Mortimer) fica viúva e decide realizar seu sonho, tornando-se dona de uma livraria. Para tal, muda-se para uma cidadezinha da costa britânica, tão encantadora quanto intolerante. Lá, Florence torna-se alvo da inveja e maledicência. Em especial, de uma moradora, que almeja despejar a livreira do imóvel onde se instalou. O filme tem visual bonito, boas interpretações e defende o potencial civilizatório dos bons livros. Como ser contra? Mas o enredo gira em falso em sua falta de verossimilhança, feita de conflitos tão implausíveis como superficiais. / LUIZ ZANIN ORICCHIO

Pedro Coelho

Comédia acompanha as aventuras de Pedro, um coelho rebelde que apronta todas no quintal de Mr. McGregor (Domhnall Gleeson) pelo tesouro em vegetais que está enterrado em seu jardim proibido. A relação fica ainda pior quando ambos passam a brigar pela atenção da vizinha bondosa e amante dos animais Bea (Rose Byrne). / LUIZ ZANIN ORICCHIO

Château - Paris/La Vie de Château - BOM

A cidade multiétnica e multicultural é protagonista de Chateau Paris. Seu personagem é Charles (Jacky Ido), originário da Costa do Marfim, cuja a função é atrair clientes para os salões de beleza do bairro popular de Chateau d’Eau, na capital francesa. Cheio de vida, o filme luta com dificuldades, mas ganha pontos pela simpatia. / LUIZ ZANIN ORICCHIO

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