Warner Bros.
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'A Maldição da Chorona' remete às áreas mais sombrias da mente humana

Em clima de muita tensão, 'A Maldição da Chorona', filme do Midas do terror, o produtor James Wan, integra o universo de 'Invocação do Mal'; veja trailer

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

29 de abril de 2019 | 03h00

Há algo de sinistro nos filmes de terror de James Wan, que remetem sempre às áreas mais sombrias da mente humana. O mal não se deve a nenhuma maldição ancestral, mas a uma deturpação do humano. De cara, em A Maldição da Chorona, somos projetados num universo paradisíaco. Um marido presenteia a mulher com um colar, numa bucólica cena desenrolada no México, séculos atrás. Brincam com os filhos, e de repente o caçula está sozinho. Com medo, o menino chama “mamá! mamá!” e encontra a mãe com o rosto transtornado afogando o irmão. Ela corre atrás dele para matar. Você já ouviu falar de Medeia, que matou os próprios filhos para se vingar do marido. Aos poucos, a história da Chorona vai sendo desenrolada.

Corte para a atualidade. Uma assistente social, Anna, investiga por que duas crianças sob sua supervisão deixaram de ir à escola. Encontra a mãe enlouquecida, as crianças em cativeiro. São levadas para uma instituição, sob protestos da mãe, que adverte – “A Chorona virá buscá-las!” Não ocorre outra coisa e, de repente, é a própria assistente que está enfrentando a desconfiança de todos. Viúva de um policial, seus filhos passam a apresentar marcas de violência, como se ela estivesse abusando deles. O padre é o único que lhe dá atenção. Ele conta a história da Chorona, que matou os filhos para se vingar do marido adúltero. Depois, consumida pelo remorso, ela passou a buscar outras crianças. Para substituir as suas? Não – para também afogar. A Chorona tentará matar o casal de filhos de Anna/Linda Cardellini. Precavida, ela se colocou sob a proteção de Rafael/Raymond Cruz, outro padre que renegou a Igreja, mas não Deus.

A maquiagem que transforma Marisol Ramirez na Chorona não é só bem-feita. É assustadora. A bela mulher vira um monstro. Tenta afogar a menina na banheira de casa, tem aquelas unhas medonhas de bruxa. Mas, na verdade, não é a maquiagem que assusta em A Maldição da Chorona. É essa ideia de que todo mal vem do humano. A Chorona soluça, verte suas lágrimas, mas isso não a impede de ser quem é. Cuidado com as crianças, porque é da natureza dela, da natureza do mal, provocar destruição. Spoiler: depois que tudo está resolvido, aquela pocinha d’água ali no chão – o que é? Lágrimas? A Chorona vai voltar? Com toda certeza, James Wan tem o toque de Midas. Tudo o que toca, seus filmes de terror, viram hits.

Foi a pior Páscoa nos cinemas dos EUA, em muitos anos. A indústria preferira resguardar-se para não prejudicar o grande lançamento do ano. No Brasil, Vingadores – Ultimato estreou na quinta, 25. Nos EUA e Canadá, na sexta, 26. Para salvar a Páscoa norte-americana, só a Chorona. Lançado no feriadão, o filme faturou US$ 20 milhões e liderou as bilheterias nos EUA, no Brasil. Razoável, mas nada que se compare a Vingadores, que faturou, no fim de semana, US$ 1.2 bilhão em todo o mundo. A Chorona terá sequência? O final em aberto é uma aposta de que sim. Mas foi a pior abertura da série Invocação do Mal. O que tem a ver? O vínculo existe porque Tony Amendola reprisa o papel do Padre Perez, de Conjuring e Annabelle. A boneca aparece rapidamente na Chorona. A cena que seria crucial foi cortada, mas deve ir para os extras no DVD. Anna pergunta o que fazer com o colar e Padre Rafael sugere enviar para um casal que investiga atividades paranormais na Califórnia – Patrick Wilson e Vera Farmiga, claro.


 

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