"A Luta pela Esperança" traz o boxe de volta às telas

O cinema versus o pugilismo rendeu desde clássicos como Punhos de Campeão, de Robert Wise, e Touro Indomável, de Martin Scorsese, Corpo e Alma, de Robert Rossen, O Invencível, de Mark Robson, e o lacrimogêneo O Campeão de Franco Zeffirelli, entre outros. Nesta sexta, estréia o bom filme A Luta pela Esperança, de Ron Howard, com Russell Crowe no papel do pugilista irlandês Jim Braddock. Curiosa figura, a deste Ron Howard. Nós o vimos crescer diante da câmera. Garotinho, interpretou a deliciosa comédia Papai Precisa Casar, de Vincente Minnelli. Adolescente, integrou o elenco de Loucuras de Verão, de George Lucas, e logo em seguida foi visto no western crepuscular O Último Pistoleiro, de Don Siegel, no qual era pelos seus olhos que o público acompanhava a agonia do personagem do lendário John Wayne. Foi um carreira e tanto, mas Howard nunca foi catapultado à condição de astro. Virou estrela por trás das câmeras. Diretor de grandes sucessos de público, venceu o Oscar da categoria por Uma Mente Brilhante. Como Hollywood tem um talento especial para investir no errado, o Oscar consagrou justamente um dos filmes menos logrados de Howard. Ele é melhor na simpática comédia Splash, Uma Sereia em Minha Vida, no começo de sua carreira, e muito melhor no western Desaparecidas, que fez pelo seu prazer, consciente de estar acrescentando um fracasso de público à sua filmografia, e agora em A Luta pela Esperança. O sucesso deve sorrir-lhe de novo com O Código da Vinci, que finaliza para estréia em 2006. O mais interessante na obra do diretor é que ela muitas vezes faz a síntese dos dois temas por excelência do cinema americano - a segunda chance e a volta ao lar, celebradas, por exemplo, em Apollo 13. Braddock existiu. Pugilista promissor em 1929, perdeu o pé na carreira e, durante a depressão econômica dos anos 30, foi reduzido quase à indigência, trabalhando nas docas de Nova York para alimentar (mal) a família. Chegou a mendigar, passando o chapéu entre antigos amigos da fase de opulência. No desespero, conseguiu uma luta, e ganhou. Subiu de novo, contra tudo e todos. Virou a esperança dos miseráveis dos EUA, culminando na luta do título.Howard não é um grande cineasta, mas às vezes supera as próprias limitações. A luta é de uma brutalidade estarrecedora, e muito bem filmada, além de tecnicamente perfeita como assegura o especialista do Estado na cobertura da área, Wilson Baldini Jr. Howard, talvez por ter sido ator, sabe dirigir seus elencos para atuações memoráveis. Russell Crowe é magnífico e você poderá perguntar qual é a novidade, já que ele é sempre ótimo. Arrogante na vitória do começo, quando passeia soberbo pelo ringue, ele transmite o porquê de Jim Braddock ter sido um lutador tão obstinado. Tão boa quanto Crowe é Renée Zellweger, como a mulher que vence o próprio medo para apoiar o homem amado. É uma linda história de amor, a dos dois. A Luta pela Esperança (Cinderella Man, EUA/2005, 144 min.). Drama. Dir. Ron Howard. 14 anos. Em grande circuito. Cotação: Bom

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