Ian Lagsdon/ EFE
Ian Lagsdon/ EFE

A imigração segundo Aki Kaurismaki agrada em Cannes

Fora da competição, Jodie Foster exibe 'Um Novo Despertar' e fala de Mel Gibson

Mateo Sancho Cardiel - Efe,

17 de maio de 2011 | 11h22

Com o mérito suficiente de estar a altura do que lhe era esperado, o finlandês Aki Kaurismaki apresentou na manhã desta terça-feira, 17, em Cannes, outra porção do humor estático e do romantismo residual que o caracteriza, mas com uma pitada de conteúdo social, com o filme Le Havre.

 

O diretor de O Homem Sem Passado (2002) e Nuvens Passageiras (1996) compete pela quarta vez à Palma de Ouro, com este filme sobre imigração, protagonizado por um engraxate da estação de Le Havre, enquanto sua mulher se interna em um hospital e conhece um adolescente africano perseguido pela policia.

 

"A imigração é um problema grande demais para se dar respostas. Tudo vem da colonização e é um pouco tarde para corrigir isso, mas se os políticos saem de suas acomodações no hotel e de suas Mercedes, talvez as coisas comecem a mudar um pouco", disse o mais famoso dos cineastas finlandeses.

 

Le Havre, ainda que rodado todo na França e em francês, soa muito à Finlândia, graças ao trabalho de iluminação tênue e parcial, ou ao código dadaísta de conduta dos personagens. "A cidade de Le Havre era minha última esperança e, na verdade, é um lugar triste, ainda que não o suficiente para o que eu queria fazer. Mas era o mais perto que minha cabeça podia estar da Finlândia", explicou o diretor durante coletiva de imprensa no festival.

 

Em Le Havre, portanto, constrói-se esse microcosmos pausado e hilário em que, apesar do ambiente gélido, um coração suave palpita dentro de cada personagem, o que leva a um terno - e nada moralista - conto sobre a solidariedade.

 

Durante a coletiva, o diretor respondeu a perguntas com ironia. Quando um jornalista começou uma pergunta com "Você acha irônico...", Karuismaki o interrompeu para responder: "Tudo". E quando acabou a pergunta com "que a esperança exista somente nos filmes e não na vida?", o diretor contra-atacou: "Se a vida lhe parece decepcionante, terá que perguntar a ela e não a mim". Ao final da conversa com a imprensa, os presentes o aplaudiram quase tanto quanto a seu filme.

 

Um Novo Despertar

 

Fora da competição, a atriz norte-americana Jodie Foster, apresentou seu terceiro filme como diretora, Um Novo Despertar, com Mel Gibson no papel de um homem deprimido que encontra sua válvula de escape em um fantoche de pelúcia.

 

"Mel é alguém que entende o humor, a luz e o encanto do personagem, mas também conhece profundamente sua luta para seguir adiante, a ideia de não gostar de si próprio e tentar mudar", declarou a diretora.

 

Foster se mostrou confortável e feliz durante o Festival, apesar do fracasso que teve nos Estados Unidos com o filme, que arrecadou apenas US$ 300 mil desde sua estreia no início de maio.

 

"Eu não sou o caixa de meus filmes. Estou orgulhosa que este filme em que pensei durante anos finalmente exista, fale e ande", completou a atriz vencedora da Palma de Ouro por Taxi Driver, em 1973.

 

A diretora falou ainda de Mel Gibson, que não compareceu à coletiva, e que atualmente enfrenta problemas com a justiça sob acusação de violência doméstica. "Todos somos responsáveis por nossos atos e eu não posso falar por ele, mas o conheço há muitos anos e ele é o ator mais querido de Hollywood".

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