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'A grande coisa sobre ícones, como Sherlock, é que eles são rebeldes', diz diretor de 'Enola Holmes'

Por trás de séries como 'Fleabag' e 'Killing Eve', Harry Bradbeer dirige Millie Bobby Brown no novo filme 'Enola Holmes', da Netflix

Entrevista com

Harry Bradbeer

Leandro Nunes, O Estado de S.Paulo

18 de setembro de 2020 | 05h00

Não se trata de opinião. As séries britânicas dos últimos anos estão batendo qualquer sucesso da comédia norte-americana. Embora não tenham a mesma circulação mundial, produções como Fleabag (2016-2019) chegaram ao topo dos prêmios ao trazer consigo uma irreverência quase natural.

No mesmo impulso, Killing Eve, que estreou em 2018, inspirada na obra de Luke Jennings, tem a verborragia tradicional do teatro inglês e é recheada de bons absurdos, na perseguição entre as personagens de Sandra Oh e Jodie Comer.  

 A concorrência é tamanha que as duas atrizes também disputam o Emmy deste domingo, 20, na mesma categoria. O bom trabalho realizado na frente das telas e nos roteiros se completa na direção. O nome é Harry Bradbeer, que dirigiu ambas as produções e está na condução de Enola Holmes. Na coletiva virtual, ele comentou as semelhanças no trabalho das séries com o longa de Millie Bobby Brown

O filme usa um recurso semelhante ao da série ‘Fleabag’: a protagonista fala com a câmera, como uma confidente. É um modo diferente de acrescentar humor à personagem? 

Acho que tem a ver com a energia que colocamos e a excentricidade das personagens. Meu desejo é explorar a vulnerabilidade dessas figuras. Apesar de Enola falar com segurança e confessar coisas, ela também está desesperada. Em uma criação dramática, é como descascar as camadas das nossas autodefesas para chegar a quem somos. 

Qual sua relação com as histórias de Sherlock e como explicar a força do personagem até hoje? 

Li Sherlock pela primeira vez quando tinha uns 12 anos, na escola. Fui capturado pela trama de O Cão dos Baskervilles. Era assustador ler aquilo à noite. Sherlock é um personagem que você sente que conhece completamente, mas ele é um ícone. E a grande coisa sobre ícones é que eles são rebeldes à luz da interpretação.

Como é criar um filme com uma atriz jovem, mas que também consiga atrair diferentes audiências?

Posso dizer que nunca fiz um trabalho para jovens. Eu conto histórias para todos. É preciso assumir que sua audiência é esperta, guardar algumas surpresas, e fazer acontecer. A Millie é jovem – ela tinha 15 anos quando gravamos – mas acho que o filme é feito para adultos. Os jovens podem curtir a energia e as cenas de aventura, mas há o tema de direitos humanos, e uma 

família disfuncional.

 

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