Dave Alloca/AP
Dave Alloca/AP

A genealogia artística de Robert De Niro

No Festival de Sundance, ator exibe documentário em que explora a colaboração do pai às artes plásticas

Piya Sinha-Roy, Reuters

20 de janeiro de 2014 | 21h20

Robert De Niro pode ser mais conhecido como o ator vencedor de dois prêmios Oscar, mas é o papel de filho devotado que ele assume em seu novo trabalho. Agora, os holofotes estão sobre seu pai, Robert, e sua obra inspiradora mas pouco conhecida atuação no movimento da arte expressionista abstrata de Nova York.

Premiado pela atuação em O Poderoso Chefão II e Touro Indomável, o intérprete de 70 anos exibiu no domingo no festival de Sundance, em Utah, nos Estados Unidos, Remembering the Artist Robert De Niro, Sr., documentário da HBO sobre seu pai, que foi contemporâneo de Jackson Pollock e Willem de Kooning.

Além de mostrar sua carreira, o filme apresenta um homem carinhoso com quem De Niro afirma ter tido um relacionamento bastante próximo. Contudo, conforme a carreira do ator começou a decolar, ele passou a sentir que seu pai demonstrava certo ressentimento por seu próprio trabalho nunca ter sido reconhecido por um público maior.

Para De Niro, a produção, que será exibida pela HBO norte-americana, presta uma homenagem a seu pai, cujas telas ainda estão em exposição em galerias de todo o mundo, além de na memória de seus filhos. “Entendo agora a importância de as crianças perceberem certas coisas que seus pais querem compartilhar com elas”, afirma, emocionado, durante o filme.

Robert pai cresceu em uma conservadora família ítalo-americana em Nova York, e casou-se com a também artista Virginia Admiral, com quem teve De Niro. A união não duraria muito, e o casal separou-se amigavelmente.

O expressionismo abstrato surgiu após a Segunda Guerra Mundial, e foi o primeiro movimento norte-americano que notavelmente estabeleceu uma era estilística. Mesmo tendo trabalhado durante esse período, Robert pai nunca foi considerado um expressionista. Antes, referiam-se a ele como um figurativista que não raro retratava naturezas mortas de forma simples e “sem pretensão”, como o filme de meia hora descreve.

Robert pai batalhou para conquistar o sucesso de alguns de seus contemporâneos e trabalhou duro para aprimorar suas habilidades e estilo. Distanciou-se incrivelmente do movimento expressionista abstrato, inspirando-se mais e mais em artistas franceses do começo do século 20, como George Roux, Pierre Bonnard e Henri Matisse. Seus trabalhos passaram a incluir paletas de cores vibrantes e intensas e silhuetas fluídas.

“Ele não achava que certas coisas que assim eram consideradas fossem arte. Seu estilo manteve-se o mesmo ao longo do tempo. Variava um pouco, mas não muito”, afirmou De Niro na estreia do filme.

De Niro investigou profundamente o caminho artístico percorrido por seu pai em diários que revelavam suas lutas pessoais, seu relacionamento com Deus e suas tentativas de aceitar sua homossexualidade. O ator afirma que ele, morto em 1993 vítima de um câncer na próstata, pode nunca ter resolvido essas questões.

Fundador do Festival de Cinema de Tribeca, em Nova York, mostra de filmes independentes, De Niro decidiu levar Remembering the Artist Robert De Niro, Sr. a Sundance, o maior evento do gênero do país, para que o foco estivesse totalmente sobre o trabalho e o legado do artista. “Ficamos realmente animados por termos sido escolhidos para Sundance, porque é algo à parte de Tribeca, o que permite que vejamos o trabalho do pai de Bob por si só em um ambiente diferente do que veríamos em Nova York”, comentou a produtora Jane Rosenthal.

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