A face machista do Oscar

A face machista do Oscar

77% das pessoas da Academia são homens

Raquel Brandão Inácio , O Estado de S. Paulo

18 de fevereiro de 2015 | 14h21

A edição de 2015 do Oscar tem gerado polêmica. Nas redes sociais, hashtags indicam: neste ano, negros e mulheres são pouco representados pelos filmes concorrentes. O único que tem protagonista negro é Selma, indicado a Melhor Filme, que retrata a luta de Martin Luther King. No entanto, a diretora  do longa, Ava DuVernay, não figura entre os concorrentes a Melhor Direção. É a primeira vez desde 2006 que nenhuma mulher é indicada a nenhum dos 5 grandes prêmios além de Melhor atriz e nenhum dos indicados a melhor filme tem protagonista mulher.

Nesta edição, completam-se 10 anos do prêmio de Menina de Ouro, vencedor do melhor filme em 2005 e último a ganhar com protagonista feminina.

Veja lista de filmes com mulheres como protagonista e que tiveram indicações a melhor filme nos últimos anos:

Desde sua criação, o Oscar demorou 81 anos para premiar sua primeira diretora mulher. A vencedora foi Kathryn Bigelow por Guerra ao Terror em 2010. Nunca na história um diretor negro venceu, e a última chance para que isso acontecesse foi ano passado quando Steve McQueen perdeu para Alfonso Cuarón, parte de outra minoria, os latinos. 94% das pessoas da Academia são brancas, 2% são negros e 2% são latinos. A média de idade na instituição é de 63 anos, sendo que 77% são homens.

O perfil dos votantes afeta não somente os vencedores, mas também os tipos de histórias contadas. Este ano, o Oscar deixou de lado vários bons filmes em que uma mulher é a personagem central. Garota Exemplar, Dois Dias, Uma Noite e Livre são alguns deles. Dos indicados a melhor filme, Selma: Uma Luta Pela Igualdade é o único que não está centrado na história de um homem branco e, coincidentemente, é o que tem menos indicações. Apenas duas.

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