EFE/EPA/CLAUDIO ONORATI
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A contribuição de Francesco Rosi para o cinema

Italiano adaptou obras de grandes escritores, como Gabriel García Márquez

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

11 Janeiro 2015 | 18h33

Roberto Saviano, que escreveu um livro contundente sobre aMáfia – Gomorra –, disse que ninguém falou sobre o poder, na Itália, comoFrancesco Rosi. Inativo desde 1997, quando estreou seu último filme – La Tregua–, o grande diretor morreu sábado, em Roma. Tinha 92 anos. Rosi Filmou roteirosoriginais e desenvolveu um tipo de filme dossiê que chamava de ‘cinemadocumentado, não documentário’. Adaptou grandes escritores – Gabriel GarcíaMárquez, Leonardo Siscia, Primo Levi. Ganhou o Leão de Ouro por Le Mani sullaCittà em 1963 e a Palma de Ouro em 1972, por O Caso Mattei (ex-aequo com AClasse Operária Vai ao Paraíso, de Elio Petri). Nos anos 2000, ganhou prêmiosde carreira em Berlim e Veneza.

Rosi foi assistente de Luchino Visconti. Admitiu numaentrevista que ter sido colega de aula de Visconti e George Napoleatano –futuro presidente da Itália – foi decisivo. “Um me revelou a arte, o outro, apolítica.” Desde o começo, o cinema de Rosi foi enjado, realista. Mas com OBandido Giuliano, em 1960, ele encontra sua via. Abandona a dramaturgiatradicional, rejeita o maniqueísmo simplista. Começa a grande fase dos filmesque vão fazer história discutindo (e denunciando) o poder.

São filmes de processo, indagadores da própria linguagem. Às respostas, Rosi prefere perguntas. Faz documentários nas bordas da ficção. Suas melhores ficções – Uomini Contro, Cristo Parou Éboli, Três Irmãos, Cadáveres Ilustres – têm muito de documentários. Rosi ofereceu grandes papeis a atores especiais – Rod Steiger (Le Mani), Gian Maria Volontè (Mattei), Alain Cuny (Uomini Contro), Charles Vanel (Três Irmãos). É imposspível imagfinar a grandeza do cinbema italiano sem a contribuição desse artista visceral.

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