"A Casa dos Bebês" discute o drama da adoção

Em A Casa dos Bebês, o diretor americano John Sayles deseja estudar a indústria da adoção. Mas dá um passo além. Faz com que suas personagens, seis mulheres americanas, se desloquem até um país da América Latina em busca de bebês que obviamente são "adotáveis" porque suas mães não têm meios para criá-los. Preferem dá-los às gringas porque assim, presumivelmente, as crianças terão um futuro melhor. Sayles introduz em cena a questão econômica - e, claro, política - que divide o mundo entre países ricos e pobres, como preconiza a linguagem anódina e politicamente correta atual. Então na tal da Casa dos Bebês seis norte-americanas convivem e conversam enquanto esperam os trâmites burocráticos para que possam levar as crianças embora. A idéia de Sayles, ao trabalhar na interação entre essas mulheres, é propor um contraste entre as motivações de cada uma. Há aquela que precisa adotar porque não pode ficar grávida. Outra não consegue viver um relacionamento estável e quer um filho - e a adoção lhe parece a forma mais simples de produção independente. Há também aquela que saiu de uma crise brava de alcoolismo e precisa de alguma coisa, ou de alguém, que dê sentido à sua vida. Um bebê seria algo como uma terapia de apoio. E há também a cínica, que trata a adoção como um negócio e chega mesmo a regatear o preço com a mãe natural. As pessoas são mesmo diferentes e seus temperamentos idem. O mérito do filme é dar a dimensão política de um tema aparentemente tão apolítico quanto a adoção.

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