A aids, como fato e como metáfora, em 25 filmes

Rent - Os Boêmios, musical de Chis Columbus ainda inédito comercialmente, abre hoje no Espaço Unibanco a III Cinema Mostra Aids, uma promoção do Grupo Pela Vidda. A mostra, composta de 25 títulos, procura revelar como o cinema se interessou pelo tema da aids e de que maneira a doença entrou no imaginário cinematográfico. Até o dia 25, rolam filmes como As Horas, Carandiru, Cazuza - o Tempo não Pára, O Jardineiro Fiel e Tudo sobre Minha Mãe, entre outros. São os mais conhecidos do público brasileiro e, afinal, estrearam no circuito comercial. Ao lado deles, há títulos menos manjados, como Pequenos Guerreiros - Nascidos com HIV, Transit, O Presente, O Dia em que Deus Morreu, entre outros. Entre eles, há documentários e filmes de ficção. A aids como tema de filmes já formou uma tradição recente na história do cinema, desde os pioneiros Meu Querido Companheiro, Paciente Zero, E a Vida Continua até o rompimento do tabu hollywoodiano com Filadélfia. É a assimilação de um tema difícil, que busca uma interpretação humanística e nisto o cinema tem seguido à risca a posição de Susan Sontag em A Doença como Metáfora. Tomando o câncer como ponto de partida (aliás, o seu próprio câncer), a escritora analisou como a representação social preconceituosa da doença podia ser tão danosa quanto sua ação biológica. Assim, impunha-se um filme tão delicado como por exemplo As Horas, de Stephen Daldry, uma adaptação para os dias atuais do romance Mrs. Dalloway, de Virginia Woolf. O personagem soropositivo é interpretado por um Ed Harris iluminado. Ele é o ex-namorado da protagonista, vivida por Meryl Streep. Está à beira da morte e sente-se desesperado. O cinema brasileiro também retratou a aids em seus filmes, como foi o caso do grande sucesso Carandiru, que Hector Babenco adaptou do livro de Dráuzio Varella. Dráuzio narra, de forma ficcional, sua experiência como médico na casa de detenção. O convívio com os presos, alguns dos quais soropositivos, lhe forneceu material para esse ensaio, tanto humanista quanto sociológico, da existência prisional. Outro grande sucesso do cinema brasileiro, presente na mostra, é Cazuza - O Tempo não Pára, de Sandra Werneck e Walter Carvalho. Essa cinebiografia da vida curta e plena do roqueiro, abatido precocemente pela doença, comoveu até mesmo aqueles que não eram seus fãs quando ele estava vivo. Sem nenhum apelo melodramático, o filme testemunhou essa trajetória de risco, de alguém que não fez nenhuma concessão diante de ninguém e viveu com intensidade até o fim. III Cinema Mostra Aids. Hoje, 20 h, Rent - Os Boêmios (2005), de Chris Columbus. Espaço Unibanco 3 (189 lug.) (104 lug.). Rua Augusta, 1.470 e 1.475, 3288-6780. 6.ª (19) a 5.ª (25), a partir das 18 h. R$ 5 (abertura R$ 12). Até 25/5

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