A 89ª edição do Oscar supera polêmica racial e investe em temas mais delicados

A 89ª edição do Oscar supera polêmica racial e investe em temas mais delicados

Neste mundo dilacerado, a Academia abre espaço para filmes sobre amor e família

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

24 Janeiro 2017 | 18h14

Se havia alguma dúvida, logo se dissipou. Nas redes sociais, o canto era de guerra - “La La Land is killing”, está matando. O musical de Damien Chazelle, com 14 indicações, confirmou seu favoritismo no Oscar de 2017, para os melhores do cinema em 2016. Ganhou o mesmo número de indicações de concorrentes históricos - e superpremiados - como A Malvada, o clássico de Joseph L. Mankiewicz, e o épico romântico Titanic, de James Cameron. La La Land, que no Brasil tem o subtítulo de Cantando Estações - em toda América Latina é Uma História de Amor -, concorre a melhor filme, diretor, ator (Ryan Gosling), atriz (Emma Stone) e canção. Nessa categoria, cravou duas indicações, mas deve vencer pela sublime City of Light.

O anúncio das indicações para o Oscar foi feito na madrugada de ontem, 24, em Los Angeles. A festa de entrega dos prêmios será em 26 de fevereiro, daqui a pouco mais de um mês. E embora La La Land tenha confirmado seu favoritismo, Manchester à Beira-Mar, de Kenneth Lonergan, e Moonlight - Sob a Luz do Luar, de Barry Jenkins, também estão bem cotados. Ambos concorrem nas categorias de filme e direção, às quais somam melhor ator (Casey Affleck) e melhores ator e atriz coadjuvantes (Michelle Williams e Lucas Hedges), o primeiro, e melhor ator e atriz coadjuvantes (Mahershala Ali e Naomi Harris), o segundo. Ao contrário do ano passado, em que a ausência de indicações de negros provocou protestos, este ano os afro-americanos vieram com tudo e estão super-representados.

Ruth Negga concorre a melhor atriz por Loving, de Jeff Nichols, sobre uma ligação birracial na racista América dos anos 1950 - e o curioso é que Michael Shannon, seu companheiro de elenco, foi indicado para melhor coadjuvante por Animais Noturnos, de Tom Ford. Denzel Washington cravou mais uma indicação para melhor ator, por Cercas, que também dirige (e é finalista para melhor filme). As atrizes negras dominam na categoria de coadjuvante - a já citada Naomi Harris e Octavia Spencer, por Estrelas Além do Tempo, e Viola Davis, por Cercas. Dificilmente, Meryl Streep terá sido indicada só para afrontar o presidente Donald Trump, que rebateu as críticas da atriz no Globo de Ouro dizendo que era superestimada. Mas danou-se o Trump. Como não há mais Oscar sem Meryl, ela cavou sua 20.ª indicação, um recorde, por Florence, Que Mulher É Esta?

A ‘estrangeira’ na categoria é Isabelle Huppert, indicada por Elle, o thriller de Paul Verhoeven. E Mel Gibson faz um retorno triunfal com as indicações para melhor filme, diretor e ator (Andrew Garfield) de Até o Último Homem - que estreia nesta quinta, 26. Apesar dos grandes temas (guerra, racismo, etc.), a grande novidade é a chave intimista de filmes como La La Land, Manchester, Cercas, Moonlight e o próprio Até o Último Homem, sobre um sujeito que vai à guerra desarmado e vira herói mesmo assim. No mundo dilacerado pela exclusão e pela competitividade, esse retorno ao indivíduo, ao casal, ao familiar, quer dizer alguma coisa. Carrega uma crítica ao estado do mundo, presente também na categoria de filme estrangeiro - pai e filha no alemão Toni Erdmann, de Maren Ade; marido e mulher no iraniano O Apartamento, de Asghar Farhadi. O Oscar de 2017 está chegando com toda a força.

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