78.º Oscar faz festa divertida e surpreendente

Com cenário retrô inspirado nos anos dourados do cinema, a festa do Oscar recuperou também o antigo bom humor e inovou na rapidez do espetáculo. Com o humorista Jon Stewart, apresentador do programa Daily News na TV americana, à frente da cerimônia, a entrega dos prêmios ficou parecida com um show de variedades composto de vários esquetes, muitos deles exibidos por meio de clipes, no telão.Para começar, uma homenagem aos grandes sucessos do passado, com imagens de De Volta para o Futuro, King Kong, Contatos Imediatos do 3.º Grau e atores como John Wayne e Judy Garland. Numa clara ironia com os caubóis gays de Brokeback Mountain, foi exibido um clipe com montagens de clássicos, com John Wayne e Charlton Heston, em cenas escolhidas para criar insinuação de homossexualidade - em uma delas, Wayne aparece desabotoando o cinto; em outra, um ator pergunta, ´posso ver sua espingarda´? A Academia tampouco escapou das sátiras. Numa alusão às reprimendas da Academia contra longos discursos, Tom Hanks apareceu em outro clipe de vídeo, abatido com um dardo tranqüilizante.Os apresentadores também entraram no ritmo. Na entrega do prêmio de efeitos especiais para King Kong, Ben Stiller, ?simulou? como ficaria um efeito de cromakey enquanto anunciava os concorrentes. A dupla Will Farrell e Steve Carell também entrou na dança quando os dois aparecerem maquiados para entregar o troféu de maquiagem para Crônicas de Nárnia. Sem falar na memorável dobradinha de Lily Tomlyn e Meryl Streep, que apresentaram o prêmio honorário para o diretor Robert Altman, que fez um discurso emocionado sobre sua paixão pelo cinema.Dois momentos sérios: a apresentação do clipe com uma montagem de filmes de temática social - incluindo temas que são polêmicos até hoje nos EUA, como O Sol É para Todos, sobre racismo; Rede de Intrigas e Todos os Homens do Presidente´, sobre jornalismo. E George Clooney lembrando dos que morreram, com projeção de imagens de Shelley Winters, três Oscars - um deles por O Diário de Anne Frank, Anne Banckroft de A Primeira Noite de Um Homem, o diretor Robert Wise de O Dia em Que a Terra Parou, entre outros.Um momento histórico: o rap do Three 6 Máfia apresentando a canção ´It´s Hard Out Here for a Pimp´, do filme Ritmo de um Sonho, e depois recebendo o prêmio de Melhor Canção de Queen Latifah.Premio de Melhor filme foi a maior surpresa da noiteA grande surpresa do Oscar ficou para o final: Crash - No Limite ganhou o prêmio de Melhor Filme, invertendo todas as expectativas, que apontavam para O Segredo de Brokeback Mountain. O filme de Paul Haggis ganhou também com as estatuetas de Roteiro Original e Montagem. O Segredo de Brokeback Mountain ficou com os prêmios de direção (Ang Lee), trilha sonora (o argentino Gustavo Santaolalla) e de Roteiro Adaptado (Larry McMurty e Diana Ossana). Na categoria Melhor Filme Estrangeiro, na qual concorria o filme palestino Paradise Now, que causou um polêmico manifesto israelense, a estatueta ficou com o sul-africano Tsotsi. Foi mais uma surpresa.Em todas as outras categorias, até mesmo nas mais obscuras, os favoritos prevaleceram. Não houve concentração de prêmios nas chamadas ?big five?, as cinco principais categorias artísticas. Dos principais prêmios, o de ator (Philip Seymour Hoffman, por Capote), o de atriz (Reese Witherspoon, por Johnny e June), o de ator coadjuvante (George Clooney, por Syriana) e de atriz coadjuvante (Rachel Weisz, por O Jardineiro Fiel) confirmaram a tendência.A mesma escrita se repetiu nos prêmios técnicos e secundários. King Kong lavou a alma nesse setor. O remake de Peter Jackson ficou com os prêmios de efeitos especiais, mixagem e edição de som. As Memórias de uma Gueixa, produzido por Steven Spielberg, ficou com Oscars de figurino, direção de arte e fotografia.

Agencia Estado,

06 de março de 2006 | 03h19

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