54.º Festival de Berlim dá a largada

Cannes possui o festival de cinema mais glamouroso do mundo; Veneza, o mais antigo. E Berlim? ?Nosso festival é o mais vanguardista de todos?, disse numa entrevista à agência France Presse o diretor do evento que começa hoje, Dieter Kosslick. O Festival de Berlim, ou a Berlinale, como é chamado, espera continuar valorizando sua vocação política, ainda segundo as palavras de Kosslick. Filmes da América Latina e da África, que celebra os dez anos do fim do apartheid na África do Sul, dão a tônica do evento.Mas, na mostra competitiva, há apenas um filme da América Latina, o argentino El Abrazo Partido, de Daniel Burmann, que participa da competição. O outro latino da disputa é uma co-produção americana, Maria, Llena Eres de Gracia, de Joshua Marston. Mas a Argentina tem a honra de ver um de seus principais cineastas, Fernando Solanas, homenageado com o Urso de Ouro especial pela carreira, destacando sua participação política e artística. Os demais latinos (e africanos) estão principalmente nas mostras paralelas, como a prestigiada Panorama, da qual também participa o Brasil. Cold Mountain, de Anthony Minghella, abre hoje a 54.ª edição da Berlinale. Minghella mostra hoje o filme em companhia de Jude Law, que participa da entrevista coletiva obrigatória após a exibição e logo em seguida abandona Berlim para atender a compromissos profissionais inadiáveis. Nicole Kidman, a estrela do filme, não vem à Berlinale deste ano. No ano passado, ela foi a sensação do festival, com As Horas, de Stephen Daldry, que lhe valeu, em seguida, o Oscar.Cold Mountain é um dos 3 que integram a seleção principal de 26 títulos, sem concorrer ao Urso de Ouro. Nomes importantes participarão da disputa: Ken Loach, com Ae Fondo Kiss; Theo Angelopoulos, com The Weeping Meadow; Eric Rohmer, com Triple Agent; e John Boorman, com Country of My Skull. Os EUA têm a seleção mais numerosa, com 8 títulos, incluindo o western Desaparecidas, de Ron Howard, que concorrerá ao Urso; e 2 que serão exibidos fora de concurso: Lightening in the Bottle, de Antoine Fuqua, e Alguém Tem de Ceder, de Nancy Meyer.Após as 4 indicações para o Oscar de Cidade de Deus, de Fernando Meirelles ? e a quinta indicação de um brasileiro, o animador Carlos Saldanha, pelo desenho Gone Nut, que retoma o roedor de A Era do Gelo ?, o Brasil ganha mais exposição internacional com os filmes que serão vistos em Berlim. O Outro Lado da Rua, de Marcos Bernstein; Contra Todos, de Roberto Moreira; Fala Tu, de Guilherme Coelho e Natanael Lécléry; e o curta Truques, Xaropes e Outros Artigos de Confiança, de Eduardo Goldstein, vão levar a cara do Brasil a Berlim. A participação brasileira não fica só nesses filmes. Na ausência de Diários de Motocicleta, de Walter Salles ? que Kosslick diz que havia selecionado, mas o diretor preferiu esperar por Cannes, em maio ?, será exibido o making of do filme sobre o jovem Ernesto Guevara, antes de virar o lendário Che. E o grupo Novo de Cinema, de Tarciso Vidigal, que se dedica à difusão e distribuição do cinema brasileiro no exterior, fará a festa de seu 10.º aniversário justamente na Berlinale.

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