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50 anos após Alcatraz, fuga de prisão perdura no cinema

História do ladrão Frank Morris completou meio século e foi levada às telas com Clint Eastwood

EFE

14 de junho de 2012 | 14h08

LOS ANGELES - Cinquenta anos depois da famosa fuga de Alcatraz, sua história com final incerto perdura na cultura popular transformada em um clássico do cinema carcerário, um gênero no qual muitas vezes a realidade demonstrou ser o melhor roteiro.

Clint Eastwood foi responsável por imortalizar em Fuga de Alcatraz (1979) a figura de Frank Morris, um ladrão com um longo histórico criminal e grande criatividade, que em colaboração com outros dois presos iniciou um plano para escapar da ilha transformada em prisão e situada na gélida baía de San Francisco.

Com a ajuda de colheres e meses de trabalho, os presos conseguiram ampliar os canais de ventilação com tamanho suficiente para passar por eles e chegar até uma zona de encanamentos com acesso ao telhado de onde alcançaram a margem do mar. Lá, montaram uma balsa e se aventuraram no mar em plena noite de 11 de junho de 1962.

Nunca mais eles foram vistos e o caso segue sendo um mistério para o FBI que atualmente dedicou em seu site uma galeria fotográfica para mostrar os "elaborados e inovadores planos de fuga" de Morris e seus companheiros.

Hollywood, uma indústria reticente aos finais abertos, optou em Fuga de Alcatraz por sugerir aos espectadores que os foragidos conseguiram completar o plano.

Mais claro, foi o destino dos 76 soldados britânicos e americanos que em março de 1944 saíram da prisão nazista Stalag Luft III, localizada em território polonês, através de um longo túnel subterrâneo.

O episódio foi batizado como "A grande fuga" e levado ao cinema com o filme Fugindo do Inferno (1963), que protagonizado Steve McQueen, James Coburn, Charles Bronson e James Garner.

A essa fuga em massa não faltou drama. A história chegou aos ouvidos de Hitler que ordenou que parte de suas tropas fossem em captura deles. Dessa forma, somente 3 presos conseguiram o objetivo, 23 foram enviados de volta ao campo de reclusão e 50 fuzilados.

A Segunda Guerra Mundial também foi o contexto histórico de Caminho da Liberdade (2010), filme baseado na conhecida obra de mesmo nome (1956) do autor polonês Slavomir Rawicz, que narrou a incrível odisseia para escapar de um campo de trabalhos forçados soviético na Sibéria.

Colin Farrell, Ed Harris e Saoirse Ronan dividiram o elenco dessa adaptação na qual o difícil não era deixar o gulag, campos de concentração, mas sobreviver na fria estepe até chegar à civilização.

Rawicz garantiu em seu relato que caminhou com seus companheiros de fuga até atravessar a Mongólia, o Himalaia e finalmente entrar na Índia.

A dimensão do trajeto pôs em dúvida a verossimilhança da história e, em 2006, foram lançados documentos que respaldaram a tese que ele nunca fugiu e terminou sendo libertado do gulag.

Também foi questionada a autenticidade dos fatos narrados no célebre filme Papillon (1973), com Steve McQueen e Dustin Hoffman, baseada no livro autobiográfico de Henri Charrière que foi condenado a trabalhos forçados nas colônias francesas por delitos que, segundo afirmava, não tinha cometido.

Charrière, apelidado de Papillon, encadeou tentativas de fuga frustradas até que alcançou sua liberdade desafiando o oceano com um saco de cocos como único recurso para quebrar a barreira de ondas da Ilha do Diabo.

As descrições inexatas da Ilha do Diabo feitas por Charrière levantaram suspeitas sobre a autenticidade de suas memórias.

Alheias a controvérsias são as adaptações ao cinema das fugas do piloto Dieter Dengler e do autor Billy Hayes.

Dengler, encarnado por Christian Bale em O Sobrevivente (2006), foi derrubado em 1965 sobre o Laos durante a Guerra do Vietnã e ficou prisioneiro no meio da selva onde, apesar da fraqueza pela falta de alimentos, conseguiu fugir em uma distração dos guardas. Dengler passou várias semanas perdido e à beira da morte na selva até que foi resgatado.

A fuga de Hayes valeu a Oliver Stone um Oscar ao melhor roteiro por O Expresso da Meia-Noite (1978), título da autobiografia de Hayes, que passou vários anos de sua vida em uma prisão turca por contrabando de haxixes até que, após uma infeliz tentativa de fuga, conseguiu roubar as roupas de um guarda e fugir sem chamar a atenção.

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