5.º Oscar das salas de cinema: Sessão família

CineMaterna - Encontro de mães: filme é um bom motivo para sair de casa com o bebê. Cinéfilos: nem tentem exigir silêncio durante a projeção

O Estado de S.Paulo,

20 de fevereiro de 2009 | 00h14

>   Público-alvo: um dos frequentadores da sala espera o filme começar. Foto: Felipe Rau/AE  Uma sala de exibição com dezenas de mães e bebês não é exatamente o cenário ideal para cinéfilos inveterados. Já para mulheres que deram à luz há pouco tempo, voltar a frequentar o cinema sem precisar se separar do rebento é uma ótima pedida. Criado há um ano por um grupo de amigas gestantes cinéfilas que não queria abrir mão da vida social após o parto, o CineMaterna já virou um evento organizado, com direito a código próprio de etiqueta escrito em versos. Uma das regras é a mãe se levantar para dar uma voltinha com o bebê caso ele se agite durante o filme. Em compensação, as sessões - realizadas no Espaço Unibanco da Augusta, no Shopping Frei Caneca e no Cinemark Market Place - são todas adaptadas para garantir conforto e segurança às mulheres e seus filhotes. O som é um pouco mais baixo do que nas exibições convencionais, o ar condicionado é mais brando e algumas luzes permanecem acesas. Também ficam disponíveis um trocador de fraldas e tapetes onde os bebês podem brincar. O CineMaterna, que aceita mães com crianças de até 18 meses, já contabiliza 1.300 pessoas cadastradas em seu site (http://www.cinematerna.com.br/). Na internet, as mães - e pais - elegem o filme ao qual querem assistir na semana, votando em títulos pré-selecionados pela organização. "Não é só comédia romântica, mas a gente evita filmes de terror, suspense ou que tenha muitos tiros", explica uma das idealizadoras, Irene Nagashima, mãe de Max, de um ano e cinco meses. Em parceria com distribuidoras, a organização exibe tanto filmes que estão em cartaz quanto outros que já saíram de circuito.Depois de cada sessão, o grupo se reúne num café próximo ao cinema. Nas sessões do Espaço Unibanco, por exemplo, o encontro acontece no Starbucks do Center 3. Além das três salas onde o CineMaterna acontece, o Bristol, primeiro espaço a acolher informalmente o grupo, hoje promove sua própria sessão para mães e filhos. "A gente quer que um dia todos os cinemas recebam mães com bebês e estamos estudando as salas da cidade para expandir o projeto", avisam as organizadoras. Sessões CineMaterna: Espaço Unibanco Augusta (terças-feiras, 14h, R$13); Cinemark Market Place (quintas-feiras, 14h, R$12); e Frei Caneca Arteplex (sábados, 11h, R$18) Sessão Bebê (a partir de março): Multiplex Bristol (terças-feiras, sempre na primeira sessão, R$10)   Leia mais sobre o 5º Oscar das salas de cinema BEBÊ A BORDOO Cri-crítico estava de bobeira num sábado de manhã e foi conferir um encontro do CineMaterna. Veja as impressões dele: No fim de 2008, visitei mais maternidade do que cinema. Meus amigos resolveram colocar muito filho no mundo. Então fui conferir o projeto Cine Materna e convidei um dos casais. Vimos ‘Sim, Senhor’ em uma manhã de sábado, no Unibanco Arteplex. Os bebês não pagam 1/9 da entrada. O público-alvo é o pai e a mãe com criança de colo e poucas chances de pegar um cineminha. No Cine Materna, o berreiro é liberado. Ninguém reclama do chororô do moleque do vizinho quando sabe que o seu faz igual. Fora do meu habitat, deixei meus conceitos de lado por duas horas.  No início, parecia que a garotada se comportaria. Mas logo, não importava quantas caretas Jim Carrey fazia, elas se desinteressaram pela luz da tela e revezaram-se nos agudos. Alguns pais caminhavam pela sala, ninando os pequenos. Uma menina brincava na rampa para deficientes. Outra pronunciava palavras em um idioma próprio.  Não demorou para começar a troca de fraldas. Alguns pais eram mestres: nem paravam de ler as legendas durante a complicada operação. Meu amigo teve que ir duas vezes limpar o filho na mesa montada para isso. Não entendo de psicologia infantil, mas diria que o garoto tem um senso crítico precoce e estava apenas expressando sua opinião sobre o filme. Apesar do caos, vi que todos estavam felizes por fazer um programa diferente fora de casa. Quanto a mim, disponho-me a ser o tio que levará a turminha ao cinema quando ficarem um pouco maiores e entenderem o que significa ‘shhh’. 

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