5.º Oscar das salas de cinema: De volta para o futuro

Constatamos que os exibidores estão buscando inspiração no passado para se reinventar

O Estado de S.Paulo

20 de fevereiro de 2009 | 00h01

 A melhor projeção da cidade? Tiramos essas e outras histórias a limpo   Quem garante que o Cine Windsor, na Avenida Ipiranga, não tem a melhor projeção da cidade? E que o Cine Palácio, na Avenida Rio Branco, não é o melhor cinema da América Latina? Está lá, cravado nas placas de entrada dos dois cinemas: ‘Cine Windsor: este cinema tem a melhor projeção da cidade’ e ‘Palácio do Cinema: o melhor cinema da América Latina’.   Leia mais sobre o 5º Oscar das salas de cinema   Nós não acreditamos e fomos checar. Nossa reportagem visitou as salas e voltou com um retrato diferente: os dois cinemas, com programação voltada para filmes eróticos, não têm nada que os colocaria no topo de nosso ranking. Pelo contrário. As instalações são precárias, a qualidade do som e da imagem não é boa e as poltronas... bem, as poltronas, você já deve imaginar como são.   Mas quem garante que o cinema da rede Cinemark no Shopping Cidade Jardim e que o do Espaço Unibanco no Shopping Bourbon Pompeia são os melhores de São Paulo? Nós garantimos. E isto porque fomos avaliar. Como genuínos perdigueiros cinéfilos, nossos 11 repórteres esquadrinharam durante um mês 45 cinemas (que, somados, correspondem a 265 salas) da cidade. De Itaquera ao Butantã; do Campo Limpo a Santana.   Este ano, o quinto desta edição do Guia, o mercado exibidor apontou alguns rumos: investimento em projeções 3D e em salas de luxo. É como se o passado fosse revisitado. A tecnologia 3D foi criada nos anos 50 e já foi considerada decadente pela indústria cinematográfica. Depois, nos anos 80, voltou com aqueles óculos de papel e lentes de celofane coloridas. Agora, reapareceu com tudo. As produções (mais difíceis de piratear) e as salas (já há 12 delas em São Paulo, inclusive um cinema Imax) se adaptam ao sistema e o público ressurge.   Já o luxo era algo que os exibidores buscaram desde a inauguração do Bijou-Palace, em 1907, a primeira sala com projeções regulares na cidade. Nas décadas de 20, 30 e 40, havia mármore de Carrara e objetos folheados a ouro em saguões, lustres checos nos tetos e poltronas estofadas nas salas dos cinemas do centro, projetados para até cinco mil lugares. A elegância se estendia também aos frequentadores: paletó escuro e chapéu para os homens e toalete completa para as mulheres. "A concepção suntuosa das salas e o luxo ostentado parecem avalizar os esforços civilizatórios da elite local", aponta o pesquisador Inimá Simões em seu livro ‘Salas de Cinema em São Paulo’.   Os esforços civilizatórios, ao que parece, continuam - haja vista as salas Premier, do Cidade Jardim, e a vip do Bourbon Pompeia. Só que agora eles são acompanhados de alta tecnologia e, claro, de muita pipoca.  

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