Divulgação/Mostra Internacional de Cinema de São Paulo
Três Verões tem Regina Casé como protagonista Divulgação/Mostra Internacional de Cinema de São Paulo

43ª Mostra de São Paulo: um guia para você escolher o que maratonar na última semana

Política, música, cinebiografias, clássicos: o 'Estado' preparou um roteiro com alguns dos filmes que seguem em cartaz nos cinemas paulistas

Rayssa Motta, Especial para O Estado de S. Paulo

24 de outubro de 2019 | 08h00

A 43ª edição da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo exibe, até 30 de outubro, mais de 300 filmes nacionais e estrangeiros. Entre obras clássicas e inéditas, animações e documentários, o festival traz um line-up para todos os gostos. O Estado preparou um guia para ajudar os cinéfilos a encontrarem as melhores opções para maratonar no festival.

 

1 - Para quem gosta de política 

Grandes temas da política nacional aparecem como pontos de partida em documentários e ficções. Episódios recentes dominam a programação, como a onda de protestos que marcaram o mês de Junho de 2013, tema de O Mês Que Não Terminou, de Francisco Bosco e Raul Mourão. O documentário analisa as manifestações, seus desdobramentos e consequências, como a Operação Lava Jato, a crise do lulismo, o impeachment de Dilma Rousseff e a eleição de Bolsonaro.

A  Operação Lava Jato é abordada ainda, por um viés muito particular, em Três Verões, dirigido por Sandra Kogut. O longa é protagonizado por Regina Casé, que vive a governanta da casa de veraneio de um executivo preso pela Polícia Federal. O filme conta ainda com Otavio Müller e Gisele Fróes no elenco.

A tensão política das eleições de 2018 é assunto dos documentários Abismo Tropical, de Paulo Caldas, e Outubro, codirigido por Loiro Cunha e Maria Ribeiro. Este último traz entrevistas com personalidades como a candidata a vice-presidente Manuela D’Ávila e a psicanalista Maria Rita Kehl.

Para quem prefere episódios históricos, A Jangada De Welles, de Petrus Cariry e Firmino Holanda, é uma boa opção. O longa evoca memórias da ditadura do Estado Novo, da Segunda Guerra Mundial e da luta de pescadores cearenses por direitos trabalhistas e moradia.

 

2 - Para ficar por dentro do que acontece pelo mundo

Uma dobradinha sobre as manifestações estudantis que se espalharam pela França em 1968 foi formada com Depois De Maio, do renomado Olivier Assayas, e Nossas Derrotas, de Jean-Gabriel Périot.

Para os curiosos sobre os grandes conflitos da humanidade, as sugestões são O Pássaro Pintado, de Václav Marhoul, e Meu Nome É Sara, de Steven Oritt, que contam histórias de jovens judeus na Segunda Guerra Mundial. Há ainda Joana D’Arc, de Bruno Dumont, sobre a Guerra dos Cem Anos, Crianças Não Brincam de Guerra, de Fabiano Mixo, sobre a Guerra Civil de Uganda, e Papicha, de Mounia Meddour, sobre a Guerra Civil na Argélia.

A visão problemática que se formou sobre a África a partir de um ponto de vista eurocêntrico é tema de O Espelho Africano, dirigido pelo suíço Mischa Hedinger. Há ainda Carteiro, de Emiliano Serra, sobre a crise econômica vivida pela Argentina nos anos 1990, e Até Logo, Meu Filho, de Wang Xiaoshuai, para entender as mudanças políticas e sociais vividos pela China ao longo dos últimos 30 anos.

 

3 - Para saber mais sobre grandes personalidades

Com cinebiografias para todos os gostos, a Mostra de São Paulo é um prato cheio para os curiosos sobre personalidades do Brasil e do mundo. 

Se o assunto são os grandes nomes do cinema, as dicas são Babenco - Alguém Tem Que Ouvir o Coração e Dizer: Parou, dirigido por Bárbara Paz e premiado no Festival de Veneza, e Andrei Tarkovski: Uma Oração de Cinema, do filho do cineasta, Andrey A. Tarkovski. Em comum, os documentários têm a presença de pessoas próximas dos retratados na direção, responsável pelo ar intimista das produções. 

Para fãs de cultura geek, a indicação é o documentário de Gilles Penso sobre Phil Tippett, animador especializado em stop motion que deu vida a criaturas inesquecíveis ao longo da carreira: de Jabba the Hutt aos insetos gigantes de Tropas Estelares

A cinebiografia do boxeador Acelino Freitas, o Popó, dirigida por Sérgio Machado e Aly Muritiba, também faz parte da programação. O longa foca no relacionamento e rivalidade do atleta com o irmão, Luis Claudio, que também seguiu carreira no esporte. 

Há ainda duas cinebiografias protagonizadas por ativistas na luta contra a homofobia. A ativista trans Indianara é retratada no documentário que leva o seu nome, dirigido por Aude-Chevalier Beaumel e Marcelo Barbosa, e as obras do artista queer chileno Pedro Lemebel são resgatadas em um longa-metragem produzido com imagens de arquivo e dirigido por Joanna Reposi Garibaldi.

 

4 - Para fugir dos filmes cult

Nem só de produções alternativas vive a Mostra de São Paulo. O destaque é Depois A Louca Sou Eu, de Julia Rezende. No longa, baseado no livro homônimo de Tati Bernardi, Débora Falabella vive uma escritora que sofre de crises de ansiedade e precisa lidar com uma mãe superprotetora. 

Entre as comédias estrangeiras, estão A Maratona De Brithany, de Paul Downs Colaizzo, Aurora, da finlandesa Miia Tervo, De Quem É o Sutiã?, de Veit Helmer, e Saint Francis, de Alex Thompson.

Uma opção para os pequenos é o live-action de Turma Da Mônica, dirigido por Daniel Rezende.

 

5 - Para os apaixonados pela animação

A 43ª Mostra de São Paulo traz filmes de animação para todas as idades. Com classificação livre, A Fantástica Viagem De Marona, Ninja Xadrez e Osmar, A Primeira Fatia Do Pão de Forma são boas opções para um programa em família.

Os Olhos De Cabul e Impunidade Zero exploram o gênero para falar sobre temas políticos. Este último, mistura animação e documentário para discutir a impunidade no uso da violência sexual como arma de guerra.

 

6 - Para quem curte inovação

Com 19 obras de realidade virtual gratuitas, a Mostra de São Paulo traz um panorama da produção recente em VR. Entre exibições está A Linha. Vencedor do Festival de Veneza como melhor experiência de realidade virtual, o curta-metragem faz o expectador mergulhar na São Paulo da década de 1940. Há ainda obras ambientadas na Groelândia, Kuait e até em Marte. Os filmes são exibidos em centros culturais e em unidades do Sesc.

 

7 - Para os fãs de música

Os cantores Chorão, Clementina de Jesus e Arnaldo Antunes são tema de documentários que retratam a trajetória desses artistas. Os campeonatos performáticos de poesia falada, conhecidos como Poetry Slams, também ganham as telas da mostra. 

Além deles, o álbum Amazing Grace, de Aretha Franklin, que se tornou o disco gospel mais bem-sucedido de todos os tempos, é revisitado no documentário que leva o nome do LP. 

 

8 - Para os amantes dos clássicos

O filme mais antigo da mostra é de 1919. Boa opção para os fãs de old movies, O Gabinete Do Dr. Caligari, do alemão Robert Wiene, se tornou um dos ícones do movimento expressionista alemão. O longa conta a história da chegada de um misterioso showman a uma pequena cidade europeia.

Símbolo da Era de Ouro de Hollywood, O Mágico De Oz, de Victor Fleming, é outro destaque entre os clássicos do festival. O filme mostra a jornada de Dorothy na volta para casa após ter sido levada por um tornado para um mundo mágico. 

 

9 - Para não perder os premiados

Não raro, filmes premiados em festivais internacionais acabam ficando de fora do circuito comercial de cinemas. Para não perder a oportunidade de assistir os laureados na tela grande, o Estado selecionou os sucessos de crítica que não ainda têm data de estreia prevista no Brasil.  

Entre eles está Monos, de Alejandro Landes, premiado nos festivais de San Sebástian e Sundance. O filme conta a história de oito soldados adolescentes que se organizam em um grupo rebelde e mantém uma turista americana refém.

Outra opção é Fim De Estação, de Elmar Imanov, vencedor do Prêmio da Crítica no Festival de Roterdã, que mostra o drama de uma família em colapso. Leve-me Para Algum Lugar Legal, de Sebastian Brameshuber, levou o Prêmio do Júri no mesmo festival e conta a jornada de uma jovem em busca do pai que nunca conheceu. 

Há ainda Parasita, de Bong Joon Ho, primeiro filme sul-coreano a vencer a Palma de Ouro no Festival de Cannes. O filme narra a luta de classes no país a partir da relação entre duas famílias. Esse tem data de estreia prevista: o público poderá assistir Parasita nos cinemas a partir de 7 de novembro.

A Mostra de Cinema de São Paulo é realizada em diversos espaços. Veja a programação e os horários.

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'O Pássaro Pintado' faz um retrato cruel da Segunda Guerra

Polêmico, o filme tem cenas fortes de tortura e estupro; no Festival de Veneza, muita gente não conseguiu ver até o fim

Mariane Morisawa   ESPECIAL PARA O ESTADO / VENEZA, O Estado de S.Paulo

20 de outubro de 2019 | 07h03

O público que frequenta festivais de cinemas está acostumado a ver filmes de temáticas e formatos difíceis, em preto e branco e com quase três horas de duração. Mesmo assim, O Pássaro Pintado, que passou na competição do último Festival de Veneza, foi demais para certos espectadores, que não conseguiram ficar até o final. A audiência da Mostra vai ter a chance de testar seus limites a partir deste domingo, 20, quando o longa dirigido pelo checo Václav Marhoul tem sua primeira exibição.

O Pássaro Pintado é inspirado no controverso livro de 1965 do polonês Jerzy Kosinski, que vendeu a história como sendo uma autobiografia, mas depois foi desmascarado. “Me perguntam muito se eu sabia sobre Kosinski, e eu respondo: E daí?”, disse o diretor em entrevista ao Estado, em Veneza. “Não me interessa. Kosinski é Kosinski, e o livro é o livro. É ficção.” 

Na história, um menino de pele morena é chamado por vezes de “cigano”, por vezes de “judeu”, e tenta sobreviver em meio ao caos da Segunda Guerra num país não especificado na Europa Central. Ele foi deixado pelos pais com uma tia, que morre. A partir daí, vai de casa em casa, sofrendo e sendo testemunha de diferentes tipos de maus-tratos, de espancamentos a estupros, passando por deportação de judeus para campos de concentração. 

Marhoul leu o livro aos 44 anos de idade e ficou impactado. “Entendo quem não consegue chegar ao fim, mas, para mim, é uma tocante história de um menininho que simboliza toda a humanidade e que propõe questões importantes, mas dolorosas”, disse. “Por exemplo: Por que as pessoas fazem essas coisas? Por que Deus criou a humanidade? Por que alguém que vai à Igreja todo domingo comete atos horríveis? Por que as pessoas têm tanto medo de quem é diferente? Eu fiz o filme para procurar respostas, porque vou ser sincero: faço filmes para mim mesmo.”

O cineasta admitiu que pensou muito no que seus antepassados enfrentaram durante aquele período. “Sou um checo típico, o que significa que sou parcialmente eslavo, parcialmente alemão e parcialmente judeu”, disse. “Parte da minha família era judia. Digo era porque 18 deles foram mortos em poucas horas no campo de extermínio de Treblinka”, contou, sem esconder as lágrimas. Várias das cenas foram difíceis de filmar. A mais terrível foi quando ele colocou 120 figurantes num vagão de trem. “Como gado. Comecei a chorar e não consegui filmar por uma hora e meia. Eu vi a minha família ali.”

Para ele, o trauma ficou entranhado no tecido social da região. “Li muito antes de fazer este filme, principalmente os livros do historiador Timothy Snyder. E percebi que O Pássaro Pintado é um passeio no parque em comparação com a realidade. Porque tivemos os nazistas, mas tivemos Stalin também. O regime comunista foi puro mal.” Ele também citou o controverso Experimento de Aprisionamento de Stanford, em que o professor Philip Zimbardo pediu para alunos imaginarem estar numa prisão e os dividiu entre detentos e carcereiros. Segundo a pesquisa, os “carcereiros” logo assumiram o papel de abusadores. Hoje há sérias dúvidas sobre a validade da pesquisa. 

Marhoul negou categoricamente que seu filme seja violento. “Rodei com muita decência. Não sou Quentin Tarantino, não mostrei os detalhes”, disse. “Você vê o estupro de uma personagem com a câmera nas costas dela. As pessoas estão saindo do cinema não porque eu tenha mostrado violência explícita, mas porque elas têm a violência em seus cérebros.” 

Para ele, quase nenhum personagem de O Pássaro Pintado é violento ou maltrata o menino, a não ser um. Mas o filme, muitas vezes, parece um Amazing Race de tortura. Como isso afeta ou não o espectador vai da sensibilidade de cada um, lógico. Václav Marhoul, que disse ter visitado países como Ruanda, Síria e Afeganistão e visto de perto o sofrimento de crianças, volta à realidade para defender seu ponto de vista cinematográfico. “Num dos livros de Timothy Snyder, quando ele fala da fome imposta aos ucranianos por Stalin, descreve feiras em que as pessoas vendiam pedaços de crianças. Isso é fato. É a verdade. E aconteceu.” 

 

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Mostra de Cinema de São Paulo exibe 'Chorão: Marginal Alado', que estreia em 2020

Documentário conta história e carreira do vocalista da banda Charlie Brown Jr.

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de outubro de 2019 | 10h30

Com estreia em 2020, o documentário Chorão: Marginal Alado, que conta a trajetória do vocalista do Charlie Brown Jr., será exibido pela Mostra de Cinema de São Paulo. As sessões acontecem na próxima semana, nos dias 22, 23 e 27 de outubro.Assinado pelo diretor Felipe Novaes, Chorão: Marginal Alado reúne depoimentos de nomes como João Gordo, Serginho Groisman e Zeca Baleiro, além de imagens de acervo pessoal e registros oficiais, para retomar a vida particular e a carreira do cantor, morto por overdose de cocaína em 2013. 

Os ingresos podem ser comprados na Central da Mostra, nos pontos de exibição e online, e no site veloxtickets.com. As sessões de Chorão: Marginal Alado acontecem em três datas:

  • Terça-feira, 22/10: Espaço Itaú de Cinema - Frei Caneca 2, às 22:10;
  • Quarta-feira, 23/10: Espaço Itaú de Cinema - Frei Caneca 4, às 14:00;
  • Domingo, 27/10: Espaço Itaú de Cinema - Augusta - Sala 1, às 17:40.

Iniciada na última quarta-feira, 16, a Mostra Internacional de Cinema exibe 300 filmes inéditos. Entre os dias 17 e 30 de outubro, 34 salas de 28 locais de exibição, entre cinemas, espaços culturais, CEUS e museus recebem a programação do evento

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Olivier Assayas é homenageado durante abertura da 43.ª Mostra de Cinema

O diretor francês, que veio ao país para divulgar 'Wasp Network', acompanhou junto com presentes uma retrospectiva com os 16 filmes que marcaram sua carreira

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

18 de outubro de 2019 | 08h00

Olivier Assayas guarda belas lembranças da época em que fez Irma Vep, em 1996. Estava se firmando como diretor, apaixonado por sua estrela, Maggie Cheung. Seis anos mais tarde, quando fizeram Demonlover, estavam terminando. Em 2004, quando ela recebeu o prêmio de melhor atriz em Cannes, havia somente a admiração e o respeito artísticos. “Foi um presente de despedida”, ele brinca. Assayas está em São Paulo, na Mostra. O parisiense de 64 anos veio para a abertura do evento, na quarta-feira à noite, com o thriller Wasp Network, que tem DNA brasileiro – a produção é de Rodrigo Teixeira.

Além de proporcionar a obra de abertura, Assayas, que trouxe parte de seu elenco – Edgar Ramírez, Leonardo Sbaraglia, Wagner Moura, etc. –, também está sendo homenageado com uma retrospectiva. São 16 filmes, incluindo os quatro citados. Nesta sexta, 18, ele ministra uma masterclass. O que vai dizer, professor? Ele acha graça. “Não faço a menor ideia, e por sinal não gosto dessa expressão: masterclass. Gosto do diálogo, da troca. Improviso em função do que as pessoas me propõem.” No set de filmagem, também é assim. “Quando escrevo o roteiro, nunca me preocupo sobre como vou filmar a cena. E, quando iniciou a filmagem, é sempre a mesma coisa. O filme vai tomando forma no set, com os ambientes, as paisagens, o elenco.”

Wasp Network? “Queria muito voltar ao universo de Carlos (seu thriller sobre o notório terrorista chamado de Chacal). Rodrigo (Teixeira) enviou o projeto ao meu produtor. Não conhecia o livro de Fernando Morais (Os Últimos Soldados da Guerra Fria). Li na edição inglesa, e achei que era o que estava querendo.” E o que era isso? “Você sabe. Histórias de pessoas confrontadas com a História, com as transformações do mundo. Gosto do cinema que tem compromisso com a realidade.” 

Três quartos de Wasp Network são ótimos – toda a parte inicial e o funcionamento da rede de espionagem montada por cubanos que fingiram desertar para os EUA. Parecem traidores, mas são heróis da revolução castristas. Quando a mulher de Ramírez, Penélope Cruz, junta-se ao marido em Miami, o filme vira novelão. “Entendo o que você diz, mas estou seguindo a história real. Não inventei nada.” 

Assayas ama filmar mulheres. O que nos leva de volta a Maggie Cheung. “Ela já era uma grande estrela na Ásia quando aceitou fazer o filme. É sobre uma atriz que refaz o seriado clássico do cinema mudo, Les Vampires, de Louis Feuillade, e a perturbação que causa no diretor”, diz. Demonlover/Espionagem na Rede, com Connie Nielsen, é sobre o universo dos sites pornográficos. Clean é sobre uma ex-drogada que, limpa, e depois de passar um período na cadeia, tenta recomeçar com o filho. Assayas filmou o pós-Maio de 68, as transformações no mundo editorial, em tempos de internet em Vidas Duplas. “Sim, sempre as mudanças, sempre os destinos sentimentais”, avalia.

 

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'Parasita' de Bong Joon-Ho, narra luta de classes sem recorrer a velhos clichês

Filme do diretor coreano conquistou a Palma de Ouro do Festival de Cannes ao retratar a disparidade social existente na Coreia do Sul

Luiz Zanin Oricchio, O Estado de S. Paulo

18 de outubro de 2019 | 08h00

Palma de Ouro em Cannes, Parasita, do coreano Bong Joon-Ho, inquieta já pelo título. O que é um parasita senão um ser vivo que se alimenta de outro, sugando-lhe a seiva vital? Em torno dessa metáfora biológica, transposta para uma vertente social, o cineasta observa, com sutileza e olhos de lince, a realidade a sua volta. 

Não se trata de um país problemático e de estilo montanha-russa, como o Brasil. Mas, mesmo na afluente Coreia do Sul, modelo de desenvolvimento em escala mundial, existem as disparidades sociais. Ao passar de certo nível, elas provocam não apenas a inveja e o ressentimento (como gostam de simplificar os liberais), mas se transformam em verdadeiros venenos da convivência. É o caso da família Ki-taek, composta de desempregados crônicos, que olha com cobiça para a riquíssima família Park

Durante algum tempo, Joon-Ho nos ocupa com a descrição do cotidiano da família pobre. Literalmente, eles moram abaixo do solo, numa habitação precária, cuja janela fica em nível inferior ao da rua. Olham a vida que passa inclinando o pescoço para trás. Em entrevistas, o diretor diz que esse tipo de moradia existe mesmo em Seul. Ok, mas não deixa de ser uma metáfora poderosa. O desempregado olha o mundo pela perspectiva do fundo do poço. 

Todo o contrário é a mansão dos Park, a família feliz, sorridente, que habita acima do nível do solo em uma ampla casa servida pela tecnologia mais avançada. Tudo lá é automatizado, lembrando às vezes a casa bolada por Jacques Tati em Mon Oncle. A família é feliz, rica, mas insegura. Como tem a sensação de precariedade do seu status, torna-se vulnerável à palavra de qualquer vigarista. Essa fragilidade, o ponto falho dos ricos escondido em sua insegurança e vaidade, não deixa de ser notada por quem olha o mundo de baixo. 

De modo que, sem qualquer resquício de mecanicismo, Joon-Ho passa a observar o relacionamento entre essas duas famílias, antípodas da pirâmide social. A família Ki-taek precisa tirar o pé da lama, e só pensa nisso. A família Park necessita de vários empregados – um motorista, uma faxineira, um professor de inglês, etc. Há esse encontro entre oferta e necessidade, que não deixa de funcionar como o perfeito mecanismo de um relógio. Tudo se encaixa, pelo menos de início. 

Esse “encaixe” é prova de domínio da linguagem cinematográfica. A farsa, ora divertida, ora trágica, sobre a violência das relações sociais assimétricas, passa por seus vários registros de maneira suave, azeitada. Parece de início divertida. Em seguida mostra suas arestas, na chave do humor negro. Adquire complexidade, até explodir numa relação chegada ao fantástico, na medida em que os subterrâneos da casa rica vão sendo explorados. Eis aí a metáfora dentro da metáfora, como a dizer que no subsolo de toda fortuna se encontram esqueletos escondidos no armário.

Bong Joon-Hoo não hesita em visitar modalidades de gênero e influências para construir seu cinema. Cultua tanto o fantástico (como em seu O Hospedeiro) quanto a estranheza das relações humanas inspirada em Hitchcock e Chabrol. O resultado do coquetel é fabuloso e perfeitamente original. 

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Saiba tudo sobre a 43.ª edição da Mostra Internacional de Cinema

Valores dos ingressos, data de abertura das vendas e filmes exibidos

Redação, O Estado de S.Paulo

08 de outubro de 2019 | 07h00

A Mostra Internacional de Cinema de 2019 irá exibir cerca de 300 filmes inéditos. Entre os dias 17 e 30 de outubro, 34 salas de 28 locais de exibição, entre salas de cinema, espaços culturais, CEUS e museus recebem a programação do evento. O Caderno 2 preparou um guia com todas as informações da 43.ª edição da Mostra. Confira:

Quando acontece?

A Mostra começa em 17 de outubro e segue até o dia 30. Mas, como nas outras edições, há uma semana extra de programação, conhecida como repescagem, que traz novas sessões. Em 2019, essa semana acontece entre os dias 31 de outubro e 7 de novembro.

Como comprar ingressos para a Mostra Internacional de Cinema?

Os pacotes de ingressos e as entradas permanentes para o evento começarão a ser vendidos neste sábado, dia 12, a partir das 11h. Os pacotes de ingressos podem ser comprados na Central da Mostra, nos pontos de exibição e online, no site veloxtickets.com. Confira os endereços:

Central da Mostra

  • Endereço: Av. Paulista, 2073 (Conjunto Nacional)
  • Informações: A partir do dia 07/10, das 12h às 18h
  • Vendas de pacotes: De 12 a 30/10, das 11h às 21h

Estande da Mostra para troca de ingressos

  • Endereço: Shopping Frei Caneca, rua Frei Caneca, 569 (3º andar).
  • Trocas: De 17 a 30/10, das 12h às 21h

Quanto custam os ingressos?

O valor varia de acordo com o pacote. São cinco opções:

  • Ingressos avulsos: R$ 20 (de segunda a quinta) e R$ 24 (de sexta a domingo)
  • Pacote com 20 ingressos: R$ 220
  • Pacote com 40 ingressos: R$ 374
  • Permanente especial (de segunda a sexta, até 17h55): R$ 117
  • Permanente integral (acesso total, em todos os dias e horários): R$ 500

Obs.: Os ingressos avulsos estarão disponíveis no dia de cada sessão, somente nas salas de exibição.

Quem são os homenageados? 

O diretor palestino Elia Suleiman recebe o Prêmio Humanidade; seu trabalho mais recente, O Paraíso Deve Ser Aqui, foi premiado no Festival de Cannes e compõe a programação da Mostra. 

O diretor israelense Amos Gitai recebe o prêmio Leon Cakoff. Dois de seus longas, Berlim-Jerusalém (1989) e Kadosh – Laços Sagrados (1999) terão sessões especiais em homenagem aos seus aniversários de lançamento. 

Quais filmes são os destaques desta edição?

Os filmes brasileiros representam 20% da programação. Entre eles, está A Vida Invisível, de Karim Aïnouz, premiado em Cannes e indicado pela Academia Brasileira de Cinema para concorrer a uma vaga no Oscar de filme estrangeiro. Como o longa de Aïnouz, outros 11 filmes indicados por seus países para tentar concorrer ao Oscar integram a programação. Entre eles, Parasita, do sul-coreano Bong Joon-ho, que venceu a Palma de Ouro em Cannes, e mais títulos que fizeram sensação na Croisette. O Paraíso Deve Ser Aqui, do palestino Elia Suleiman, e Papicha, de Mounia Meddour, da Argélia.

Confira a lista de destaques:

  • Parasita, de Bong Joon-ho
  • Wasp Network, de Olivier Assayas
  • Dois Papas, de Fernando Meirelles
  •  A Vida Invisível, de Karim Aïnouz
  •  The Great Green Wall, com produção de Fernando Meirelles
  • A Linha, de Ricardo Laganaro (filme em realidade virtual premiado no Festival de Veneza)
  • O Gabinete do Dr. Caligari, de Robert Wiene, com acompanhamento da Orquestra Jazz Sinfônica, em homenagem ao centenário do filme, na semana da repescagem. 

Onde acontece a Mostra Internacional de Cinema?

A programação da 43ª Mostra Internacional de Cinema ocorrerá em 34 salas de 28 locais de exibição:

Circuito pago:

  • Auditório Ibirapuera – Oscar Niemeyer
  • Cinearte (Salas 1 e 2)
  • Cinemateca Brasileira
  • Sala BNDES
  • Cinesala
  • CineSesc
  • Espaço Itaú de Cinema – Augusta (Salas 1 e 4)
  • Espaço Itaú de Cinema – Frei Caneca (Salas 1, 2, 3, 4, 5)
  • Instituto Moreira Salles (IMS Paulista)
  • Itaú Cultural
  • MIS
  • Petra Belas Artes (Sala Villa-Lobos)
  • Reserva Cultural (sala 1)
  • Spcine Olido
  • Spcine Paulo Emilio – CCSP
  • Spcine Lima Barreto – CCSP

Circuito gratuito: 

  • Instituto CPFL (sala Umuarama)
  • SESC Belenzinho
  • SESC Campo Limpo
  • SESC Osasco – Tenda
  • Theatro Municipal de São Paulo
  • MASP (Vão Livre)
  • CEU Aricanduva
  • CEU Caminho do Mar
  • CEU Meninos
  • CEU Vila Atlântica
  • CEU Jaçanã
  • Centro de Formação Cultural da Cidade Tiradentes

É possível assistir aos filmes depois da Mostra?

Para quem não é de São Paulo, é possível conferir alguns dos filmes na itinerância que o Sesc promoverá pelo interior. Entre os dias 9 de novembro e 8 de dezembro, 12 cidades receberão a programação, que conta com 10 filmes: Araraquara, Bauru, Campinas, Jundiaí, Piracicaba, Ribeirão Preto, Rio Preto, Santos, São Carlos, São José dos Campos, Sorocaba e Presidente Prudente.

O Instituto CPFL de Campinas terá sessões simultâneas à programação do evento entre os dias 21 e 30/10, com exceção do dia 25/10. A entrada é franca. 

Além disso, dez filmes que compõem a Mostra também estarão disponíveis na plataforma de streaming Spcine Play. Os títulos escolhidos são Viúva do Silêncio, de Praveen Morchhale, Você Tem a Noite, de Ivan Salatic, Rua do Deserto, 143, de Hassen Ferhani, Hálito Azul e Surdina, ambos de Rodrigo Areias, Oleg, de Juris Kursietis, Uma Colônia, de Geneviève Dulude-de Celles, Apenas 6.5, de Saeed Roustayi, O Carcereiro, de Nima Javidi, e Cartas para Paul Morrissey, de Armand Rovira.

Quem vem para a Mostra?

Dezenas de diretores, atores e produtores, brasileiros e estrangeiros, confirmaram presença no evento. Entre eles, estão Leonardo Sbaraglia e Olivier Assayas (respectivamente ator e diretor de Wasp Network), Willem Dafoe, ator de O Farol, Fernanda Montenegro, Sebastián Borensztein, diretor de A Odisseia dos Tolos, e Juan Minujín, ator de Dois Papas.

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Dificuldades não impedem 43.ª Mostra de Cinema de apresentar 60 filmes nacionais ao público

Programação começa hoje com ‘Macabro’, de Marcos Prado, e vai até a quarta-feira, do dia 30. Ao todo, serão exibidas 300 produções exclusivas

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

17 de outubro de 2019 | 06h00

Setembro passou e não houve Festival de Brasília. O Festival do Rio, sem recursos, teve de transferir sua data para dezembro e a Première Brasil, grande vitrine do cinema brasileiro, corre o risco de sair bem menor que de costume. Por tudo, a 43.ª Mostra, que começa hoje, 17, para o público – e segue até 30 –, assume uma importância maior que nunca para a produção nacional. Dos 300 filmes anunciados, 60, ou 1/5, são brasileiros, a maioria em estreia nacional. Um e outro já passou no Cine Ceará, em Gramado, mas a Mostra acolhe mesmo esses títulos – a preferência é sempre para inéditos –, porque, afinal, concorrem a um prêmio em dinheiro. Sim, nesse quadro de torneiras fechadas do Governo Federal, a Mostra está conseguindo manter não só o calendário, mas a extensão e até valores agregados aos prêmios para a produção nacional.

São 60 filmes, vale repetir: 60! A programação inicia-se nesta quinta com Macabro, de Marcos Prado, fotógrafo premiado, diretor e produtor cujo nome esteve associado ao de José Padilha nos dois Tropa de Elite. O próprio Prado realizou Estamira e Paraísos Artificiais

Estreia na Mostra Macabro, cuja trama se passa na década de 1990, contando a história de dois irmãos que foram acusados pelo assassinato de oito mulheres, um homem e uma criança na região da Serra dos Órgãos. Mais que uma contribuição do diretor ao cinema de gênero que cresce no País, Macabro centra-se na crise de consciência do sargento militar que investiga o caso. Na cola dos supostos criminosos, Renato Góes percebe que o julgamento da imprensa e o racismo da sociedade condenaram os irmãos, mesmo que ele tenha sérias dúvidas sobre o envolvimento de um deles.

Mais escancaradamente de gênero, Juízo, de Andrucha Waddington, terá sua estreia na Mostra no fim de semana – no sábado, 19. Andrucha dirige um roteiro da mulher, Fernanda Torres. Terror familiar? Felipe Camargo está em crise no casamento com Carol Castro e a vida aviltada pela bebida. Em busca de reerguimento, muda-se com a mulher e o filho – Joaquim Torres Waddington, filho do diretor e da roteirista, estreando no cinema – para uma fazenda que herdou, e aí, sim, as coisas que já não andam boas complicam-se ainda mais. O lugar carrega um histórico de violência, com registros de traições e mortes por vingança. Entram em cena Lima Duarte e a sogra do diretor, Fernanda Montenegro, que ele já dirigiu anteriormente em Gêmeas e Casa de Areia.

Fernanda, que festejou 90 anos nesta quarta, 16, terá na sexta, 18, seu grande dia na Mostra. Em parceria com o Theatro Municipal, que fornece seu palco, haverá uma sessão – de gala, por menos que a diretora e curadora artística Renata de Almeida não goste da palavra – de A Vida Invisível, agora definitivamente sem o acréscimo de Eurídice Gusmão no título. 

Eurídice é a protagonista do longa de Karim Aïnouz produzido por Rodrigo Teixeira e que foi escolhido como representante do Brasil na disputa a uma vaga no Oscar de melhor longa Internacional – nova denominação para Estrangeiro. Em maio, A Vida Invisível venceu o prêmio da mostra Un Certain Regard no Festival de Cannes. Conta a história de duas irmãs separadas pela brutalidade de um pai e um marido.

Karim, grande diretor – de Madame Satã, O Céu de Suely e Praia do Futuro -, sempre quis fazer um filme sobre a geração de mulheres como sua mãe, que o criou sozinha, em Fortaleza, numa época em que o casamento, e o marido, definiam a posição social da mulher. O filme é bom, sem sombra de dúvida, mas dispara, elevando-se, no impressionante último ato, quando Fernanda entra em cena. Vale lembrar a Dora, de Central do Brasil, de Walter Salles, pelo qual Fernanda foi melhor atriz em Berlim e indicada para o Oscar. 

Dora escrevia aquelas cartas. Agora, outras cartas ajudam a destrinchar a história que Karim adaptou do livro de Martha Batalha. A expectativa é de que a discussão sobre a condição das mulheres, em tempos de empoderamento e #MeToo, fortaleça a candidatura do filme e o Brasil, e Fernanda – como coadjuvante –, voltem ao Oscar.

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Na 43.ª edição, Mostra de Cinema São Paulo se mantém na defesa da diversidade

O evento que começa dia 17 apresenta cerca de 300 filmes, entre eles está 'A Vida Invisível', de Karim Aïnouz, indicado para concorrer a uma vaga no Oscar de filme estrangeiro

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

05 de outubro de 2019 | 18h07

Desde a 35.ª Mostra – há oito anos – nenhum artista brasileiro assinava o cartaz do evento. A escolha de Nina para criar o pôster da 43.ª Mostra não é nem um pouco acidental. Nesses tempos sombrios, em que a grosseria virou norma, a delicadeza da artista parece coisa de outro mundo – de outra era, com certeza. A Mostra realizou no sábado, 5, a coletiva de lançamento da sua edição 2019.

O Espaço da Augusta abrigou a solenidade. Presentes na mesa, autoridades, patrocinadores. Renata de Almeida começou citando os tempos difíceis que o Brasil atravessa. Lá estavam a presidente da Spcine, Laís Bodanzky, o secretário Municipal de Cultura, Alê Youssef, o diretor do Sesc, Danilo Santos de Miranda, etc. Falaram muito em ‘filtros’, ‘resistência’. A Mostra, desde suas origens, durante a ditadura, foi sempre sinônimo de resistência.

O pôster virou uma linda vinheta. “A Mostra é brasileira no DNA”, destacou Renata, citando, além do pôster, o filme de abertura, Wasp Network, de Olivier Assayas, produzido por Rodrigo Teixeira e adaptado do best-seller de Fernando Morais, Os Últimos Soldados da Guerra Fria e o de encerramento, Os Dois Papas, produção internacional dirigida por um brasileiro, Fernando Meirelles. Nunca houve tantos filmes brasileiros na seleção – cerca de 60. “E é uma seleção surpreendentemente forte”, diz Renata, agora é a curadora falando. A Mostra deste ano terá uma parte de sua programação no Teatro Municipal. Laís e Alê destacaram que, em momento algum, a Spcine e a Prefeitura, por meio de sua secretaria da Cultura, tentaram exercer filtros. Toda liberdade à curadoria – a Renata e sua equipe.

A Mostra começa em 17 de outubro e segue até 30. Como ocorre sempre, terá mais uma semana de repescagem. Ao longo de duas semanas, deve apresentar cerca de 300 filmes de 45 países. Serão exibidos em 27 locais, entre salas de cinema, espaços culturais, CEUs e museus espalhados pela cidade de São Paulo, incluindo apresentações gratuitas e ao ar livre. 

O Brasil contempla a maior seleção – 1/5 dos filmes, entre eles A Vida Invisível de Eurídice Gusmão, de Karim Aïnouz, premiado em Cannes e indicado pela Academia Brasileira de Cinema para concorrer a uma vaga no Oscar de filme estrangeiro. Como o longa de Aïnouz, outros 11 filmes indicados por seus países para tentar concorrer ao Oscar integram a programação.

Entre eles – Parasita, do sul-coreano Bong Joon-ho, que venceu a Palma de Ouro em Cannes, e mais títulos que fizeram sensação na Croisette. O Paraíso Deve Ser Aqui, do palestino Elia Suleiman, e Papicha, de Mounia Meddour, da Argélia. Suleiman receberá o Prêmio Humanidades, com que a Mostra honra autores por sua contribuição estética e humanística. Seu amigo, o israelense Amos Gitai – ambos são a prova de que o diálogo é possível no Oriente Médio – receberá o Prêmio Leon Cakoff.

Justamente Gitai e Olivier Assayas serão contemplados com retrospectivas. O israelense lança em São Paulo o livro Em Tempos Como Estes... Correspondências, que reúne cartas escritas por e para sua mãe, Efratia Gitai. E, a par da homenagem à sua mãe, homenageia também o pai, Munio Weinraub, forçado pelos nazistas a abandonar a Alemanha (e a Bauhaus). Gitai fez para ele o filme Lullaby To My Father. Amigo da Mostra, o crítico Rubens Ewald Filho, que morreu em 19 de junho, também será lembrado, e homenageado.

Há de ser uma bela sessão, a de O Mágico de Oz, no Vão Livre do Masp. A jovem Judy Garland vai cantar Over the Rainbow e o público, mais uma vez, será convidado a seguir com ela por aquela estrada de tijolos até o mundo da fantasia. Já na repescagem, em 2 de novembro, os 100 anos do clássico O Gabinete do Dr. Caligari, de Robert Wiene, será lembrado com a projeção do filme com música ao vivo no Ibirapuera.

A Mostra resgata o passado olhando para o futuro. Haverá, no CineSesc, uma programação especial dedicada à VR, realidade virtual. E o 3.º Fórum Mostra promoverá debates e encontros com o objetivo de contribuir para a reflexão sobre o fazer cinematográfico.

 

DESTAQUES DA MOSTRA

Parasita

De Bong Joon-ho. O longa vencedor da Palma de Ouro. Família disfuncional invade a casa de ricaços. O horror, o horror

 

Wasp Network

O filme de abertura. Rodrigo Teixeira produz e Olivier Assayas dirige a adaptação do livro de Fernando Morais sobre os últimos soldados da Guerra Fria

 

Dois Papas

O encerramento. Fernando Meirelles dirige o diálogo ficcional entre os papas Francisco e Bento XV

 

A Vida Invisível de Eurídice Gusmão

O longa de Karim Aïnouz premiado em Cannes ganha sessão de gala no Teatro Municipal. Fernanda Montenegro merece

 

The Great Green Wall

O manifesto ecológico do produtor Fernando Meirelles

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Artista brasileira Nina Pandolfo assina poster da 43ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo

Cartaz traz a tradicional menina de olhos grandes, marca dos grafites da artista

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

26 de setembro de 2019 | 11h37

A 43ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo divulgou, na quinta-feira, 26, o cartaz oficial desta edição, que começa no dia 17 de outubro. Trata-se de uma arte assinada pela artista brasileira Nina Pandolfo, conhecida por pintar universos lúdicos compostos de meninas de olhos grandes e expressivos em grafites nas ruas da cidade e em telas expostas em galerias paulistas e estrangeiras.

Nina optou por destacar a arte do cinema. “Tudo começa na cabeça: as ideias, a parte da cenografia, o ator, quando lê o roteiro, pensa o personagem na cabeça dele. Por isso a cabeça é o centro”, afirma ela, que destaca a diferença nas cores dos olhos (um é azul e outro, vermelho), que simboliza um antigo par de óculos para filmes em 3D. E os balões que saem deles, além de uma casa, remontam a contos e fadas.

“Quando você entra no universo do cinema, é uma viagem, que conduz tanto os criadores quanto quem está assistindo. É a união de várias pessoas, de várias ideias que constroem o universo principal – o filme. Por isso tem essa miscelânea de inspirações”, explica Nina.

A 43ª Mostra acontece em São Paulo entre os dias 17 e 30 de outubro. Nesse ano, além da exibição de filmes em salas tradicionais, acontecerá também no Teatro Municipal, que vai receber três longas brasileiros.

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