4º Congresso de Cinema reúne setor para discutir MP

Representantes das 33 instituições associadas ao Congresso Brasileiro de Cinema (CBC) se reúnem nesta sexta-feira, na sede da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjam), para acertar os últimos detalhes do 4º Congresso doBrasileiro de Cinema, que será realizado no Rio Othon Palace Hotel, no Rio de Janeiro, entre os dias 14 e 18 de novembro. Além do grupo que compõe o CBC, também devem participar entidades e instituições que ainda não integram a organização, entre elas, a Associação Brasileira de Multiplex (Abraplex) e o recém-criado Fórum das Entidades do Cinema de São Paulo. Na reunião, será debatido o regimento interno do CBC e o regulamento do congresso. Gustavo Dahl, presidente da instituição, enviou esta semana uma proposta aos congregados sugerindo abordar durante o evento a Medida Provisória 2228-1, queregulamenta a política cinematográfica em território nacional, a relação cinema e TV, a situação do cinema cultural e os critérios de exibição (veja abaixo a pauta de discussões). Além disso, ele propõe a participação do CBC no próximo Fórum Social Mundial, que ocorre em Porto Alegre, em janeiro do ano que vem. "Nós sabemos do conteúdo do Fórum Social e o lado libertário e anárquico que ele tem, e até mesmo a sua forte coloração política", afirma Dahl. "No entanto, a mundialização da questão audiovisual está na pauta, não só do Fórum, como de outros espaços de discussão. É preciso encontrar formas de se relacionar com esse cinema hegemônico que ocupa 80%, 90% do mercado mundial impedindo a existência de cinemas nacionais. Essa pauta está na agenda da comunidade européia, por exemplo. Somente por meio da articulação e da diversificação, os cinemas regionais provarão que têm direito à auto-sustentabilidade."A 4ª edição do congresso ocorre no período previsto, 15 meses após a realização do 3º, em Porto Alegre. De agora em diante, deve ser realizado de dois em dois anos. Na edição anterior, a comunidade cinematográfica se reuniu para discutir o futuro do setor. Saíram da capital gaúcha com uma idéia na cabeça: tornar o Congresso Brasileiro de Cinema uma organização permanente que fizesse a ponte entre a classe cinematográfica e a sociedade civil. Também redigiram um documento sugerindo a criação deuma agência nacional de cinema e criticaram a política cultural do governo. O evento terminou no dia 1º de julho. No dia 13 de agosto, o presidente da República recebeu Dahl, Cacá Diegues e Luiz Carlos Barretos para uma audiência. Em setembro, o Grupo Executivo para Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica (Gedic) foi criado, com a participação de, entre outros, Evandro Guimarães, vice-presidente de Relações Institucionais da Globo, que já haviamostrado interesse em participar das discussões durante o congresso. Inauguraram-se, a partir desse ponto, duas formas de atuação. O CBC se responsabilizou por unificar os interesses da classe, enquanto o Estado, por meio do Gedic, se propôs a criar uma política pública que satisfizesse as necessidades da indústria nacional de cinema. Ambas, no entanto, tinham na figura de Dahl um ponto de convergência. O cineasta e produtor, por esse motivo, insiste que o 4º CBC não têm vínculos nem com a MP nem com a atual política pública."Eu acredito que o 3º Congresso nacionalizou a questão, e fez com que ela extrapolasse os limites do Ministério da Cultura. Nesse sentido, ele deu uma grande contribuição para as mudanças", diz Dahl. Segundo ele, o principal foco de discussão do evento e ste ano não é a MP e sim a relação entre cinema e televisão, que foi excluída da medida provisória. "A atuação do congresso se dá através do consenso das entidades que dele fazem parte. Por isso, mais do que defender a MP, cabe ao evento sinalizar que o cinema não pode ser visto independente da televisão aberta e da televisão por assinatura, ou seja, da radiodifusão e das tele-comunicações. Na OMC (Organização Mundial do Comércio) esses três segmentos já são tratados conjuntamente."Proposta temática para grupos de trabalhoRevisão do relatório final do 3º CongressoAvaliação da MP 2228-1 (agência, recursos para atividades/tabelas, regulação do mercado, critérios de alocação de recursos)Cinema, radiodifusão e telecomunicação (TV aberta: co-produção, cota de tela, aquisições, publicidade, auto-publicidade,ante-projeto de lei da radiodifusão. TV por assinatura: revisão da Lei do Cabo; verticalização x horizontalização; valor de mercado do filme brasileiro. Conteúdo nacional: dramaturgia e produção independente para TV. Televisão pública e democratização dosmeios de comunicação)Cinema cultural (agenda SAV/MinC, situação do CTAv, curta-metragem: produção, distribuição, exibição)Exibição (cota de tela para filme brasileiro, relações com distribuidoras, expansão do parque exibidor)Fórum Social 2002 (inclusão do audiovisual: OMC, globalização e democracia mundial audiovisual, comissão organizadora)

Agencia Estado,

03 de outubro de 2001 | 20h01

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