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34.ª Mostra de Cinema começa com quase 500 filmes

'Carlos', de Olivier Assayas, sobre o famoso terrorista, é a aposta dos críticos como melhor filme do festival

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

21 de outubro de 2010 | 06h00

Todo ano a Mostra se renova e este tem sido segredo de sua permanência. No ano passado, atendendo - de certa forma - aos pedidos dos que esperavam ver a Mostra tornar-se itinerante, viajando pelo Brasil, Leon Cakoff, seu organizador, convenceu produtores e diretores a liberarem um certo número de acessos de filmes pela internet. "Eles aceitaram o argumento de que seria como uma nova sala", explicou, na coletiva de imprensa, o sr. Mostra. O sucesso foi tão grande que a Mostra virtual volta em 2010. A novidade deste ano é o circuito de bicicletas, uma iniciativa do Instituto Parada Vital, com patrocínio da Sabesp, que permitirá ao público ir pedalando de um local de exibição a outro, trocando de bikes em cada ‘estação’.

 

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O público da Mostra - cinéfilos ou maratonistas? Vem de longe a definição da Mostra como maratona de filmes e, este ano, ela parece mais do que nunca disposta a se (re)afirmar como o maior evento brasileiro do gênero. Afinal, serão quase 500 títulos - exatamente 467 -, entre curtas, longas, filmes antigos e novos. Como a Mostra se desenrola ao longo de duas semanas, 14 dias, para assistir a míseros 10% de sua programação, o cinéfilo terá de ver mais de três filmes por dia, todos os dias. No início, poderá até ser divertido, mas lá pelo décimo dia, e 30 e tantos filmes depois, o espectador já estará tonto. E existem as exposições, os encontros, o deslocamento de um espaço a outro. Haja disposição.

Para facilitar sua vida, publicamos aqui uma lista dos filmes que já vão estrear em seguida - embora, para muita gente, justamente esses sejam os mais atraentes. O que um certo tipo de espectador quer se assegurar é de ver ‘antes’. O espectador padrão da Mostra vai no escuro, convencido de que o filme, se integra a programação, é bom. Escolher, entre 500 filmes, o melhor é até uma temeridade, mas por que não? O que você não pode absolutamente perder? O Caderno 2 fez essa pergunta a seus críticos. Ambos fizeram a mesma aposta - Carlos, de Olivier Assayas, sobre o famoso terrorista, que já foi o melhor filme do Festival do Rio. A partir daí, as preferências foram mudando.

Carlos tem 5h30 de duração, e não se pode dizer que elas passam voando, porque seria mentira. Há até uma certa queda na última parte, quando Assayas atropela um pouco seu relato, mas nem isso impede Carlos de ser olimpicamente um grande filme, além de um filme grande. Mas há outro que você não pode perder - o russo My Joy, de Sergei Loznitsa, que aqui vai passar como Minha Felicidade. Loznitsa faz um retrato aterrador da Rússia pós-comunista. O país está entregue nas mãos de criminosos. Corrupção e violência geram impunidade. Tropa de Elite 2 vira um passeio na Disneylândia.

Nesse quadro impressionante, o autor, trabalhando nos limites do documentário e da ficção, constrói cenas admiráveis. O herói quer proteger a prostituta jovem, senão necessariamente mirim (uma reminiscência de Motorista de Táxi/Taxi Driver, de Martin Scorsese?) Ela reage mal, diz que pode cuidar de si mesma. E quando a câmera o acompanha num longo plano-sequência através da multidão, numa espécie de feira, o recorte que Loznitsa faz da humanidade é um dos mais apocalípticos vistos na tela.

Imbróglio. A Mostra apresenta os vencedores de Cannes (Tio Bonmee Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas, de Apichatpong Weerasethakul) e Veneza (Somewhere, de Sofia Coppola). Apresenta até os vencedores do Rio - VIPs, de Toniko Melo, prêmio do júri, e O Senhor do Labirinto, prêmio do público, creditado somente a Geraldo Motta, mas Gisella de Mello briga com ele na Justiça pela autoria e a expectativa é de que o imbróglio não prejudique a exibição. Os novos Woody Allen e Robert Rodriguez também estão entre os filmes mais aguardados (aqueles que vão lotar rapidamente).

Há uma exposição de fotos, já inaugurada, de Wim Wenders (no Masp) e outra de desenhos de Akira Kurosawa (a partir de sábado, no Instituto Tomie Ohtake). A Mostra faz retrospectivas de J.J. Ossang e Serge Avedkian. Homenageia Bent Hamer e Hanna Schygulla. Resgata Metrópolis, de Fritz Lang, com acompanhamento de música ao vivo. E tudo isso começa com O Estranho Caso de Angélica, de Manoel de Oliveira - o mestre é esperado somente na semana que vem -, que os convidados veem nesta quinta-feira. O público espera até sexta.

34.ª Mostra Internacional de Cinema

Ingressos/Pacotes

Permanente integral: R$ 390

Permanente especial: R$ 90

Pacote de 40 ingressos: R$ 285

Pacote de 20 ingressos: R$ 165

Central da Mostra

Avenida Paulista, 2.073

Conjunto Nacional. Funcionamento: das 10h às 21h

Internet: http://www.ingresso.com/

Site da Mostra: http://www.mostra.org/

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