32ª Mostra de Cinema de SP traz 456 filmes de 75 países

Megaevento será aberto ao público na sexta-feira e exibirá diversidade e humanismo durante 14 dias

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

08 de outubro de 2016 | 10h09

Leon Cakoff não se lembra direito quantos filmes eram - "Teria de consultar o catálogo" -, mas quando a Mostra surgiu, no Masp, há 31 anos, era um evento pequeno. Foram exibidos cerca de 20 filmes em 1977, mas a vocação já estava traçada. A Mostra trouxe ao Brasil, com a cumplicidade que Cakoff foi estabelecendo em embaixadas e nos festivais internacionais que freqüentava, um pouco daquilo que o cinéfilo paulistano não podia ver por causa da repressão do regime militar e das idiossincrasias do mercado brasileiro. A Mostra Internacional de Cinema que chega agora à sua 32ª edição é um megaevento que vai exibir, durante 14 dias, exatamente 456 filmes de 75 países. Na coletiva de lançamento, Renata Almeida, parceira de Cakoff na vida e na Mostra, disse que não pode haver recuo. "Acostumamos o público com uma maratona e ele quer sempre mais."   Parece impossível definir um conceito num evento desse porte. Seus críticos dizem que Cakoff somente empilha filmes. Os deste ano foram escolhidos entre mais de 1.200 títulos de todo o mundo. "Nosso conceito baseia-se na diversidade e no humanismo. E não estabelecemos nichos. A Mostra não contempla essa ou aquela tribo. Seria fácil apontar um caminho, dizer o que o público deve ver. Formamos essa grande seleção justamente para que o público faça suas escolhas", ele diz. O filme mais experimental é oferecido assim com o novo Woody Allen, Vicky Cristina Barcelona. E viva o cinema!   Assista ao trailer:  Tedium   La Virgem Negra    Crianças de Pira   Bioscopio   Watercolors   Chevolution   Depois da Escola   Tulpan   Palavra Encantada   A Festa da Menina Morta   Feliz Natal   Apenas o Fim   Romance   Se Nada Mais Der Certo   Juventude   Titãs: A Vida Até Parece Uma Festa     A mostra começa nesta quinta-feira com a exibição de Birdwatchers, Terra Vermelha, de Marco Bechis, para convidados - leia na página ao lado -, e na sexta-feira para o público. Nem se multiplicando por dez uma pessoa conseguiria assistir a tantos filmes, num prazo tão curto (a Mostra vai até dia 30). Cinéfilos de carteirinha gabam-se de ver 70/80 filmes a cada ano, e para isso se preparam, traçando mapas e cronogramas que prevêem as salas, os horários e os deslocamentos. Tudo tem de funcionar como um reloginho. No fim da Mostra, o cinéfilo pode até estar exausto, mas estará feliz. Para a Mostra de 2008, o próprio Cakoff gaba-se de estar concretizando um sonho que Renata e ele acalentavam há anos. "Estamos conseguindo trazer nosso anjo da guarda."   O ‘anjo’ é o cineasta alemão Wim Wenders, que finalmente aceitou vir a São Paulo, e com carta branca da Mostra para apresentar uma seleção de filmes. Só a seleção de filmes de Wenders, com 15 títulos, já se constitui numa seleção dentro da seleção, com filmes novos, de jovens diretores, e clássicos (de Yasujiro Ozu, François Truffaut e Jean-Luc Godard) para ninguém botar defeito.   Algumas outras atrações - a mostra dedicada ao diretor japonês Kihache Okamoto, ídolo de Quentin Tarantino e Jim Jarmusch; a retrospectiva dos primeiros filmes de Ingmar Bergman; as duas exibições especiais da versão restaurada, pelo próprio autor, de O Poderoso Chefão, de Francis Ford Coppola; a versão de Revolução que o diretor Hugh Hudson e o astro Al Pacino restauraram (e o primeiro virá a São Paulo como jurado da Mostra). Tudo isso é maravilhoso, claro, mas, a par desse resgate de filmes antigos (e viscerais), a Mostra é fundamentalmente o território do novo - a vitrine das novas tendências do cinema brasileiro e mundial. Justamente, o Brasil.   Leon Cakoff ressalta que 2008 está sendo o ano do cinema brasileiro no exterior. Além de ganhar o Urso de Ouro em Berlim (por Tropa de Elite, de José Padilha) e o prêmio de interpretação feminina em Cannes (para Sandra Corvelone, por Linha de Passe, de Walter Salles e Daniela Thomas), o Brasil já foi homenageado em festivais na Polônia e no Japão e, em breve, terá retrospectiva em Roma.   "O mundo reconhece nossa identidade cinematográfica", celebra Cakoff e a Mostra retribui abrindo sua janela para o cinema do mundo. Todas as tribos - filmes sobre família (O Casamento de Rachel, de Jonathan Demme; Conto de Natal, de Arnaud Desplechin; Horas de Verão, de Olivier Assayas, etc.); histórias de violência urbana (Gomorra, de Matteo Garrone; Perro Come Perro, de Carlos Moreno; Última Parada 174, de Bruno Barreto, etc.); investigação da linguagem (Aquele Querido Mês de Agosto, de Miguel Gomes); perfis de revolucionários (o Che de Steven Soderbergh, que deve trazer à cidade o intérprete do papel, Benício Del Toro, melhor ator em Cannes; Chevolução, de Trisha Ziff); a cerimônia de luto em universos místicos (A Festa da Menina Morta, de Matheus Nachtergaele; A Floresta dos Lamentos, de Naomi Kawase, etc.). Filmes, filmes, filmes. A maratona vai (re)começar. Esteja preparado para não lamentar depois o que deixou de ver.

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