30.ª Mostra Internacional de Cinema de SP dá a largada

Nesta 30ª edição, são 420 filmes (292 apenas em longas-metragens) de 44 países. Muita coisa mudou desde que o crítico de cinema Leon Cakoff colocou a Mostra na vida dos paulistanos, em 1977, apresentando 23 filmes, como Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia, de Hector Babenco. Se, no início, o evento sofria com a censura do governo militar e só operava no porão do Masp, no qual Cakoff era chefe do departamento de cinema, hoje ocupa 19 salas e dá espaço até para os mais comerciais. Só um pouquinho de espaço, é claro. Além de trazer novidades da cinematografia mundial, a Mostra sempre reserva um espaço para retrospectivas, clássicos e raridades. Em geral, essas apresentações especiais ficam em segundo plano. Mas, este ano, a seleção tem tudo para roubar a cena das novidades.A principal é a que lembra o cinema político italiano dos anos 1960 e 1970. Durante a ditadura militar os títulos precisavam driblar a censura para ser exibidos aqui. Portanto, vai dar um gosto especial ver Antes da Revolução, de Bernardo Bertolucci, Feios, Sujos e Malvados, de Ettore Scola, e Os Subversivos, de Paolo e Vittorio Taviani, e outros 25 títulos. Musa de Elio Petri em Investigação sobre um Cidadão Acima de Qualquer Suspeita, a atriz Florinda Bolkan, radicada na Itália, fará parte do júri.A outra retrospectiva homenageia o diretor carioca Joaquim Pedro de Andrade (1932-1988), cuja obra foi restaurada e apresentada pela primeira vez no último Festival de Veneza. É uma grande oportunidade de conhecer a curta, mas significativa, filmografia de um dos precursores do movimento Cinema Novo. Os seus seis longas, mais os oito curtas, serão exibidos, dos documentários, como Garrincha, a Alegria do Povo, às adaptações literárias, em especial o popular Macunaíma, com Grande Otelo e Paulo José, escolhido para a sessão de encerramento em 2 de novembro.No Cinesesc, estão previstas as exibições de filmes mudos com acompanhamento sonoro ao vivo, o que já é uma tradição do festival. É o caso do italiano Cabíria, de Giovanni Pastore, um dos filmes preferidos do mestre Federico Fellini. Lançado em 1914, o épico teria influenciado o revolucionário ´O Nascimento de um Nação´, do americano David W. Griffith. Uma versão sonorizada também está programada. Na sessão de Histórias Tenebrosas (1919), de Richard Oswald, o pianista Paulo Braga partirá para o improviso para seguir a cópia. Dividida em cinco contos, foi a primeira produção de terror do então emergente cinema alemão.Outra sessão que deve despertar a curiosidade dos cinéfilos é a da série Shakespeare Mudo. São sete curtas-metragens produzidos entre 1899 e 1911, na Inglaterra, nos Estados Unidos e na Itália, levando a obra do poeta inglês para as telas pela primeira vez. Preservadas pelo British Film Institute, ganharam uma nova trilha sonora que também será executada ao vivo.Ainda terá espaço nobre a obra-prima do espanhol Luis Buñuel, A Bela da Tarde (1967), com Catherine Deneuve no auge da beleza. O filme acaba de ganhar uma tardia continuação, ´Belle Toujours - Sempre Bela´, dirigida pelo português Manoel de Oliveira, que integra a programação principal e é uma das atrações do famigerado Vão Livre do Masp, que este ano terá bastante movimento. Confira no especial da mostra.30ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. De 20/10 a 2/11. Permanente e pacotes promocionais na Central da Mostra do Conjunto Nacional (Av. Paulista, 2.073), 3253-9256/9237, 10h/21h. R$ 120 (20 ingressos), R$ 220 (40 ingressos), R$ 90 (especial para sessões de 2ª a 6ª, até 17h55) e R$ 340 (integral para todas as sessões). Individuais apenas nas bilheterias nos dias das sessões. www.mostra.org.

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