30.ª Mostra de SP começa com 31 longas brasileiros inscritos

Pode ser marketing da Petrobras, mas aempresa acusada de favorecer os cariocas na distribuição deverbas para longas, em seu recente edital, trata agora de ficarbem com os paulistas, instituindo, na 30.ª Mostra Internacionalde São Paulo, o Prêmio Petrobras de Difusão Cultural, exclusivopara filmes brasileiros. Serão R$ 400 mil para a melhor ficção eR$ 200 mil para o melhor documentário, escolhidos pelo público. Estão inscritos 31 filmes na Mostra Brasil - 17 ficçõese 14 documentários. A maioria integrou a Première Brasil, noFestival do Rio 2006, incluindo os três vencedores do eventocarioca, na categoria ficção - O Céu de Suely, de Karim Aïnouz melhor filme para o júri oficial; O Ano em Que Meus PaisSaíram de Férias, de Cao Hamburger, vencedor do prêmio dopúblico; e O Cheiro do Ralo, de Heitor Dhalia, que venceu osprêmios da crítica internacional (como melhor filme latino) e oespecial do júri da mostra brasileira. Os três reafirmam a forçae diversidade do cinema brasileiro atual. Nenhum se parece com ooutro, embora seja mais fácil fazer a ponte entre Suely, querifa o próprio corpo, e o garoto cujos pais saem em viagem deférias (metáfora para a clandestinidade, durante a ditaduramilitar). O Cheiro do Ralo é mais transgressor e o personagemdo comprador de objetos usados é um escroto. Fazer um filmedesses, sem cair na caricatura e sem deixar o espectador comódio do anti-herói, é coisa que Heitor Dhalia só conseguiuporque teve, entre outras, uma parceria fundamental - a do atorSelton Mello. Sem querer influenciar o voto popular, participam dadisputa outros filmes já testados no Rio e também de altaqualidade, como Proibido Proibir, de Jorge Durán; e Os DozeTrabalhos, de Ricardo Elias. As ficções ainda incluem Noel -Poeta da Vila, de Ricardo Van Steen; Só Deus Sabe, de CarlosBolado; O Passageiro, de Flávio Tambellini; Antônia, de TataAmaral; Acidente, de Cao Guimarães e Pablo Lobato; e 1972,de José Emílio Rondeau. Serras da Desordem, de Andrea Tonacci,venceu o Festival de Gramado, em agosto; e Incuráveis, deGustavo Accioli, foi premiado em Brasília, no ano passado. As novidades da categoria ficção, os filmes inéditos daMostra Brasil são - As Tentações do Irmão Sebastião, de JoséAraújo; Corações Desertos, de Cristiano Burlam; e O Dono doMar, de Odorico Mendes. Na categoria documentário, algunstítulos também já foram testados no Rio, incluindo À Margem doConcreto, de Evaldo Mocarzel, que foi o grande vitorioso para ojúri presidido por Nelson Pereira dos Santos. Outros integraram a competição, passaram fora deconcurso ou estiveram na mostra Retratos - Cartola, de LírioFerreira e Hilton Lacerda; Atos dos Homens, de Kiko Goifman;Pixote in Memoriam, de Felipe Briso, Gilberto Topczewski e EduAbad; Fabricando Tom Zé, de Décio Matos Jr.; Oscar Niemeyer -A Vida É Um Sopro, de Fabiano Maciel; Expedito, em Busca deOutros Nortes, de Aida Maria Bastos e Nepomuceno Marques: eTrês Irmãos de Sangue, de Ângela Patrícia Reiniger. Cartola é um caso curioso: é personagem de ficção emNoel e de documentário com Lírio e Hilton Lacerda. E aindaconcorrem em São Paulo - Nzinga, de Octávio Bezerra; Antes,Um Dia e depois, de Caio Cavechini; Brilhante, de ConceiçãoSenna; O Livro Multicolorido de Karnak, de Marluco Izidoro; ePretérito Perfeito, de Gustavo Pizzi.

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