24.º Festival de Miami valoriza latinos e premia filme escocês

O elogiado filme escocês Red Road, de Andrea Arnold, foi o grande vencedor do 24.º Festival Internacional de Cinema de Miami, encerrado neste fim de semana. Em um festival que prima pela valorização da produção cinematográfica latino-americana pode até soar estranho que um filme escocês tenha levado o prêmio máximo da World Première (a competição mundial). Mas, o que há que se compreender é que os latinos, segundo a lógica da organização do festival, merecem uma mostra só sua, ou seja, a Ibero-American Cinema Competion. Esta, sim, agrega todos os filmes que têm produção, ou co-produção, latino-americana ou caribenha. Nesta categoria, quem levou a melhor foi o belíssimo O Violino, de Francisco Vargas Quevedo, que além de premiado e incensado na última Mostra de Cinema, entrou em cartaz recentemente nos cinemas brasileiros. O Brasil, que competia com O Cheiro do Ralo (de Heitor Dhalia), que teve sessões animadas, e A Casa de Alice (de Chico Teixeira), não levo nenhum prêmio máximo, mas mereceu duas menções honrosas que vieram muito a calhar. Corajosa equipeA primeira foi para a atriz Carla Ribas, por atuação no filme de Teixeira. A segunda, para o subestimado, mas não menos valoroso, Sonhos de Peixe, que o russo Kirill Mikhanovsky e uma corajosa equipe brasileira realizaram em um vilarejo, a Baía Formosa, no Rio Grande do Norte. Lembranças importantes diante do fato de que Sonhos de Peixe, que integrou, e foi premiado com o Crítica Jovem, a Semana da Crítica de Cannes, não consegue um distribuidor no Brasil porque geralmente é taxado pelos distribuidores de ?documental demais?. O público dedicou seu prêmio ao La Noche de los Girassoles, de Jorge Sanchez-Cabezudo, e ao colombiano Bluff, do jovem Felipe Martínez, que levou o novíssimo Latin-American e Caribbean FedEx Express Audience Award. Dedicado a filmes que não integravam as categorias competitivas (em que também estavam Antônia, de Tata Amaral, e Os 12 Trabalhos, de Ricardo Elias), a opção do público por Bluff revela que a audiência busca, sim, filmes jovens e para jovens em um mercado dominado pelos quase sempre mesmos filmes americanos. ?Este é um prêmio importante. Não só pelo valor de US$ 10 mil (R$ 20 mil), mas pelo significado. Espero que a Colômbia não leve mais 30 anos para poder trazer um filme para este festival?, declarou Felipe. De volta aos brasileiros, A Casa de Alice, que fez estréia mundial no último Festival de Cinema de Berlim na seção Panorama, ainda não tem data certa para ser lançado no Brasil. Quem sabe participará de algum festival antes de chegar às salas comerciais: Pode esperar o Festival do Rio, em setembro, e a Mostra de São Paulo, em outubro. Saldo positivoMesmo sem prêmios principais, a participação do cinema nacional neste festival realizado na cidade que é vista como ?a porta de entrada para o mundo latino? sai com saldo positivo. Além do prêmio para Carla Ribas, A Casa de Alice sai de Miami com distribuição garantida no concorridíssimo mercado de cinema dos Estados Unidos. Antônia, que fez sua première americana durante o festival em sessões acaloradas, teve seus direitos adquiridos pela empresa Red Envelope. A notícia pode trazer novidades para a carreira do filme, que fez boa campanha com a crítica (durante o festival de Berlim, o filme foi apontado com um dos hits do evento), mas ficou aquém em matéria de público no Brasil, onde estreou no início do ano. Faz continuar a boa carreira que o longa de Tata Amaral vem conquistando em solo brasileiro e internacional. Este delicado, e, ao mesmo tempo, realista retrato da periferia paulistana põe em foco quatro garotas que tentam sobreviver cantando rap. Também focando a periferia, mas sob a perspectiva de uma dona-de-casa de classe média, este drama hiper realista é protagonizado por Carla Ribas, que vive o papel de Alice, uma manicure que tem em torno de 40 anos e mora na periferia de São Paulo.Nos EUA, o longa teve seus direitos adquiridos pela novíssima FiGa Films, do brasileiro Sandro Fiorin e Alex Garcia, com base em Los Angeles e especializada em distribuir filmes latino-americanos no mercado dos EUA. ?As sessões aqui foram até melhores que as de Berlim. Logo após as exibições, houve debates, que tiveram perguntas ótimas do público. As pessoas se interessaram muito e fizeram questionamentos muito interessantes sobre a vida das pessoas retratadas?, comentou Carla Ribas. ?Vocês não sabem o quanto este prêmio que recebi aqui é importante para mim. Estou descobrindo o cinema, pois sou uma atriz essencialmente de teatro, e estou aprendendo muito?, completou. (A repórter viajou ao festival a convite da FedEx)

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.