"2 Filhos de Francisco" vem para ganhar o público

A dupla sertaneja Zezé di Camargo e Luciano está trabalhando na divulgação não de um novo álbum, mas de 2 Filhos de Francisco, o belo (e poderoso) filme de Breno Silveira que estréia hoje em mais de 200 salas de todo o País. O diretor gostaria de limitar o lançamento a 140 cópias, mas os exibidores não param de pedir para passar 2 Filhos de Francisco. Se dependesse de Zezé, o filme teria estreado quarta, dia 17, em que completou 43 anos. A retumbante sessão especial no Festival de Gramado serviu de comemoração. Por que justamente agora eles estão investindo para valer no cinema? É por causa do Francisco. É o pai de Zezé di Camargo e Luciano e eles sempre acharam a história de Francisco e Helena, a mãe, tão bonita que até se apagam, se for preciso, para contar a história desse pai que viveu obcecado por um sonho. Amante da música, Francisco queria fazer de dois de seus filhos - a família é imensa - uma dupla. "É uma história universal", define o diretor Silveira, ele próprio pai (de duas filhas). Tem sonho, esperança, tragédia, luta. Foi o que o incentivou a contá-la. Se fosse para fazer só mais um filme de cantor-que-vira-ator, Silveira não teria dedicado os três últimos anos de sua vida a um projeto que o arrebatou. Contactado para fazer um filme sobre Zezé di Camargo e Luciano, Silveira achou que seria mais interessante desenvolver a trama pelo ângulo do pai. Apresentou o projeto à dupla, que topou. Luciano foi uma peça decisiva no processo. Convenceu Zezé, fez a ponte entre a família e a equipe de criação, o diretor e as roteiristas Patrícia Andrade e Carolina Kotscho. Luciano, que vive anunciando ser cinéfilo, queria que a história fosse bem contada. O primeiro esboço apresentado à dupla era cheio de incorreções e não dava a medida de Francisco nem de Helena. "Sempre achei que a minha mãe era a pessoa mais indicada para revelar meu pai, assim como só a Zilu tem condições de nos mostrar o Zezé." Luciano tem essa coisa romântica de acreditar que são as mulheres fortes que dão sustentação aos homens sonhadores. Vê nas duas, Helena e Zilu, representações das brasileiras no que têm de melhor.Luciano se lembra quando deixou o interior de Goiás e veio ao encontro do irmão em São Paulo. Zezé, um guerreiro, estava desanimado com as possibilidades da carreira. Luciano lhe garantiu que eles iam vender um milhão de discos. Zezé achou que era loucura juvenil - Luciano é 11 anos mais jovem -, coisa de quem não entendia o mercado fonográfico, mas deixou por isso mesmo. Venderam 22 milhões de discos (hoje CDs). Se 10% desse público for ver o filme, será um sucessão, mas eles vão ficar tristes. "Temos o maior carinho e respeito pelos nossos fãs e eles sabem disso. Somos artistas populares, viemos do povo. Já andamos apertados nos ônibus, passamos até fome, corremos atrás de emprego, exatamente como as pessoas que nos admiram. Não somos como eles; somos eles", diz Zezé. A tristeza? "Porque essa história é muito brasileira para ser vista só pelos nossos fãs sertanejos."

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