1000 filmes do Merten: Ao mestre Coutinho

Os cinemas voltaram, mas ainda não lotaram. Seja porque o público ainda está temeroso – a pandemia não acabou –, seja porque o streaming se consolidou

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

10 de novembro de 2020 | 03h00

Já é mais que tempo de pensar numa transformação que está em processo. Os cinemas voltaram, mas ainda não lotaram. Seja porque o público ainda está temeroso – a pandemia não acabou –, seja porque o streaming se consolidou. Atrações não faltam, nas diferentes plataformas.

Asas do Desejo

Der Himmel Über Berlin – O Céu Sobre Berlim. Em 1987, três anos após sua Palma de Ouro – por Paris, Texas –, Wim Wenders contou a história dos anjos Damiel e Cassiel. Do alto, eles assistem ao sofrimento da humanidade. Eventualmente, descem à Terra para amparar os pobres mortais. Colocam a mão no ombro de alguém que não aguenta mais tanta dor. E Damiel, apaixonado, sonha desistir da imortalidade para viver um grande amor. Com, Bruno Ganz, Otto Sander e Solveig Dommartin (a trapezista). Roteiro e diálogos de Peter Handke, fotografia de Henri Alékan, prêmio de direção em Cannes. No Belas Artes à La Carte.

Banquete Coutinho

Poderia chamar-se Ao Mestre, com Carinho. Eduardo Coutinho, que transformou a arte do encontro em tema de grandes documentários, encontrou o “seu” Coutinho. O jovem Josafá Veloso aproximou-se dele com a mesma simplicidade do diretor. Fez as perguntas certas, estabeleceu um clima de intimidade. Você vai ficar com a sensação de que, finalmente, conseguiu ver o homem por trás da lenda. Na Mubi.

Grandes Mestres do Cinema Espanhol

Duas mostras – com o apoio da Embaixada da Espanha – põem o foco no cinema espanhol. A dos mestres, agora em novembro. A dos Grandes Artistas do Cinema Espanhol, em dezembro. Filmes de Luis Buñuel (Viridiana e Tristana), Carlos Saura (Cria Cuervos) e de autores como José Luis Berlanga (O Verdugo) e Juan António Bardem, tio de Javier (A Morte de Um Ciclista) que desafiaram o franquismo para dar uma nova cara ao cinema do país nos anos 1950. Só filmes bons, e ainda tem Os Santos Inocentes, de Mario Camus. Mas o melhor é Victor Erice, O Espírito da Colmeia e O Sul. No Belas Artes à La Carte.

O Raio Verde

Lançado como Summer nos EUA, o filme não integra a série das quatro estações de Eric Rohmer. É o quinto título de outra série – Comédias e Provérbios. Delphine/Marie Rivière prepara-se para as férias, mas basta um telefonema para acabar com seus planos. Ficará sozinha? O ex-crítico de Cahiers du Cinéma nunca abriu mão de investigar a alma de seus personagens por meio de um realismo chamado de espiritual. Fez filmes que pertencem à história. Parecem simples, construídos sobre nada – a errância de Delphine nesse verão calorento –, mas possuem camadas. O título vem de Jules Verne. O que o último raio do sol se refletindo no mar tem a ver com Delphine? Nada? Tudo! Na Mubi. 

LUIZ CARLOS MERTEN É JORNALISTA E CRÍTICO DO ‘ESTADÃO’, AUTOR DE ‘CINEMA. ENTRE A REALIDADE E O ARTIFÍCIO’

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