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'007 Contra Spectre' é um ótimo filme de autor

Filme estreia no circuito comercial no dia 5 de novembro

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

03 de novembro de 2015 | 05h00

Havia já um grande filme do cinemão entre os melhores do ano, o operístico Estrada da Fúria, de George Miller, em que Charlize Theron/Furiosa superava Mad Max/Tom Hardy como heroína de ação. Agora existem dois. O novo James Bond, 007 Contra Spectre, 24.º título da série oficial, é o melhor de todos. Sam Mendes conseguiu. Com o anterior, 007 Contra Skyfall, ele bateu o bilhão de dólares e recebeu críticas consagradoras, mas o vilão, o Silva de Javier Bardem, era muito clonado no Anton que o ator criou em Onde os Fracos não Têm Vez, dos irmãos Coen, e isso causava certo mal-estar. Spectre, mais sombrio ainda, é uma criação plena de Mendes.

Começa com a mais espetacular cena pré-créditos de toda a série, uma eletrizante perseguição no Zócalo, a praça central da Cidade do México, em plena festividade do Dia dos Mortos. Prossegue com outra incrível perseguição na neve. Os adjetivos poderiam se suceder, indefinidamente, mas o que faz de Spectre um grande filme é o arco dramático. Como ‘autor’, os melhores filmes de Sam Mendes tratam de pais e filhos. Morta a mãe (M, Judi Dench) em Skyfall, ele retorna ao pai. Durante boa parte do tempo, todo mundo adverte que James não sabe quem está combatendo, ao se lançar contra a Spectre de Christopher Waltz.

A busca do vilão é a das próprias origens, mas Mendes não cai no freudianismo elementar ao estabelecer o elo que une os dois homens, Bond e sua nêmesis. O vilão, que não é um supervilão – Sam Mendes sempre pedia para Waltz representar um tom abaixo, ao contrário de Javier Bardem, sempre um tom acima –, é pintado como o grande manipulador por trás de todos os infortúnios do herói desde Cassino Royale, o primeiro com Daniel Craig no papel. Spectre torna-se, assim, referencial. Explica tudo e talvez feche um ciclo, mas outro se abrirá. James Bond will return, porque seu público assim quer. Com Daniel Craig, com Sam Mendes?

Parte da equipe está renovada. M, Q, Moneypenny, Tanner. E 007? Quem sucederá Daniel? Os anteriores foram icônicos (alguns), mas ele elevou o personagem a um raro patamar de drama. Na verdade, Sam Mendes enfrentou o mesmo desafio de Christopher Nolan com o Batman. Como se faz grande cinema de autor com os personagens unidimensionais da cultura pop? Dando-lhes densidade? E nem falamos das ‘girls’. Monica Bellucci aparece pouco, mas é ‘donna’. Léa Seydoux, que seria a bond girl, veio para substituir Vesper (Eva Green) como... O amor?

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