Ziraldo, o mais polêmico, foi aconselhado a retirar seu nome e evita declarações

Dos cinco candidatos de expressão, Ziraldo é o mais polêmico. "A chamada bolsa ditadura pesou. Ele saiu chamuscado do episódio e isso tem peso na academia", analisa Ivan Junqueira. Em abril, o criador do Menino Maluquinho recebeu R$ 1 milhão da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, além de pensão mensal de R$ 4 mil, em processo no qual alegava ter prejuízos com a perseguição política durante a ditadura militar.Ziraldo não quer falar da sua candidatura: "Aprendi que candidato não deve dar entrevista." E usa um símbolo da ditadura para se justificar. "Como diria Armando Falcão (ministro da Justiça de Ernesto Geisel), nada a declarar." A candidatura de Ziraldo alimentou intrigas na casa. Sua amiga e imortal Ana Maria Machado, de 66 anos, o aconselhou a retirar seu nome.Um acadêmico antigo na casa acredita que a indenização não é problema, até porque outro imortal, Carlos Heitor Cony, recebe o benefício desde 2004. O problema, segundo esse acadêmico, foi a reação de Ziraldo. Na época, o cartunista reagiu assim às críticas: "Estou me lixando. Esses críticos não tiveram a coragem de botar o dedo na ferida, enquanto eu não deixei de fazer minhas charges. Eles tomavam cafezinho com Golbery."Apesar de ter eleições sempre muito concorridas, existem escritores que não aceitam fazer parte da Academia Brasileira de Letras. "Tenho muitos amigos lá. Mas nunca pertenci a academias ou grupos. Gosto mesmo é de ficar em casa estudando", explica o crítico literário Antonio Candido, de 90 anos. O escritor Luis Fernando Verissimo relembra o pai, Erico. "Uma vez, após um enfarte, meu pai foi convidado a se candidatar à ABL e respondeu: ?Mas eu já sou quase uma vaga!? Quando o amigo Vianna Moog insistiu, disse: ?Está bem, Moog. Vou me candidatar para a tua vaga.? Moog nunca mais tocou no assunto. Meu pai era contra qualquer tipo de formalidade". Verissimo, o filho, vai na mesma linha: "Eu não me candidato porque não tenho obra literária que mereça a honra nem o físico para o fardão, ainda mais depois que o (Moacyr) Scliar me contou que a gente não fica com a espada. Mas também tenho amigos lá dentro e respeito a instituição".

Márcia Vieira e Roberta Pennafort, O Estadao de S.Paulo

21 de agosto de 2008 | 00h00

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