Zé Pedro joga suas prediletas na pista

DJ consegue liberação até de Marisa Monte para o CD de remixes Essa Moça Tá Diferente, só com faixas de cantoras

Lauro Lisboa Garcia, O Estadao de S.Paulo

18 de junho de 2009 | 00h00

A paixão do DJ Zé Pedro pelas cantoras brasileiras encontra correspondência à altura. Ele não só leva as vozes delas para as pistas de dança como vive dando dicas certeiras. Foi por indicação dele, por exemplo, que Zélia Duncan gravou Os Dentes Brancos do Mundo (Marcos e Paulo Sérgio Valle) no recém-lançado álbum Pelo Sabor do Gesto, e Wanderléa registrou o raro Samba da Preguiça (Roberto e Erasmo Carlos) no premiado CD Nova Estação (2008). Ele vai aos shows de todas e cada uma delas é para ele "a maior cantora do Brasil". Com essas credenciais, não foi difícil conseguir liberação de fonogramas até de artistas reservadas como Marisa Monte (Infinito Particular) para seu novo CD de remixes, Essa Moça Tá Diferente (Lua Music). Ouça trecho de Vou FestejarNa animadíssima festa de lançamento no restaurante Dalva e Dito, na segunda-feira, ele contou com a presença de Angela Ro Ro (cantando Compasso, uma das melhores faixas do CD, com playback), Célia soltando o espantoso vozeirão em Muito Romântico (Caetano Veloso), Fernanda Takai fazendo carnaval cool com Taí (Joubert de Carvalho), em medley com Debaixo dos Caracóis dos Seus Cabelos (Roberto Carlos), que não está no CD. Maria Alcina sacudiu a torcida com Eu Quero É Botar Meu Bloco na Rua (Sérgio Sampaio), que ganhou uma irresistível batida funk, além de um pot-pourri em homenagem a Carmen Miranda. No final, todas se juntaram a Zé Pedro ao som de Vou Festejar (Jorge Aragão), clássico carnavalesco cantado por Beth Carvalho, outra das mais sacudidas faixas do CD."Viva o remix", saudou Ro Ro. "É mais um veículo para o artista poder fazer sucesso." Horas antes, durante o rápido ensaio, Célia, Alcina e Fernanda formaram um roda com o DJ para conversar com o Estado. Todas adoraram os remixes de suas respectivas gravações."Amei o resultado. E quando se faz ao vivo é melhor ainda porque toda aquela intenção da música que estava lá em violão e voz, dá pra gente mexer mais", diz. "Dá uma segurança, uma sensação gostosa você estar se jogando com uma pega que também se joga com você", diz Alcina, que já vem de experiências eletrônicas com o Bojo. Para ela, "o mais bonito" nele é o gosto pela música brasileira. "O que ele faz não é um remix pro marketing de um disco, mas porque gosta da gente, daquela canção que escolha. Assim fica genuíno", diz Fernanda. Além delas e outras citadas acima, o CD tem remixes de clássicos nas vozes de Elis Regina (Trem Azul), Maysa (Canto de Ossanha), Alcione (Sufoco), Nara Leão (Mal-Me-Quer), Cássia Eller (Na Cadência do Samba), Fafá de Belém (Raça). E também gravações mais recentes de cantoras mais jovens como Zélia Duncan (Todo Amor Que Houver Nessa Vida, ótima) e Mart?nália (Cabide). "Na verdade estou devolvendo pra elas essa coisa que vem comigo desde criança. Escolhi a MPB imediatamente na minha vida. Eu era caixa de banco e fazia faculdade de Direito e gostaria de sair pra dançar no Rio", diz o DJ. Numa dessas, um amigo DJ pediu para Zé substituí-lo uma noite e acabou perdendo o emprego para ele. No começo só tocava "música de gringo", mas queria outra coisa. "A plateia mais jovem tinha e tem ainda muito preconceito com a música brasileira. Então quis emprestar meu nome e alguma fama que possa ter tido para isso." No geral, o que ele faz é valorizar a força das próprias canções criando "macetes" para fazer seu público gostar daquilo que ele mais gosta.

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