Wolverine rasga telas com garras, nudez e carisma de Hugh Jackman

Mais cult entre os personagens da série X-Men ganha filme próprio, coalhado de ação

, O Estadao de S.Paulo

30 de abril de 2009 | 00h00

Wolverine acaba de ser derrotado pela febre suína. O mutante mais sexy do cinema - o erotismo de Hugh Jackman segura o filme que entra hoje em cartaz no Brasil com mais de 500 cópias; 200 serão dubladas - teve sua estreia cancelada no México. A distribuidora Fox não quis correr o risco de ver naufragar na bilheteria sua grande proposta como filme de verão deste ano no Hemisfério Norte. Wolverine pode ter sido nocauteado pelo tsunami suíno. Por aqui, suas matinês estão garantidas. Trailer de X-Men Origens: WolverineHá uma juventude que transforma as HQs em dogma e não admite a menor mudança em seus quadrinhos preferidos. É um sinal dos tempos. No passado, havia críticos que reclamavam das adaptações literárias e diziam, por exemplo, que Orson Welles traiu Franz Kafka (O Processo), sem se dar conta das especificidades de cada meio de expressão. Cinema é uma coisa, literatura é outra. Portanto... Hoje em dia, Welles poderia destruir alegremente seu Kafka e só alguns velhinhos acadêmicos talvez reclamassem. Agora, ai dele se tomasse ?liberdades? com os originais da Marvel Comics, como faz Gavin Hood.O diretor sul-africano de 45 anos - nasceu em 12 de maio de 1963 - recebeu o Oscar de filme estrangeiro por Tsotsi. Depois, ele fez O Suspeito em Hollywood, discutindo reduções das liberdades individuais na ?América? de George W. Bush, após o 11 de Setembro. Hood não parecia a escolha adequada para dirigir X-Men - Origens: Wolverine, mas até que não foi má ideia. Afinal, o filme pode ser de ação (e efeitos), mas há uma tentativa de dar espessura psicológica ao personagem. Jotabê Medeiros detém-se, abaixo, nas incrongruências cronológicas e nas liberdades de Wolverine em relação à série X-Men, da qual saiu o herói.Muito já se falou sobre o vazamento do filme na internet. Aquela versão é diferente - um pouco - da que agora estreia. Até que ponto isso vai prejudicar a carreira do filme é questão de mercado que nada tem a ver com uma avaliação crítica. Diga-se logo que o primeiro filme da série, de Bryan Singer, permanece o melhor de todos. Bem próximo do final de Wolverine, quando o herói liberta os mutantes presos numa instalação militar - e eles logo serão acolhidos por uma versão jovem de Xavier, Patrick Stewart -, o espectador talvez se decepcione porque aquele batalhão de X-Men invade o filme meio sem serventia. Só dois deles terão suas habilidades utilizadas para fazer avançar a história. É exatamente o inverso do que ocorre no começo, onde estão concentradas as maiores ousadias de Lance Hood (e a parte mais excitante de Wolverine).O filme deslancha com o herói garoto, no século 19, cometendo um assassinato no seio da própria família. Tudo é misterioso, nada é esclarecido, mas Wolverine, que ainda se chama Logan, inicia uma fuga com Victor. Esse começo do filme é pura invenção em relação às HQs. Wolverine e Victor são meio-irmãos, na nova interpretação de Gavin Hood. Atravessam as guerras - do século 19 e 20 -, durante as quais se moldam as personalidades de ambos. Victor, interpretado por Liev Schreiber, um mutante revoltado com sua condição, vira um assassino sanguinário. Logan tenta permanecer humano.Ele descobre o amor, mas Victor entra em cena para dinamitar sua felicidade. Uma experiência transforma Logan em Wolverine. Traçadas as origens do personagem, o resto é pura ação (e efeitos). O começo promete mais do que o filme cumpre, mas existem momentos ótimos. O herói nu, motivo de piadas, a acolhida na fazenda do casal de velhos. Logan/Wolverine é o homem caçado, acuado. Como matinê, animada pela persona sexy do ator, é o que se pode definir como programa legal. L.C.M. Serviço X-Men Origens: Wolverine (X-Men Origins: Wolverine, EUA-Nova Zel-Aus, 111 min.) - Ação. Cotação: Regular

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