''Virada é reurbanização humana''

Secretário comenta pesquisa sobre seu maior evento público

Jotabê Medeiros, O Estadao de S.Paulo

27 de novembro de 2008 | 00h00

O evento de maior visibilidade da Secretaria Municipal de Cultura, a Virada Cultural, tem eficácia contestável. A secretaria contabilizou em 2008 cerca de 3,5 milhões de espectadores, mas pesquisas dão conta de que o público pode ter sido de 1 milhão apenas. O alcance também seria menor do que o divulgado. Apenas 9% dos habitantes da capital paulista compareceram à Virada e, dentro dessa porcentagem, 16% eram jovens de 16 a 24 anos e 12% provenientes das classes A e B (ante 8% das classes C e 4% da D e E)."Em 2008, foram cerca de 800 atrações pulverizadas em mais de 20 palcos distribuídos pela região central, possibilitando a reurbanização humana do centro", rebateu o secretário.Pesquisa Datafolha mostrou que a Virada foi vista majoritariamente, este ano, por gente muito jovem, com dinheiro para comprar ingresso para qualquer tipo de show e que vive nos bairros de classe média alta. Ou seja: não funciona tanto como um elemento de democratização cultural. O que o sr. diz desse diagnóstico? Teria como resolver isso?Há um engano na interpretação dos dados do Datafolha em vista do verdadeiro sentido da Virada Cultural: ela se propõe a atrair a população, em todas as classes, ao centro da cidade. Todo paulistano tem duas referências: o seu bairro e o centro. A Virada propõe a ocupação do espaço simbólico do centro pelo cidadão. Nossa proposta, que se desdobra em outros programas, incluindo obras de revitalização e restauro, é a da reurbanização humana do centro da cidade, pelo viés da cultura. A Virada Cultural não é um programa para levar cultura à periferia. Ela inclui programação complementar nos CEUs, mas o projeto que leva cultura à periferia se chama Quebrada Cultural e é desenvolvido ao longo do ano.

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