Vinte e cinco anos de palhaçadas comemorados no palco

Grupo brasiliense Udi Grudi reencena seu premiado repertório, baseado numa mistura bem dosada de teatro, circo e música

Roberta Pennafort, RIO, O Estadao de S.Paulo

08 de janeiro de 2009 | 00h00

Neste ano e no próximo, a companhia de teatro Udi Grudi não vai parar quieta. Para comemorar seus 25 anos, irá se apresentar por cinco capitais (Rio, a partir de hoje, e, em seguida, São Paulo, Porto Alegre, Salvador e Belo Horizonte) e ainda passará pelo México, Dinamarca e Canadá. Não que viajar seja novidade na vida dessa trupe de palhaços, que se formou em Brasília e já passou por todas as regiões brasileiras e mais de quinze países, entre espetáculos e participações nos principais festivais de teatro e circo da Europa e Américas. Em cartaz nessa turnê, as quatro peças que compõem sua história, marcada pelo experimentalismo e mistura de circo tradicional, teatro e música, sempre interagindo com o público e com muito humor: O Cano (a mais antiga e mais bem-sucedida delas, de 1998), Ovo, Lixaranga e Udi Grudi em ConSerto. São espetáculos que seus integrantes, Luciano Porto, Marcelo Beré e Marcio Vieira (todos do núcleo fundador), nunca deixaram de encenar - ou seja, não há necessidade de ensaios. "Esse é nosso repertório completo, que está vivo até hoje", diz Leo Sykes, a diretora, que é casada com Beré. O grupo fica uma semana no Teatro dos Quatro, na Gávea; em São Paulo, chega em março. A turnê é patrocinada pela Petrobrás. No segundo semestre, eles estreiam A Devolução Industrial, cuja concepção já dura dois anos.Há treze anos sob a direção de Leo - inglesa radicada no Brasil que é ex-assistente do lendário diretor de teatro italiano Eugenio Barba -, o Udi Grudi, que se considera um grupo de "excêntricos musicais", tem prêmios concedidos no Brasil e no exterior. Mas ainda é pouco conhecido em São Paulo e no Rio.Todos os instrumentos utilizados em cena são confeccionados por Marcio Vieira, engenheiro elétrico por formação e o "luthier-palhaço" da companhia. Ele lança mão de materiais bem alternativos, como canos de PVC, garrafas pet e latas.O Udi Grudi chegou a ter sua própria lona de circo e apresentar números tradicionais, como acrobacias, corda indiana e malabarismo, e fez muito espetáculo em ruas. Com a chegada de Leo, outras possibilidades foram exploradas. "A entrada dela radicalizou o Udi Grudi. Ficamos muito mais sérios, objetivos, maduros e disciplinados, mesmo sendo palhaços", brinca Berê.

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