Vida 3G

O que fazer com um supercelular de tela grande, recursos avançados e que acessa a internet com velocidade de banda larga? Apesar de as redes de terceira geração (3G) - que permitem navegar com rapidez - estarem por aqui há mais de um ano, muitos brasileiros ainda não perceberam a utilidade de se conectar à web pelo celular.Se você é um desses, veja só: hoje é possível, facilmente, checar e-mails, bater papo no MSN, entrar no Orkut, assistir a vídeos do YouTube, procurar um endereço em um mapa da cidade ou mesmo buscar o horário do cinema, só para citar alguns exemplos básicos. Praticamente todos os sites e serviços populares da internet já têm versões adaptadas para os telefones, voltadas às necessidades de quem está na rua, longe de um computador.Com conexões mais rápidas do que as existentes antes da chegada do 3G, resistir a usar a web no celular seria como ter um lápis na mão, mas não saber escrever. O problema é que o "lápis" ainda é caro para a maioria das pessoas. Apesar das três principais operadoras de São Paulo já oferecerem planos 3G, os preços de aparelhos bons para navegar e, principalmente,dos pacotes de transferência de dados continuam altos.Mas, pouco a pouco, essa barreira começa a ser quebrada e mais pessoas recorrem ao celular para navegar na internet. Em outubro, houve um aumento de 47,3% no número de acessos à internet via celular, segundo dados da consultoria Predicta. A empresa não divulga a quantidade exata dos chamados acessos móveis, mas são entre 2 e 3 milhões ao mês.Outubro coincidiu com o lançamento oficial do iPhone (já na versão 3G) no País e, de cara, o bem-sucedido telefone da Apple contabilizou 54% do total de acessos à rede via celular. A freqüência de visitas também cresceu 50,6%, em média, por dia, em comparação com dados de julho, agosto e setembro."Antes os brasileiros não viam o celular como um aparelho bom para navegar. Com toda a divulgação em torno do lançamento do iPhone e das redes 3G, estamos em um momento em que o consumidor começa a entender o que é esse novo modo de se comunicar", diz a diretora de inteligência e marketing da Predicta, Claudia Woods.Pelos dados de setembro da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), há um crescimento rápido no número de conexões de terceira geração. Dois milhões de pessoas já utilizam tecnologias 3G, com um aumento de 45% no mesmo mês.Esse número inclui pessoas que usam modems 3G, uma alternativa para conectar computadores à web em locais onde não há banda larga disponível ou para donos de notebooks que precisam ter sempre uma opção de conexão à mão. A Anatel não explicita quantos pessoas usam o 3G no celular e quantas usam modems.O número ainda é pequeno quando comparado ao total de usuários de celulares, de 140 milhões (cerca de 80% pré-pagos), e será um enorme desafio popularizar o acesso à web pela rede de telefonia celular nos próximos anos."Grande parte dos celulares no País está entre os mais simples, e os telefones compatíveis com a tecnologia 3G atingem uma faixa de consumo que corresponde a menos de 10% do mercado hoje, tanto que os modems 3G é que têm feito mais sucesso", diz Alexandre Giarolla, gerente de marketing de produtos da Motorola. "Existe uma tendência de aumento nas vendas de smartphones, mas a penetração ainda está no começo. Enquanto não houver um barateamento dos telefones bons para navegar e dos planos de dados, as pessoas não se sentirão motivadas."Enquanto a internet móvel não se popularizar, também não haverá grande avanço em serviços de internet móvel mais avançados, que aproveitam de forma inteligente os recursos avançados desses aparelhos, como localização por GPS e vídeos transmitidos pela web.Um celular capaz de se localizar com o auxílio de satélites, por exemplo, possibilita que seu proprietário - assim como sua operadora - saiba exatamente onde está e, então, ele poderá receber informações bem contextualizadas e possivelmente mais úteis. Pode até saber se há contatos seus por perto, por exemplo. Quando isso acontecer, uma nova internet, voltada para os usuários móveis, surgirá."As operadoras precisam ter uma estratégia sólida para oferecer bons conteúdos e serviços aos internautas móveis. Há uma nova cadeia de empresas que deve trabalhar em conjunto, que inclui operadoras, fabricantes de celular, empresas de internet, provedores de conteúdo, gravadoras, emissoras de TV e estúdios de cinema. Hoje já existem parcerias com canais de TVs e ligas de futebol", diz Jean-Pierre Bienaimé, presidente do UMTS Forum.Muita água ainda precisa rolar, mas os primeiros adeptos dessa nova tendência já sentem claramente os benefícios. A publicitária Bruna Calheiros, de 23 anos, escreve no site Twitter enquanto está no trânsito, checa e-mails, lê dicas de cinema e até marca cervejadas pelo telefone. "É bem mais cômodo do que levar o notebook para todos os lugares", diz.

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