Viagem sentimental pelo mundo do samba

Teresa Cristina reúne clássicos e novas canções em Delicada

Roberta Pennafort, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2020 | 00h00

O samba da Lapa definitivamente deixou de ser um ''''fenômeno'''' para virar mainstream. Estrela maior das noites da região desde o chamado ''''renascimento'''', Teresa Cristina, acompanhada do inseparável e indefectível Grupo Semente, estréia na EMI com o CD Delicada. É o quarto de sua carreira, iniciada com uma aclamadíssima homenagem a Paulinho da Viola, que lhe rendeu prêmios de cantora revelação. Agora, ela apresenta cinco músicas de sua autoria (com parceiros especiais) e regravações de pérolas esquecidas. A produção é do mestre Paulão 7 Cordas.São canções que Teresa ouve há muitos e muitos anos, como Carrinho de Linha (Walter Queiroz), que conheceu na voz de Fafá de Belém, quando era uma menininha da 1ª série do Ensino Fundamental; Gema (Caetano Veloso), do disco Outras Palavras, que ela adora desde que foi lançado, em 1981; Nem Ouro, nem Prata (Ruy Muriti/Julio do Nascimento/José Jorge/Olívia S. De Carvalho), cuja letra ela sempre conheceu de cor. Paulinho também teve seu lugar no disco: a belíssima A Gente Esquece, que Teresa não gravou no disco-tributo ''''por covardia'''' (ainda não se sentia preparada para cantá-la).''''Eu queria mostrar o lado compositora, mas também o lado intérprete. Pensei em colocar só inéditas, mas aí seria injusto comigo, porque também escolho músicas para cantar'''', explicou a simpática Teresa, em entrevista na terça-feira. O título do novo trabalho vem de uma canção que escreveu para música de Zé Renato - uma bossa-nova que, quando chega à metade, recebe com prazer a chegada do pandeiro, do surdo e do cavaco.Para quem não a conhece, a sambista se apresenta logo na faixa inicial, Cantar, que é sua: ''''Cantar/Desnudar-se diante da vida/Cantar é vestir-se com a voz que se tem.'''' Se é assim, ela está muito bem vestida. Dona de timbre cheio de personalidade - numa época de vozes que soam todas iguais -, Teresa arrebatou o público das casas de samba da Lapa, onde ainda pode ser vista regularmente, há nove anos. O ano que vem será de dupla comemoração: além dos dez anos, ela celebrará também 40 anos de idade. ''''Quero uma festa com cama elástica'''', adianta, animada.Teresa também vai completar uma década de amizade e cumplicidade com o Grupo Semente. Formada por Pedrinho Miranda (voz e pandeiro), João Callado (voz e cavaco), Bernardo Dantas (violões) e Mestre Trambique, que entrou depois (tamborim, surdo, ganzá e muitos outros instrumentos), a trupe, que tem participação marcante no novo disco - Pedrinho e Trambique cantam -, vem acompanhando Teresa em shows pelo mundo. Recentemente, eles estiveram na Espanha, Índia, México, Holanda, Equador. Voltaram com saudades da Lapa - de onde Teresa não sabe ao certo quando sai de vez. ''''Acho que dez anos está bom, né?''''Agora na EMI (ela veio da DeckDisc), a carioca da gema (é vidrada não só em samba, como também em futebol - torce pelo Vasco da Gama - e vem do subúrbio da Vila da Penha) quer que sua música tenha um alcance maior. ''''Quero chegar a quem não me conhece, ao cara que fala: ''''Teresa Cristina, quem?'''''''' A moça que ainda tem seus dias de tiete e pede para tirar fotos quando encontra gente que admira, sonha, também, viajar mais pelo Brasil. ''''Eu não posso conhecer o Japão (onde cantou logo no início da carreira fonográfica) e não conhecer Goiás.'''' Por enquanto, os shows de lançamento estão marcados no Rio (dia 29, no Circo Voador, na Lapa) e em São Paulo (de 4 a 14 de outubro, no Teatro Fecap).

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