TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO
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Veja repercussão da morte de Tomie Ohtake

Artista plástica morreu nesta quinta-feira, 12, aos 101 anos

O Estado de S. Paulo

12 de fevereiro de 2015 | 15h11

Atualizada às 18H10

Artistas, amigos e familiares lamentam a morte da artista plástica Tomie Ohtake.


RUY OHTAKE, filho

Em conta do Facebook: " O comentário que eu posso fazer é uma palavra só, em maiúsculo. BEIJO TRANSUNIVERSAL!!! Beijo trans-universal que atravessa o universo. Foram meses muito ricos. A vida dela, pela vitalidade que ela sempre teve, o vigor que ela sempre teve. Ela queria ter alta do hospital para continuar trabalhando.

Ao Estado: "Vamos realizar uma homenagem a ela com a realização de uma mostra com seus últimos trabalhos monocromáticos, inclusive alguns que estavam em exposição no Rio de Janeiro. Sabemos que ela tem ao menos três obras no Japão."

ELISA OHTAKE, atriz, bailarina e neta de Tomie Ohtake

"Vovó era sempre mistério e força, mesmo no seu cotidiano mais comum, tinha a energia de uma rainha ancestral. Nossa relação era de entendimento total, ela me olhava profunda e longamente. Através dela, inutí que não existe limite para a arte, nem para o amor. Uma nova era começa sem a minha avó." Elisa esteve com Tomie em seus últimos momentos."

DILMA ROUSSEFF, presidente da República

"A cultura brasileira perdeu hoje Tomie Ohtake. Grande dama da pintura nacional, Tomie Ohtake nasceu no Japão, mas ao longo de sua vida centenária se tornou intrinsecamente brasileira. A sua capacidade de reunir geometria e cor, movimento e placidez, tornaram Tomie Ohtake uma artista única. Nessa hora de dor, presto as minhas homenagens e ofereço meus sentimentos aos familiares, amigos e admiradores desta grande artista."


GERALDO ALCKMIN, governador do Estado de São Paulo

"Tomie Ohtake será sempre lembrada por seu talento, sua generosidade e pelo exemplo de trabalho incessante. Japonesa de nascimento, brasileira de alma e paulista de coração, deixa sua marca na paisagem e nas artes de São Paulo."


MIGUEL CHAIA, colecionador

"Tomie era aberta para o mundo e completamente ligada ao campo da arte. Ela trouxe uma contribuição importante para a arte brasileira, desenvolveu permanente equilíbrio entre a geometria de tradição construtiva e a abstração informal e incorporou a luz solar do Brasil nos trabalhos. Pessoa que foi sentido de mestra. Para mim, minha referência na arte."

TIZUKA YAMASAKI, cineasta e diretora do documentário 'Tomie'

A primeira imagem que me passa é que hoje, no céu, tem uma festa para receber o anjo Tomie. Além de talentosa artista que pintava com emoção, ela era uma pessoa muito querida. Fiquei admirada quando vi as pessoas cumprimentando a Tomie na última exposição que ela fez e impressionada como elas gostam dela sem nenhum interesse. Para mim, foi extremamente importante ter feito o documentário. Aprendi muito com ela, que era uma sábia mulher. Sábia no seu jeito simples de ser. Foi uma honra poder ter tido essa oportunidade. Fazer o filme sobre ela me deu uma sensação de paz e de alegria muito grande. Foi mais do que um privilégio. Ela me abriu as portas da sua família, da sua casa, das suas obras e da sua intimidade. Seu comportamento pessoal era desconhecido e isso é o que o filme tem de mais rico. Ela se soltou como se conversa como uma amiga de longa data. Existiu uma razão de ser que ela cumpriu com muita felicidade e muita competência. É um dia muito triste, mas sei também que é um dia de alegria lá em cima. 

CARMELA GROSS, artista

Aquela pequena figura frágil, encantadora e sorridente construiu uma obra que nos ensinou a todas nós, mulheres e artistas, a dar passos largos e coloridos. A delicadeza de seus gestos orientais ampliava espaços e construía mundos melhores para todas nós. 

AGNALDO FARIAS, professor e curador

"Tomie ocupa lugar especial dentro do nosso panorama artístico e a contribuição dela para a cor e o gesto apurou o nosso olhar."

MILÚ VILLELA, presidente do MAM e do Itaú Cultural

"Tomie Otake deixa um legado extraordinário e será sempre lembrada como marco fundamental do nosso abstracionismo. Das obras monumentais aos quadros mais intimistas, ela deixa um rastro de beleza e sensibilidade. A vida é assim, como as ondas de sua escultura da Av. 23 de Maio, sempre em progressão. Perdemos a grande dama das artes. Mas a obra segue, perene e viva."  


PAULO SÉRGIO DUARTE, crítico

"Eu acho que a perda de Tomie é muito grande. Não somente foi uma das pintoras mais importantes das últimas décadas no Brasil, como uma pessoa extraordinária, uma grande dama, uma pessoa que contribuiu além disso, fixando-se no Brasil. Teve dois grande filhos: o Ruy é inevitavelmente um capítulo na história da arquitetura moderna no Brasil. E o Ricardo conduziu a Cultura no estado de SP e conduz hoje muito bem um centro importante de difusão das artes visuais, o Centro Tomie Ohtake. Ela vai ficar pra sempre em nossas memórias."

MARCELO MATTOS ARAUJO, Secretário de Estado da Cultura

Com enorme tristeza a Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo recebeu a notícia da morte de Tomie Othake. Mais do que uma artista de qualidade inigualável, Tomie era ela própria um símbolo da nossa identidade cultural: imigrante, mas paulistana de coração; versátil em sua arte e empreendedora em suas técnicas, trabalhadora incansável - uma síntese de São Paulo. Com uma obra sofisticada, Tomie alcançou o reconhecimento popular reservado a poucos artistas contemporâneos. No ano passado, a Secretaria da Cultura teve a honra de homenageá-la como Destaque Cultural do Prêmio Governador do Estado de São Paulo para a Cultura. Uma singela lembrança perto do legado que ela deixa para a arte e para a cultura paulista. Tomie segue presente em nossos museus, ruas e praças, e no trabalho do Instituto Tomie Othake, que continuará preservando e difundindo seu legado. Neste momento, toda a equipe da Secretaria da Cultura oferece seu conforto e sua solidariedade à família e aos cidadãos de São Paulo.

NUNO RAMOS, artista plástico e escritor  

"Tomie foi uma das pessoas mais generosas que estiveram perto de mim. Ela era muito entusiasmada com o trabalho dos mais novos. A lembrança que vou guardar é de alguém profundamente generosa. Uma pessoa mais velha, mas querendo dar força, levar o vento para o ninho do outro."


PAULO PASTA, pintor:

Quando eu lembro da Tomie, principalmente de sua pintura, eu gosto de lembrar da sensibilidade que transparecia pelas formas e cores, sua matéria, a maneira como ela organizou internamente seu trabalho. Não tinha mudanças brutas, mas deslocamentos suaves. Combinava com a maneira com a qual ela pintava. Ela variava os temas também de forma suave. Também tinha duas características importantes: a concisão e a síntese, que, para mim, era o motor da poesia dela. Como pessoa, sempre foi muito educada, muito reservada.


JOÃO CARLOS FIGUEIREDO FERRAZ, colecionador

"É uma tristeza. Tomie foi uma mulher extraordinária. Além de uma obra importantíssima, ela deixa o seu exemplo: imigrante, mulher que numa época difícil conquistou um lugar brilhante na cultura brasileira. Tomie vai ficar para sempre na memória brasileira como uma mulher extraordinária."

MARTA SUPLICY, senadora

"Tomie é mestre. Mulher forte e iluminada que nos brindou e emocionou com sua arte e alegria pela vida. Deixa um legado de uma obra ímpar em beleza e criatividade. Meu sentimento é de grande e irreparável perda. Um carinhoso abraço a toda a querida família. Estamos todos de luto."

MARIANA IANELLI, poeta e neta de Arcangelo Ianelli

'Tomie e meu avô foram grandes amigos, desde 1950, quando os dois ainda eram artistas figurativos. Depois seguiram juntos o caminho da abstração, em várias coletivas no Brasil e no exterior, os dois sempre muito próximos. Agora é como se eles se reencontrassem nesse plano da abstração e da luz em que trabalharam juntos, na pintura e na amizade. Eu também admirava muito o diálogo dela com os poetas, sua afinidade de traço com a poesia, me lembro da alegria de uma parceria há 10 anos, quando ela foi inesquecivelmente gentil comigo me enviando os cromos de dois trabalhos inéditos dela na época. Tomie partindo, meu sentimento é o de que o convívio artístico e humano de uma geração importante da história da nossa pintura se encerra."

JUCA FERREIRA, ministro da Cultura

Com imenso pesar recebemos a morte de Tomie Ohtake, uma artista essencial para a cultura brasileira contemporânea, mundialmente reconhecida por sua linguagem única, independente e inovadora. Tomie transitou entre a pintura, a gravura e a escultura, realizando um diálogo potente e extraordinário entre a forma e a cor. Ela transformou para sempre nosso olhar sobre as artes plásticas. Nascida em Kyoto, no Japão, Tomie Ohtake radicou-se em São Paulo a partir de onde se tornou uma artista profundamente identificada com os espaços urbanos de grandes cidades brasileiras, onde suas cores e formas criam uma nova e surpreendente paisagem. Em 2013, o Ministério da Cultura manifestou sua admiração e gratidão à artista ao oferecer-lhe a Ordem do Mérito Cultural. Na ocasião, Tomie Ohtake, então com 100 anos, afirmou em nota: "Desde que cheguei ao Brasil, senti que estava em um país acolhedor. Hoje, depois de tantos anos e de ter me tornado brasileira, percebo também como o meu esforço e trabalho são reconhecidos. Por isso sou orgulhosa da obra que realizei e de fazer parte desta linda nação".

Com pesar, o ministro da Cultura, Juca Ferreira, manifesta seus mais sinceros sentimentos à família, ao filho Ruy Ohtake, aos amigos e aos admiradores de Tomie Ohtake e de sua obra.

NARA ROESLER, marchande da artista desde 1986

"Ela disse, quando foi aberta sua última exposição, no Rio, que foi muito difícil produzir aquelas telas monocromáticas e que, se vivesse mais um pouco, iria pintar obras com muitas cores. Éramos muito amigas e viajamos diversas vezes. Na próxima edição da Freeze Masters, em outubro próximo, levarei algumas pinturas de Tomie, inclusive algumas mais antigas, das décadas de1970 e 1980."

RAQUEL ARNAUD, ex-marchande da artista

"Tinha um grande carinho por Tomie, que comemorou seus 75 anos com uma exposição, em 1988, na galeria da Nove de Julho (o antigo Gabinete de Arte Raquel Arnaud). Fica a certeza de que ela foi reconhecida em vida por todos".

KIMI NII, escultora e ceramista

"Era uma pessoa muito refinada e grande amiga, cujo contato ficou cada vez mais próximo à medida que frequentávamos juntas exposições e concertos. Ela sempre prestigiou os amigos e foi responsável por uma mudança radical em minha vida, quando passei do design para a escultura, sendo muito incentivada por ela, para mim uma referência maior".



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