V&A adquire desenhos de arquitetos brasileiros

Museu de Londres terá croquis do Brasil em seu rico acervo

Daniel Piza, O Estadao de S.Paulo

18 de outubro de 2008 | 00h00

Quatro brasileiros foram escolhidos pelo Victoria & Albert Museum, de Londres, considerado o maior e mais importante museu dedicado ao design e às artes decorativas, para pertencer ao seu acervo de desenhos arquitetônicos. Três estão vivos e pertencem a gerações diferente: Oscar Niemeyer, centenário, Paulo Mendes da Rocha, que completa 80 anos no próximo dia 25, e Isay Weinfeld, 56 anos. O quarto nome é Lina Bo Bardi (1914-92), arquiteta do Masp e do Sesc Pompéia. Eles e os herdeiros dela foram procurados pelo curador Abraham Thomas, do V&A, para que cedessem croquis e imagens de pelo menos cinco de seus principais trabalhos."Queríamos representar um espectro amplo de arquitetos brasileiros", diz Thomas, em entrevista por e-mail ao Estado, "que tivessem reputação internacional e contribuições fundamentais para a história da arquitetura do século 20, como Niemeyer e Lina Bardi, e que tivessem recentemente recebido atenção mundial, como Mendes da Rocha, e também queríamos incluir o trabalho de um arquiteto que achamos muito atraente e renovador, como Weinfeld." No caso de Mendes da Rocha, o curador se refere ao prestigioso Prêmio Pritzker recebido por ele há dois anos.Autor de trabalhos como a recuperação da Pinacoteca do Estado, o Museu Brasileiro de Escultura (MuBE) e a cobertura da Praça do Patriarca, Mendes da Rocha diz que ainda não escolheu quais serão enviados ao V&A. "Penso até em incluir um projeto que ainda não saiu do papel, um complexo com teatro e museu que desenhei para o porto de Vitória", conta. "Também pensei num dos meus primeiros projetos, o do Ginásio do Paulistano." O Museu de Arte Moderna de Nova York, por exemplo, tem em seu acervo uma maquete de ferro do MuBE. "Acho que o interesse tem muito a ver com o modo como a arquitetura brasileira reflete a natureza, já que nossas cidades não têm 5 mil anos."Para Weinfeld, Thomas sugeriu cinco trabalhos que poderiam estar representados na coleção: o hotel Fasano, a discoteca Disco, a loja Forum, a Casa d?Água (residência nos Jardins) e a Livraria da Vila da alameda Lorena - a qual acaba de receber mais um prêmio, o Spark! Award, em São Francisco, depois de ter sido premiada em Londres, com o AD&D, na categoria "design de ambiente". O curador elogia a arquitetura de Isay por sua combinação de minimalismo e ousadia. "Ela tem uma rara qualidade lírica, imbuída de narrativa."Weinfeld se diz honrado por ter sido escolhido pelo V&A "mesmo sem ter tido a oportunidade de fazer uma obra de grande porte" e, em especial, pela "sensibilidade de perceber a íntima relação entre meu trabalho arquitetônico e as outras artes". Thomas, de fato, se diz particularmente interessado no projeto da Disco, inspirado numa canção do grupo inglês Radiohead, Motion Picture Soundtrack, pelo modo como música e arquitetura interagem, "como experiências temporais, marcadas por texturas e narrativas".Sobre Niemeyer, Thomas diz que ele é "extremamente importante na história da arquitetura do século 20" e compara sua marca à de Le Corbusier, na capacidade de imaginar uma cidade (Brasília) em função de mudanças políticas e da "criação de uma nova identidade nacional". Thomas informa que é a primeira vez que o V&A adquire desenhos arquitetônicos da América do Sul. "No momento nosso acervo tende demais para a Europa e os EUA. Estamos muito dispostos a buscar outros trabalhos do Brasil e da América do Sul e manter nossa reputação de um museu com abordagem global."

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