Uma porção sortida de gargalhadas

Conhecida por dedicar-se ao riso, a trupe Parlapatões exibe oito peças de seu repertório em sua sede na Praça Roosevelt

Beth Néspoli, O Estadao de S.Paulo

04 Fevereiro 2008 | 00h00

A alegria dos foliões termina hoje, mas se depender do grupo Parlapatões o paulistano terá motivo para ficar de bom humor por muito tempo. Conhecida por dedicar-se inteiramente ao riso, a trupe dirigida por Hugo Possolo abre na sexta-feira uma mostra com seis espetáculos adultos e dois infantis, todas de seu repertório. Até dia 9 de março, de quinta a domingo, o público poderá escolher em qual peça irá se divertir na vasta programação que toma a sede do grupo, o Espaço Parlapatões, na Praça Roosevelt. Proibido para Menores abre a mostra nesta sexta, às 21 horas. Possolo define como um ''''infantil para adultos'''' esse espetáculo, composto de quadros divertidos que têm como matéria-prima os clichês que povoam a arte - teatro, literatura, cinema - para crianças. Com texto e direção de Possolo, que também está no elenco junto com Raul Barretto, Claudinei Brandão, Henrique Stroeter e Hélio Pottes, a peça critica a forma pseudo-didática como muitos marmanjos tratam as crianças. Aparentemente, eles esqueceram a própria infância, a capacidade de apreensão e a sensibilidade de meninos e meninas, que vêem como debilóides. Possolo reconhece que ''''há muita gente ralando em festas infantis para ganhar algum'''', mas nem por isso deixa de criticar o barateamento da arte do palhaço. Afinal, há quem pense que um nariz vermelho, um tombo e um ''''pum'''' sejam suficientes para fazer um clown. Num dos quadros dessa peça, O Palhaço-Bomba, um deles ameaça explodir o teatro se tiver de atuar numa festa infantil. Num outro, Branca de Neve e Michael Jackson aparecem juntos no grupo de ''''amigos da criancinhas''''. Chama atenção a presença de Um Chopes, Dois Pastel e Uma Porção de Bobagem, que tem texto de Mário Viana e foi criado como exercício cômico quando o grupo preparava a montagem de Pantagruel. Nessa peça, numa mesa de boteco, um grupo de amigos repassa de A a Z um dicionário de escatologia. Por que voltar com a peça? ''''Há um aspecto interessante, apontado pelo crítico Alberto Guzik, que depois reforçamos: nessa peça a gente explora um humor baixo, mas ao fim cada um sai do bar solitário, meio triste. Surgiu, meio sem querer, uma poética que combina com a busca do grupo, de sempre mesclar humor e lirismo.'''' Realizada graças ao Programa Municipal de Fomento ao Teatro, a mostra oferece a oportunidade de conferir diferentes trabalhos e não por acaso tem como subtítulo Parlapatões: Sortidos e Variados. Há desde espetáculos recentes, como o premiado solo de Hugo Possolo Prego na Testa até Nada de Novo, que tem 17 anos de estrada. Há ainda o solo infantil O Bricabraque, no qual Raul Barretto é um leiloeiro maluco, apaixonado por uma pulga. E U Fabuliô, um espetáculo de rua de 1995. ''''São contos franceses, todos licenciosos, que amarrei numa só história que se passa num nordeste imaginário, fabuloso. É uma brincadeira, ninguém faz sotaque de nordestino de novela'''', avisa Possolo. Quem conhece o trabalho do grupo sempre vai sentir falta de boas peça do repertório que ficaram de fora, como Sardanapalo, por exemplo. ''''Queríamos sim voltar com essa peça e também Um Deus Chamado Dinheiro, mas embora tenhamos toda a produção guardada, elas estão fora do repertório, e não poderíamos agora de ensaiar o tempo necessário. E não dá para fazer mostra de qualquer jeito, é preciso trazer as peças com a qualidade que ela têm'''', diz Possolo. A programação também serve para restabelecer o diálogo do espectador com a trupe, que prepara um novo espetáculo, baseado no romance Vaca de Nariz Sutil, de Campos de Carvalho, com estréia prevista para abril. ''''O público tem visto mais grupos parceiros do que nós mesmos em nosso teatro'''', brinca Possolo. A partir da semana que vem a programação começa às quintas (leia ao lado) com a apresentação de várias peças de um minuto escritas por diferentes autores. O festival foi criado ano passado, quando o grupo convidou mais de 40 autores, entre eles Leilah Assunção, Luis Alberto de Abreu, Mário Viana, Marcos Caruso e Gero Camilo para escreverem peças de no máximo um minuto, encenadas no palco do Parlapatões. A partir da semana que vem, elas serão novamente exibidas com os atores Raul Barretto, Hugo Possolo, Henrique Stroeter, Claudinei Brandão, Ângela Figueiredo, Bebel Ribeiro, Jacqueline Obrigon, Luna Martinelli e Paula Cohen no elenco.

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