Uma pitada eletrônica em canções originais

Após longa incursão no Teatro Oficina, a cantora Karina Buhr projeta carreira-solo

Livia Deodato, O Estadao de S.Paulo

27 de janeiro de 2009 | 00h00

Em 1998, Karina Buhr e sua banda, a Comadre Fulozinha, se apresentavam na Soparia, saudosa casa de shows da cena alternativa do Recife. Uma figura inesperada, acompanhada de sua trupe, não só marcou presença, como fez um convite à cantora, compositora e instrumentista nascida em Salvador e criada na capital de Pernambuco. José Celso Martinez Corrêa, diretor do Oficina, que estava por aquelas bandas mostrando Cacilda, se encantou com a moça e a convidou para integrar o elenco de Bacantes, que viria a ser seu próximo trabalho. "Hesitei bastante, pois eu tinha aquela ideia clichê de muitos que desconhecem o teatro de Zé Celso", relembra a cantora de 34 anos.Três anos foi o tempo que Karina levou para amadurecer a ideia e um novo convite do diretor surgir para remontar, inclusive, o mesmo espetáculo. "Fui tomar coragem só em 2001. E posso afirmar que a experiência que tive foi maravilhosa", conta. Karina participou de todas as etapas de Os Sertões e viajou em temporada para o Nordeste e seu sertão. Nos processos de criação colaborativa, ajudou a compor as canções, além de cantar e atuar. E, durante esses sete anos, não deixou de tocar com Comadre Fulozinha, que ganhou uma nova formação na capital paulista, sem perder a sua essência percussiva que passeia pelo coco, maracatu e ciranda.No fim do ano passado, Karina decidiu se desligar do Oficina para poder se dedicar mais a fundo em um projeto-solo que vinha tocando nos intervalos que restavam entre o grupo dirigido por Zé Celso e Comadre Fulozinha. Colecionou letras, arranjos e melodias próprias e pensou em adicionar a elas uma base eletrônica. Bateria, baixo, trompete e teclado, além das programações, formam o que Karina define como um som "bem experimental". E de uma qualidade inquestionável aprovada, por exemplo, pela produtora e apresentadora da Rádio Eldorado, Patricia Palumbo, que a convidou para se apresentar no festival Vozes Ao Vivo no próximo dia 5 de fevereiro, no Sesc Avenida Paulista. "Ela me descobriu ao ouvir a Anelis Assumpção interpretando uma canção minha, Sonhando, que disse ter gostado", conta Karina.No show que faz hoje, gratuito, no Studio SP, a compositora, que já foi integrante dos maracatus Estrela Brilhante e Piaba de Ouro, e das bandas Eddie e Bonsucesso Samba Clube, entre muitas outras, vai mostrar as 20 músicas que reuniu ao longo desses anos e das quais vai peneirar cerca de 15 para gravar muito em breve, dentre elas O Pé, Mira Ira e Eu Menti Pra Você, que já tiveram, em média, 2 mil acessos em seu MySpace (www.myspace.com/karinabuhr). "Queremos gravar com a mesma tecnologia que estamos usando para o terceiro disco da Comadre Fulozinha, SMD (semi metalic disc), que sai bem mais barato que CD e deve ser vendido por R$ 5", adianta. Tudo leva a crer que será uma ótima relação custo x benefício. ServiçoKarina Buhr. Studio SP (450 lug.). Rua Augusta, 591, Consolação, tel. 3129-7040. Hoje, às 22 horas. Grátis

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