Uma passagem pelas criações populares

Sesc apresenta a mostra Do Tamanho do Brasil com seleção de centenas de peças

Camila Molina, O Estadao de S.Paulo

07 de julho de 2026 | 00h00

''''Arte popular não é só a dos grandes mestres do passado, mas aquela que permanece no presente porque se transforma, em diálogo com o mundo'''', afirma Janete Costa, curadora da exposição Do Tamanho do Brasil, em cartaz até início de setembro na Unidade Provisório do Sesc Avenida Paulista. Recifense, arquiteta e pesquisadora há décadas das criações do povo brasileiro - humilde e muitos deles anônimos -, Janete fez para essa mostra uma seleção de centenas de peças - esculturas, cerâmicas, ex-votos e brinquedos, nada de pintura (há apenas dois quadros de Alcides Pereira dos Santos, morto recentemente, no saguão térreo do Sesc Paulista) para apresentar obras que estão no território do ''''trabalho e invenção''''.É certo que estão representados artistas já consagrados e mais conhecidos (muitas vezes presentes em coleções particulares) como GTO (1913-1990), Mestre Vitalino (1909-1963), Conceição dos Bugres (1914-1984) e Artur Pereira (1920-2003), mas também a mostra coloca à luz ''''novidades'''' como as obras de Zé do Chalé, índio xocó sergipano de 104 anos (suas peças foram o destaque também da exposição curada por Janete em Encontro entre Dois Mares - Bienal de São Paulo-Valência, realizada neste ano na Espanha); os bichos de Manuel da Marinheira, as figuras de Rezendio, José Bispo, Ulisses e Irinéia, por exemplo.O território da arte popular sempre será infindável já que muitos criadores vêm de um fazer tradicional em suas famílias e em seus lugares, já que os artistas, do meio rural ou da cidade, ''''hoje como ontem fundem sua experiência cotidiana de vida a uma portentosa imaginação'''', como afirma a curadora em texto. Cotidiano, religião, diversos são os meandros para a expressão do imaginário brasileiro ''''que espelha nossas raízes culturais mais profundas''''. Enfim, é sempre um prazer ver os leões esculpidos por Nuca ou descobrir os fortes orixás verticalizados e estilizados de Louco.A montagem tem forte apelo cenográfico, já uma marca de mostras das chamadas criações populares (o chão e as paredes estão pintados de tons de marrom, a sala dedicada aos brinquedos é toda azul, os spots de luz iluminam cada peça - e muitas delas se transformam em totens no espaço). Por exemplo, a escultura de uma onça que segura seu filhote pela boca, já obra emblemática do amazonense Alcântara, está colocada com um monte de folhas secas. Além disso, as biografias dos artistas são apresentadas ao lado de suas obras.Veja a galeria de imagens das obras de Do Tamanho do Brasil no Portal do Estadão

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