Uma outra possibilidade de pintura

Leda Catunda faz retrospectiva de sua produção da década de 1980 até hoje

Camila Molina, O Estadao de S.Paulo

17 de agosto de 2009 | 00h00

Para a artista Leda Catunda, cabe a cada um decidir se renega ou não seu passado, mas, segundo ela, sua obra, da década de 1980 até hoje, "faz todo um sentido". Por isso, Leda, que era uma das mais jovens da chamada Geração 80 e que conheceu cedo o sucesso - para ela, questão de "sorte" por estar produzindo quando explodiam galerias, o mercado de arte e as editoras de livros -, está extremamente feliz com a exposição que a Estação Pinacoteca lhe dedica, cobrindo sua produção de 1983 até 2009, como a recentíssima obra Katrina, "grande desenho" de partes recortadas pregadas à parede. A Leda Catunda da Geração 80, marcada pela ascensão da pintura, insiste em chamar de pinturas suas obras "porque há uso de tinta", mas sua produção entra num campo híbrido, o da "pintura-objeto". Tecidos e imagens das quais se apropriou são recorrentes nas criações de Leda, como se vê na exposição com mais de 60 obras.Como as questões da trajetória de Leda Catunda são recorrentes e não se fazem num tipo de evolução em linha reta de linguagem - seguindo o credo modernista, justifica a artista -, sua mostra retrospectiva vai misturando nas salas do quarto andar da Estação Pinacoteca as obras de diferentes anos, configurando uma "justaposição repentina" e natural. "Desde o princípio, naquela época da fadada morte da pintura, acreditava existir uma outra possibilidade de pintar, mais conceitual, que ia discutir a imagem. Isso era considerado um absurdo", diz a artista. Por sempre ter "muita atração pela imagem", Leda valeu-se de um vocabulário amplo, mas próprio, que inclui a apropriação de imagens pop, de um universo que se vale do campo do feminino, do doméstico, do afetivo, da discussão do gosto e do kitsch e da "poética da maciez" - e agora, ultimamente, agregou a fotografia em seu trabalho.A mostra, que culminará em livro, começa com as obras de grande escala identificadas pela artista como "pinturas por partes": Janela com Babados é bem antiga e pouco vista; há ainda as obras das famosas gotas de tecidos e as Onças Pintadas (1984). Dessa entrada ainda vale citar Memórias (1988), que carrega telinhas pintadas a óleo; Todo Pessoal II, estrutura de ramos de tecidos com fotografias plotadas, de 2007; e A Vitrine (1984). Mas, na exposição, com curadoria de Ivo Mesquita, curador-chefe da Pinacoteca, o percurso se segue revelando o ir e vir dos processos de Leda - por isso, é até mesmo uma retrospectiva que carrega obras inéditas, como colagens de grande porte e pequenos objetos.A mostra se espalha pelo prédio, com a presença de A Cachoeira, sobreposição de camadas de plástico e tecidos com pinturas em acrílica, destaque da Bienal de 1985, em meio ao espaço da Coleção Nemirovsky, no segundo piso; e ainda Airuroca, de 2007, na entrada do edifício. ServiçoLeda Catunda. Estação Pinacoteca. Largo General Osório, 66, Luz, 3337-0185. 10 h/18 h (fecha 2ª). R$ 6 (sáb., grátis). Até 11/10

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